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‘Crise mostra que neoliberalismo não serve para pessoas, mas para negócios’

Para Cândido Grzybowski, do Ibase, uma solução de interesse nacional diante da crise exigiria “prudência de todos os atores”, porque só se vai evitar o pior por meio de um pacto para garantir a eleição
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 30/05/2018 07h49
JOEL SILVA/FOLHAPRESS
Descarte de leite

Sem ter sido entregue à indústria, por conta da greve dos caminhoneiros, leite produzido em fazenda de Minas Gerais é descartado para alimentar criação de porcos

São Paulo – A paralisação da economia do país em decorrência do movimento dos caminhoneirosmostra de maneira didática até que ponto podem chegar as consequências de políticas neoliberais, adotadas pelo governo Temer e o presidente da Petrobras, Pedro Parente, cuja indicação é atribuída ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “O que acontece com o petróleo hoje é a maior lição que se deu de que o neoliberalismo não serve para as pessoas, mas para negócios. Temos uma agenda neoliberal extremada e isso escancarou o que a sociedade não quer”, diz o assessor especial do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski.

Ele não acredita nas previsões do governo de que o problema do desabastecimento causado pela greve, ou locaute, desencadeado a partir da explosão dos preços dos combustíveis, seja resolvido em poucos dias. “Há caminhões escoltados começando a andar com combustível. Mas ocorreu uma desestruturação na produção, inclusive.”

Nesse sentido, mesmo com os caminhões liberados para fazer a distribuição dos gêneros e produtos de todo tipo, não há como resolver problemas de alimentos perecíveis como o do leite, por exemplo. Produtores descartaram milhões de litros desde o início da crise. “Não é só distribuição, pois afetou a produção. Com a carne de frango acontece a mesma coisa. Terá estoque para abastecer o mercado?”, questiona o sociólogo. Ele lembra que o frango é importante hoje no prato do brasileiro, já que é a carne mais barata.

Para o analista, o fato de grandes empresários estarem extremamente contrariados com os prejuízos e a paralisia dos negócios não disfarça sua responsabilidade sobre o caos, já que ajudaram a patrocinar o golpe que derrubou Dilma Rousseff. “O prejuízo é grande, mas o prejuízo maior é para a população, que já está sem emprego, a fome voltando, e agora mais essa crise.”

Grzybowski lembra que a política que atrelou o preço dos combustíveis ao preço internacional do barril de petróleo – que desencadeou a atual situação – é consequência direta do golpe parlamentar de 2016, que desvirtuou completamente o papel de uma estatal da importância e tamanho da Petrobras.

“Para que existe uma estatal? A Petrobras, como patrimônio da sociedade brasileira, teria a função de ser uma espécie de mola para segurar o impacto do mercado e de uma geopolítica de disputa de recursos naturais num panorama mundial de imperialismos, no caso, o imperialismo americano que se vê ameaçado pelo imperialismo chinês”, avalia.

Especulações

Em meio ao caos, especulações são alimentadas pelo desânimo dos grandes empresários, que estão “desconsolados”. Temer poderia estar prestes a cair.

Em evento do jornal Valor Econômico na segunda-feira (28), com a presença de dezenas deles, o clima estava pesado. O presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, pintou um retrato sombrio da conjuntura atual, dizendo que a crise desencadeada pelos caminhoneiros afetará o PIB de 2018 em um ponto percentual. “A economia parou”, disse.

No mesmo dia, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, colocou mais lenha na fogueira das especulações ao dizer que as eleições de outubro correm risco. “[A greve] acendeu um sinal quanto à própria realização das eleições”, afirmou. “Se um movimento semelhante ocorrer em outubro, pode afetar a distribuição de urnas eletrônicas e a locomoção de pessoas.”

Por sua vez, a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, pautou ação que questiona se o Congresso pode instituir o parlamentarismo por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O julgamento será em 20 de junho.

Na noite desta terça-feira (29), o TSE rejeitou decidir se um réu objeto de ação penal pode ser candidato à presidência da República. Ao entender que não cabe ao TSE decidir sobre a matéria, os ministros preferiram lavar as mãos e, com isso, evitaram impedir no tribunal as candidaturas tanto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que responde a duas ações penais no STF.

A crise política e econômica, de proporções inimagináveis até dez dias atrás, coloca o país em uma situação comparável simbolicamente a um “incêndio com muita fumaça”. “Quem vai sair vivo disso é difícil dizer”, diz Grzybowski.

Para ele, dada a proporção da crise, a eleição corre risco. “Temer, mais dia, menos dia, vai cair mesmo, e pode ir direto para a prisão. Essa é uma variável. Ou vão conseguir uma embaixada para ele poder sair do país?” Uma solução de interesse nacional exigiria “prudência de todos os atores, porque só se vai evitar o pior através de uma espécie de pacto”, acredita.

Por esse pacto, as forças políticas e institucionais precisariam estar de acordo que a melhor saída para todos seria a garantia de que haverá eleição em 2018. “Numa crise assim, só com todo mundo cedendo é possível fazer alguma coisa. Todo mundo concordaria que é melhor garantir eleição, seja quem for o eleito? Soltar o Lula, por exemplo, para que ele dispute e as coisas não piorem ainda mais?“, pondera Cândido Grzybowski.

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2018/05/2018crise-mostra-que-neoliberalismo-nao-serve-para-pessoas-mas-para-negocios2019

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