Foto: Embrapa.

Por Thuany Coelho

A redução da produção de milho segunda safra em alguns Estados por causa da seca, principalmente no Paraná e Mato Grosso do Sul, deve pressionar para cima os preços do grão no país. “O milho já teve uma alta importante no 1º trimestre, porque consumidores estavam com dificuldade de encontrar o grão no mercado interno, o que deu boa sustentação. E, agora com a quebra da safrinha, isso deve continuar”, diz Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone. A estimativa da consultoria é de que a segunda safra seja de 55,3 milhões de toneladas, 8,6% abaixo da previsão do início de maio e 17,8% menor do que os valores de 2016/2017.

Para o consultor Carlos Cogo, parte das altas por conta da quebra de safra já estão sendo precificadas nos contratos futuros da B3, mas, na medida em que a colheita avançar, isso pode se intensificar, dependendo dos resultados. De acordo com ele, nesse cenário, o tamanho dos estoques do grão fica em segundo plano. “Quanto os estoques vão cair já não é tão importante. O mercado vai ficar nervoso da mesma forma por ter uma redução de oferta nos principais supridores do segundo semestre. Mas claro que quanto menor o estoque final, maior a pressão de alta”.

Ana Luiza pondera que a procura também pode ser determinante no movimento dos preços. “Nossa estimativa é de que o consumo de milho para ração caia um pouco em relação ao ano passado e ainda precisamos ver como a indústria de carnes vai reagir aos últimos problemas [embargos e greve dos caminhoneiros]. Além disso, também é preciso ficar atento às exportações do segundo semestre, porque por mais que o preço seja alto, o câmbio contribui para a competitividade”. Segundo a analista, se a demanda mostrar sinais de fraqueza, isso pode segurar os preços do grão internamente.

Fonte: Portal DBO