“O desprezo à cadeia do leite”

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Quem paga o preço, que, aliás, é muito alto, por este descaso com setor produtivo do leite é o consumidor e, até mesmo, o tesouro estadual.

A pouca dedicação das autoridades com a cadeia do leite está fazendo com que Mato Grosso do Sul perca investimentos, empregos e renda para outras unidades da federação. As propriedades rurais do Estado, que já se destacam na pecuária de corte, tinham tudo para também ocupar um bom espaço na produção leiteira, sobretudo nos pequenos lotes, onde os ganhos poderiam ser elevados, se eles contassem com uma infraestrutura mínima para escoar sua produção.

Não é esta, porém, a realidade em Mato Grosso do Sul. Reportagem publicada na edição de ontem revela que nos últimos anos, 25% dos laticínios fecharam as portas. Este percentual equivale a nada menos que 20 unidades, sendo que uma delas é de alta capacidade de processamento: a planta da Lactalis do Brasil, em Terenos.

Somente este laticínio localizado no município vizinho a Campo Grande chegou a gerar 200 empregos diretos, e uma boa renda aos pequenos e médios produtores de leite. Agora, parte desta produção tem de ser deslocada para municípios distantes, como, por exemplo, Glória de Dourados, no sul do Estado, e uma outra parte, simplesmente, tem chance muito grande de deixar de existir, por causa da falta de demanda.

Esta falta de unidades compradoras de leite, diga-se de passagem, decorre de outra ausência: a de estrutura adequada. Em Mato Grosso do Sul, produzir leite de forma contínua e profissional é um dos maiores desafios para quem tem uma propriedade rural.

Em primeiro lugar, porque não existe um planejamento estruturado para o escoamento da produção. Características que poderiam melhorar a cadeia produtiva do leite, como a distribuição adequada das unidades coletoras e incentivos para que a produção não caia consideravelmente no inverno são desprezadas.

Diretamente ligada à falta de estrutura para o produtor está a quase inexistente extensão rural. Municípios e a Agraer, órgão estadual responsável pelo apoio ao pequeno proprietário, fazem muito pouco para que a produção de leite tenha mais qualidade e gere mais renda aos produtores, agroindustriais e comerciantes.

Quem paga o preço, que aliás é muito alto, por este descaso é o consumidor e, indiretamente, o tesouro estadual. Mesmo morando em um estado cuja agropecuária é a grande geradora de emprego e renda, o cidadão de Mato Grosso do Sul paga um preço mais alto pelo leite e seus derivados que consumidores de estados vizinhos.
O governo do Estado perde na arrecadação de impostos. A mesma reportagem publicada ontem informa que 15,5% da produção de leite de Mato Grosso do Sul é levada in natura para outros estados. Se fosse industrializado em nosso território, geraria empregos, tributos e renda por aqui.

É necessário que prefeitos, governo do Estado, e mesmo órgãos federais que atuam em assentamentos, preocupem-se mais com a cadeia produtiva do leite. Além de proporcionar ganhos significativos à economia local, é um investimento que custa pouco, quando comparado a incentivos oferecidos a outros setores.

https://www.correiodoestado.com.br/opiniao/editorial-desta-terca-feira-o-desprezo-a-cadeia-do-leite/316798/

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