Brasil ainda precisa de escala em #lácteos

Brasil ainda precisa de escala em #lácteos

As questões provocativas, feitas na sexta-feira passada durante o Seminário “Competitividade do Leite no Brasil”, promovido pelo Pensa/FIA (Centro de Conhecimento em Agronegócios da Fundação Instituto de Administração), ainda parece que vão demorar um pouco para serem respondidas definitivamente.

Afinal, o país pode alcançar a autossuficiência e se tornar um exportador sustentável? Por que o segmento não consegue avançar em escala como ocorreu com outras cadeias do agronegócio?

As questões provocativas, feitas na sexta-feira passada durante o Seminário “Competitividade do Leite no Brasil”, promovido pelo Pensa/FIA (Centro de Conhecimento em Agronegócios da Fundação Instituto de Administração), ainda parece que vão demorar um pouco para serem respondidas definitivamente.

Roberto Jank, agrônomo e produtor de leite na empresa Agrindus, observou, no evento, que o Brasil talvez seja, depois da China, o país onde a produção mais cresceu nos últimos anos. De 1995 até o último ano, a produção formal saiu de 14 bilhões para 23 bilhões de litros de leite. E o avanço do consumo no período também foi expressivo – foi de 100 para 170 litros per capita por ano na mesma comparação.

Mas o próprio crescimento da demanda doméstica acabou limitando a capacidade de o Brasil exportar, concordaram Jank e René Machado, gerente executivo de captação de leite da DPA, que também participou do seminário. Jank destacou que o comportamento do câmbio também tem sido decisivo. De fato, o real desvalorizado, em um cenário de demanda global aquecida, tornou o Brasil competitivo naquele período.

Luis Fernando Laranja, produtor de leite e sócio diretor da Kaeté Investimentos, acrescentou que o forte crescimento da renda do brasileiro elevou o consumo de lácteos. Ele observou, porém, que o consumo de alguns produtos aumentou mais do que a própria renda. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a renda cresceu 1,7% ao ano, conforme dados apresentados por Laranja. No mesmo intervalo, o consumo de iogurte e mussarela registrou alta de 3%.

Números apresentados pelo agrônomo Valter Bertini Galan, um dos organizadores do evento, em parceria com o Pensa, mostram que, em volume absoluto, “as importações de lácteos ainda persistem como fonte obrigatória de abastecimento do mercado brasileiro”. No entanto, como percentual da produção nacional, as importações foram bastante reduzidas nos últimos anos. Se em 1996 correspondiam a quase 14% da produção de lácteos (considerando o equivalente em bilhões de litros), no ano passado essa fatia encolheu para cerca de 3%.

Roberto Jank destacou que, apesar do forte crescimento do consumo de lácteos nos últimos anos, houve pouco avanço em escala. Como exemplo de quanto o país ainda tem para avançar em produtividade no segmento de leite, ele observou que 700 fazendas nos EUA produzem 33 bilhões de litros de leite por ano, volume semelhante ao produzido pelos estimados 1 milhão de pecuaristas de leite do Brasil – considerando a produção formal e a informal. “Não fomos capazes de estimular o produtor a ser mais profissional”.

O empresário criticou a guerra fiscal entre os Estados, que acaba afetando a produção, e defendeu que o governo tenha apenas um papel normatizante e fiscalizador na área.

Numa defesa da profissionalização, Jank disse que é preciso reduzir o número de produtores de leite no país e criticou também a destinação de recursos do Pronaf, financiamento oficial voltado ao pequeno produtor. “Grande parte do Pronaf é aplicado no leite. Esse incentivo está errado do ponto de vista da produção. Não existe contrapartida técnica do dinheiro subsidiado. Não se pode incentivar a produção de leite apenas do ponto de vista social”.

A dificuldade de ganho de escala, sem dúvida, prejudica a competitividade do leite brasileiro, mas é preciso considerar, ainda, que houve uma mudança na base de custos, reflexo da forte demanda de países como China mas também da restrição de crescimento da oferta em importantes regiões produtoras, como a Nova Zelândia, segundo os especialistas.

Não é apenas a produção de leite que vive desafios. A própria indústria de lácteos do país enfrenta dificuldades, como baixas margens, principalmente as que têm forte atuação em leite UHT.

Ainda assim – e apesar de experiências malsucedidas, como a da LBR, que está em recuperação judicial -, “há apetite para investimentos na produção e na indústria de lácteos”, disse Laranja, da Kaeté. Ele reconheceu, porém, que o episódio da LBR “marcou negativamente”.

http://www.cenariomt.com.br/noticia/355978/brasil-ainda-precisa-de-escala-em-lacteos-dizem-especialistas.html

 

 

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