Dólar em alta, exportadores bem na foto

Dólar em alta, exportadores bem na foto

RIO – Sob pesada artilharia do Banco Central (BC) e medidas do Ministério da Fazenda, o dólar comercial avançou mais de 12% desde o fim de fevereiro – fechou cotado a R$ 1,87 na última sexta-feira – e acionou o radar dos investidores. Com a moeda próxima de R$ 1,90, exportadores brasileiros como Vale, BRF-Brasil Foods, Embraer e Cosan podem ter seus resultados turbinados no segundo trimestre (abril, maio e junho). Essa mesma lógica se aplica í s empresas que sofreram com a pesada concorríªncia de produtos importados, principalmente da China, como Usiminas e Alpargatas.

Segundo José Costa Gonçalves, analista da corretora Máxima, os efeitos de um cí¢mbio valorizado serão percebidos nas ações das empresas ao longo dos próximos meses, í  medida que as empresas colherem melhores resultados operacionais.

– Não estamos vendo ainda essa valorização das ações motivada pelo alta do dólar. í‰ algo muito recente. Mas, se a cotação se mantiver nesses patamares e as empresas conseguirem tirar frutos disso, após terem feito tanta choradeira para o governo, as ações vão ser favorecidas – avalia Gonçalves.

Uma das empresas mais recomendadas por analistas em abril, a Vale foi apontada também como uma das principais beneficiadas pelo avanço do cí¢mbio. Segundo Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, a empresa tem 55% das despesas de vendas em reais e 85% das receitas em dólares.

– Mesmo ela tendo dí­vidas em moeda estrangeira, que acabam crescendo em reais, a empresa tem um faturamento grande em dólares e acaba sendo muito beneficiada – diz Galdi.

Gustavo Mendonça, analista da Oren Investimentos, lembra que, além da valorização do cí¢mbio, os investidores devem ficar atentos a outro componente importante na receita dos exportadores: a cotação de seus produtos no mercado internacional. Ele explica que uma queda no preço das commodities poderia anular os benefí­cios do avanço da moeda americana.

– Estamos vendo uma mudança no modelo de crescimento da China, uma grande importadora de commodities. Em vez de construir cada vez mais casas e pontes, por exemplo, o paí­s está incentivando o consumo. Isso significa menor demanda no futuro por aço e minério de ferro – explica o analista da Oren.

O preço do minério de ferro no mercado í  vista da China, por exemplo, apresentou uma recuperação de 26,95% entre o fim de outubro de 2011 até a última sexta-feira, para US$ 148,4 a tonelada. O produto segue, porém, abaixo da máxima registrada em março do ano passado, quando chegou a ser negociado a US$ 191,90 a tonelada.

Hersz Ferman, gestor da Yield Capital, acrescenta que a alta do cí¢mbio pode atrair mais investidores estrangeiros para o mercado. Com o dólar perto de R$ 1,90, os papéis das empresas brasileiras ficam mais baratos para os estrangeiros. Prova disso é a diferença das perdas do índice Bovespa (Ibovespa) em reais e dólares nos últimos 12 meses: 6,81% e 21,52%, respectivamente. Ou seja, a Bolsa tem um desconto maior para quem tem dólares na mão para investir.

– O cí¢mbio é super importante para a Bolsa. Se o real desvaloriza, fica mais barato para os investidores estrangeiros comprar ações – explica Ferman.

Os rumos da moeda seguem uma incógnita. Na semana passada, bancos comerciais e de investimentos lançaram suas perspectivas atualizadas para o cí¢mbio. Nenhum aposta no atual patamar do dólar: HSBC (R$ 1,80), JPMorgan (R$ 1,80), Credit Suisse (R$ 1,77), Citigroup (R$ 1,80), Credit Agricole (R$ 1,80) e UBS (R$ 1,70).

Para Alfredo Barbutti, economista da BGC Liquidez, as atuações do Banco Central indicaram que o governo deseja ver a moeda oscilar numa faixa de R$ 1,85 a R$ 1,90 daqui para frente.

– Esse seria o patamar desejado para o cí¢mbio e faria parte de uma polí­tica mais ampla de apoio do governo í s indústrias. Mas não sabemos ao certo a que ponto esse polí­tica vai levar a moeda – explica o economista-chefe.

Mas nem todas as empresas são beneficiadas pela alta do cí¢mbio. No ano passado, a disparada da moeda impí´s pesados prejuí­zos para as companhias aéreas TAM e Gol, por exemplo. São empresas com parte de suas despesas atrelada í  moeda americana: leasings de aeronaves e a compra de querosene de aviação. Empresas de outros setores também sofreram porque tíªm parte de suas dí­vidas em moeda estrangeira.

– O setor de companhias aéreas tem sofrido principalmente com o preço de combustí­veis. Tanto que chegaram a circular informações que essas empresas poderiam ser ajudadas pelo governo – lembra Pedro Quaresma, sócio e diretor de análise da STK Capital.

Para Quaresma, uma das empresas que pode se destacar das demais com a alta do cí¢mbio é a Multiplus, empresa de milhagens da TAM listada na Bolsa de Valores. Ele explica que a companhia tem parte importante da receita em dólares, fruto da troca das milhas por passagens nas empresas aéreas.

Toda reclamação originada das informações contidas no site de eDairy News será submetida à jurisdição dos Tribunais Ordinários do Primeiro Distrito Judicial da Província de Córdoba, República Argentina, sediado na Cidade de Córdoba, com exclusão de qualquer outro local, incluso o Federal.

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