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Sin categoría |19 mayo, 2014

Brasil | Adulteração do #leite é comum e está espalhada pelo Brasil

  É prática comum entre as mães brasileiras “empurrar” mamadeiras e copos de leite às crianças pensando nos nutrientes que…

 
É prática comum entre as mães brasileiras “empurrar” mamadeiras e copos de leite às crianças pensando nos nutrientes que vão ajudá-las a crescer fortes e saudáveis. O que poucas mães sabem é que seus filhos podem estar ingerindo junto com o leite outras substâncias que não fazem tão bem assim à saúde, como ureia, soda cáustica, água oxigenada e cal virgem.

Em 12 meses, uma operação conjunta do Ministério da Agricultura (Mapa), Ministério Público do Rio Grande do Sul, Polícia Federal e Poder Judiciário confiscou milhões de litros de leite contaminado e 32 caminhões-tanque saíram de circulação. Vinte e seis pessoas foram denunciadas, sendo que 13 foram presas e quatro estão em liberdade provisória.

Os processos na cidade de Ibirubá (RS) foram os únicos já concluídos em primeira instância e seis pessoas tiveram suas sentenças decretadas – uma delas chegou a ser condenada a 18 anos e seis meses de cadeia em regime fechado. O que parecia ser o fim de um pesadelo, na verdade, pode ser o início de um grave problema nacional – e o grande vilão pode estar na prateleira de qualquer mercadinho ao lado de casa.

No decorrer do último ano, a apuração do Ministério Público rio-grandense não revelou apenas que transportadores e comercializadores de leite estavam adulterando a bebida no estado, mas também que a prática é nacional. “Aqui nós só descobrimos a ponta do iceberg. Não podemos ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul para investigar o assunto, mas já temos informações de que isso acontece em larga escala em várias regiões do País”, contou Mauro Rochenbach, especialista em crimes do Ministério Público que acompanha o assunto desde o início.

O órgão já enviou informações coletadas de escutas telefônicas, laudos químicos, depoimentos e apreensão de documentos para os ministérios públicos de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Esses três estados recebem o leite de laticínios do Rio Grande do Sul, além de haver indícios de serem locais de ação de outros fraudadores.

Formol

No mês passado, a LBR precisou fazer um recall de caixinhas das marcas Parmalat e Líder, depois de identificar que aproximadamente 300 mil litros de leite estava contaminado com formol. Os lotes, fabricados no Rio Grande do Sul, teriam sido vendidos aos estados de São Paulo e Paraná, especificamente nas cidades de Guaratinguetá (SP) e Lobato (PR). Segundo dados do Procon-SP, em 2013 houve também recall das empresas Vonpar Alimentos, da marca de leite Mumu, e Goias Minas Indústrias de Laticínios (leite Italac).

O órgão chegou, inclusive, a recolher em diferentes pontos de venda amostras de diversos lotes de leites das marcas Parmalat, Italac, Bom Gosto, Líder, Mumu e Latvida, mas os testes não revelaram presença de formol e nem diluição em água.

A operação “Leite Compensado”, como foi chamada, completou um ano na semana passada, mas ainda está longe de acabar. Outras investigações no Rio Grande do Sul estão em andamento – o que deve levar a mais prisões e laticínios fechados nos próximos meses. No Paraná, o MP local confirmou que há dois inquéritos paralelos sobre a indústria leiteira, o mesmo acontece em Santa Catarina. O coordenador-geral de inspeção do Mapa, Luiz Marcelo Martins Araújo, afirmou que informação sobre novos inquéritos é confidencial e que não poderia adiantar nada sobre investigação. Contudo, ele disse que as fiscalizações na cadeia do leite e em outros produtos de origem animal são constantes e independem de uma operação como essa.

A “Leite Compensado” chama ainda a atenção para a longevidade da prática criminosa. O MP do RS apurou que envolvidos nas fraudes do estado já compravam toneladas de ureia desde 2009. “Nós pedimos à Receita dados de 2009 a 2013, mas se tivéssemos aumentado a base de pesquisa, certamente veríamos que as adulterações já aconteciam há mais tempo”, contou Rochenbach.

A ureia é usada pelos fraudadores para mascarar o acréscimo de água ao leite, já que na diluição os nutrientes da bebida também diminuem e os lotes não passariam nos testes do Ministério da Agricultura. “Descobrimos ainda que os problemas vinham de diferentes bolsões leiteiros do estado, o que nos mostrou que não havia uma quadrilha, mas sim que a informação sobre a fórmula de adulteração corria boca-a-boca”, comentou.

A tal fórmula é conhecida por 100/10/1 ou cem por dez por um. Para quem não faz parte da fraude, os números indicam a proporção da mistura que deve ser feita para enganar a fiscalização: para cada 100 litros de leite são acrescentados 10 litros de água e um litro de ureia.

A primeira fase da “Leite Compensado”, transportadores de leite das fazendas produtoras aos postos de resfriamento colocavam em risco a vida das pessoas para ganhar centavos a mais, uma vez que são pagos por volume transportado.

http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=118492

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