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Brasil |19 abril, 2018

Indústria | Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupa

  SÃO PAULO (Reuters) – O Grupo USJ, um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro, impulsionará a fabricação de…

 

SÃO PAULO (Reuters) – O Grupo USJ, um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro, impulsionará a fabricação de etanol de milho na safra 2018/19, conforme sua usina flex em Quirinópolis (GO) se aproxima da capacidade máxima de fabricação do biocombustível, disse à Reuters a presidente da companhia.

Localizada a cerca de 300 quilômetros de Goiânia, a Usina São Francisco integra uma joint venture da empresa com a norte-americana Cargill [CARG.UL], a chamada SJC Bioenergia.

A unidade está em uma região estratégica, com oferta abundante de milho, e por isso recebeu investimentos de mais de 150 milhões de reais para fabricar álcool também com o cereal, não apenas com cana.

A produção começou em 2016 e deve se aproximar da capacidade máxima na atual temporada, iniciada neste mês, afirmou Maria Carolina Ometto Fontanari, à frente do Grupo USJ desde 2013, em substituição a Hermínio Ometto Neto.

“Vamos aumentar a produção graças ao ‘ramp-up’ previsto. Passaremos para 100 por cento (da capacidade) agora”, afirmou a executiva no intervalo de evento da consultoria INTL FCStone, na noite de quinta-feira.

Conforme ela, o processamento de milho para fabricação de etanol irá a 300 mil toneladas no ciclo vigente, ante 255 mil na temporada passada. Com isso, a expectativa é de que a produção do biocombustível de milho cresça para 120 milhões de litros.

Tal volume, porém, só deverá aparecer com força entre dezembro e março, quando se encerra a moagem de cana e a usina passa a rodar com milho.

“Cerca de 65 por cento de todo o etanol da usina é produzido na entressafra de cana”, disse Maria Carolina.

Em 2017/18, a unidade produziu um total de cerca de 150 milhões de litros de etanol, sendo 102 milhões de litros produzidos a partir do milho.

Em operação desde 2007, a São Francisco representou um importante movimento de expansão do Grupo USJ.

A companhia está há mais de sete décadas no Estado de São Paulo, com a Usina São João, em Araras. No início dos anos 2000, a empresa iniciou planos para construir outras unidades em Goiás, dado o boom do setor sucroenergético nacional.

Além da São Francisco, o Grupo USJ conta também com a Cachoeira Dourada, no município goiano de mesmo nome, concluída em 2014. Ambas integram a joint venture com a Cargill, criada em 2011.

No total, o Grupo USJ soma capacidade de moagem de cana superior a 10 milhões de toneladas por safra. Conforme Maria Carolina, o mix de produção na atual temporada será mais voltado ao etanol, mas ela não precisou um número para toda a empresa.

ALERTA

Embora dentro do previsto, o cronograma de aumento de produção de etanol de milho do Grupo USJ acende um sinal de alerta, ao menos no curto prazo, em razão de um fator que a empresa é incapaz de controlar: o preço do cereal.

“Quando montamos esse projeto, tínhamos uma faixa de preço para a saca entre 22 e 27 reais, mas hoje está entre 25 e 30 reais”, comentou a presidente da companhia, referindo-se aos valores praticados na região da usina.

Com efeito, as cotações domésticas do milho vêm avançando neste ano em virtude da restrição vendedora, com produtores à espera de preços mais altos, e também da própria perspectiva de uma oferta menor.

Pela projeção mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país tende a colher 88,6 milhões de toneladas de milho neste ano, contra quase 100 milhões no anterior.

Nesse contexto, as cotações do grão já avançaram em torno de 18 por cento, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

“Precisamos de preços mais rentáveis para o milho”, comentou Maria Carolina.

https://extra.globo.com/noticias/economia/grupo-usj-impulsiona-etanol-de-milho-em-201819-mas-preco-do-cereal-preocupa-22606707.html

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