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Brasil |20 diciembre, 2017

Indústria | Irrigar pastagem está mais fácil e barato

Um sistema de irrigação de pastagens mais prático, econômico e menos exigente em mão de obra tem despertado cada vez mais o interesse dos produtores de leite.

Um sistema de irrigação de pastagens mais prático, econômico e menos exigente em mão de obra

Um sistema de irrigação de pastagens mais prático, econômico e menos exigente em mão de obra tem despertado cada vez mais o interesse dos produtores de leite. É a aspersão automatizada, tecnologia que permite irrigar os piquetes de modo bastante simples, com o acionamento da irrigação por meio de um comando elétrico.

O sistema dispensa a troca sucessiva de aspersores para irrigar módulos ou setores e o abre e fecha de registros nos piquetes, presente nos modelos mais comuns de irrigação fixa, que tanto consomem as horas – e a paciência – de funcionários e produtores. Além disso, a automação possibilita aproveitar a “tarifa verde”, programando a irrigação para quando o valor da energia é mais baixo (até 70%) – das 21h30 às 6h – com a comodidade de que não é preciso destacar um funcionário para a função fora de seu expediente de trabalho.

A irrigação automatizada é controlada por meio de um painel digital, instalado próximo ao conjunto de moto- -bomba, interligado por microtubos a um sistema de válvulas situado nos piquetes. Basta ao produtor ir até o painel de controle e programar os módulos a serem irrigados. Ao ligar o conjunto, a água bombeada passa pelo encanamento até chegar aos aspersores. Nos setores onde a irrigação não está programada, o comando elétrico do sistema automatizado aciona a entrada de água nos microtubos – enterrados no solo junto ao cano de abastecimento – que infla a válvula e provoca seu fechamento, impedindo a aspersão.

“É um sistema eficiente e muito fácil de ser operado”, afirma o consultor João Rosseto Ribeiro Júnior, da Agro Dinâmica, de Cerqueira César, SP, e instrutor do Programa Balde Cheio, da Embrapa. Além de garantir maior precisão na periodicidade da irrigação, o que nem sempre é conseguido em sistemas não automatizados, por acúmulo de tarefas na propriedade ou simplesmente falha humana, o sistema tem a vantagem de programar tempos de rega diferentes num mesmo setor, de acordo com a necessidade. Júnior, como é conhecido o consultor, explica que é comum em relevos mais ondulados um ou outro piquete do módulo de pastejo estar situado numa área mais íngreme do terreno, onde a vazão dos aspersores é menor, o que obriga a irrigar por mais tempo. “Essa tecnologia permite o ajuste fino da irrigação”, diz.

A aspersão automatizada pode ser considerada uma evolução do antigo sistema de irrigação em malha e um aperfeiçoamento da irrigação setorizada. Bastante conhecido, o sistema de malha foi desenvolvido fundamentalmente para irrigação de pastagens. Em razão do baixo custo de instalação, caiu como uma luva na pecuária leiteira, em especial para os pequenos produtores. O sistema popularizou o uso da irrigação, mas está em desuso nos dias de hoje. Composto por um conjunto de tubulações – rede principal, linhas laterais e de derivação – forma uma “malha”, enterrada no solo. A única parte que permanece exposta é o aspersor com o tubo de subida. De modo geral, trabalha- se com apenas um aspersor por malha, que deve ser removido e realocado de ponto em ponto (veja foto), toda vez que se deseja “avançar” com a irrigação no piquete.

Não é difícil supor que a tarefa se torne mais trabalhosa quanto maior for a área a ser irrigada. “É um sistema muito dependente de mão de obra”, afirma Júnior. Nos últimos anos, o sistema até ficou mais prático. O encaixe do tubo de subida, que nos modelos mais antigos é feito na base do “enrosca e desenrosca”, ganhou uma versão mais moderna com a adoção do “engate rápido valvulado”, que facilita a troca.

O processo ganhou em agilidade, mas ainda assim exige muito de quem o opera. Além disso, é preciso levar em conta algumas particularidades, que não costumam entrar nas planilhas de análise, mas nem por isso são menos importantes. “Muitas vezes o funcionário entra no piquete para fazer a troca de aspersores com o capim na altura da cintura, e sai todo molhado. É muito desconfortável, ainda mais de manhã cedo”, afirma o consultor.

Até pouco tempo atrás, o funcionário Ricardo Puglerino, responsável pelo setor de pastagens e irrigação da Fazenda Boa Esperança, no município de Bernardino de Campos, região centro- -oeste paulista (a 355 km de São Paulo), conhecia bem a rotina diária de troca de aspersores nos piquetes. A propriedade tem 390 vacas em lactação e produz 13.500 litros/dia (média de 34,6 litros/ vaca) em sistema de compost barn, mas faz a recria das novilhas nos piquetes irrigados. São oito hectares de capim mombaça (28 piquetes), onde estavam instaladas 19 malhas.

Cada malha detinha seis pontos de irrigação, sendo um aspersor por malha. Todos os dias Puglerino percorria os piquetes para trocar os aspersores – um em cada malha por dia – até completar a irrigação na gleba (seis dias). “Eu ficava praticamente morando aqui dentro”, diz ele.

A partir deste ano a fazenda decidiu trocar a irrigação em malha fixa pela aspersão automatizada. No dia em que a reportagem de Mundo do Leite visitou a propriedade, na primeira semana de novembro, o novo sistema estava montado, pronto para entrar em funcionamento. A tubulação do modelo anterior foi aproveitada, o que barateou o custo de instalação da aspersão automatizada.

A irrigação precisou ser redimensionada, de acordo com a nova configuração de aspersores. O número de setores passou de 19 para 11. A proposta é irrigar três setores por dia – dez aspersores por setor – finalizando a tarefa em quatro dias. “Vai ficar bem mais fácil para irrigar”, diz Puglerino, mais aliviado. O consultor Júnior chama a atenção para a importância de o produtor buscar assistência técnica antes de promover qualquer mudança em seu sistema de irrigação. “Não basta comprar um kit novo de irrigação. É preciso adequar o projeto inicial, planejar novamente os setores de irrigação e refazer os cálculos hidráulicos.”

A adoção da aspersão automatizada se encaixou muito bem na propriedade. A fazenda produz, chorume diariamente. Esse volume, depois de passar por um separador, que retém a parte sólida, é destinado a duas lagoas de dejeto, com capacidade para 3.000 m3 litros cada uma. De lá é bombeado para as pastagens, no que se convencionou chamar de fertirrigação.

A estratégia tem se mostrado bastante vantajosa financeiramente. Há um ano a fazenda não compra adubação química para jogar nos piquetes. Na ponta do lápis, a medida representa uma economia de R$ 2.100/ha/ano, considerando a quantidade de 1.500 kg de ureia/ha a um custo de R$ 1.400/tonelada.

O sistema utilizado para fertirrigação é independente, mas se relaciona intimamente com a aspersão automatizada por um motivo de fundamental importância, mas não raro negligenciado. É preciso acionar a irrigação tão logo o chorume seja distribuído na pastagem. Do contrário, as partículas orgânicas em suspensão, presentes no líquido mesmo após a separação da parte sólida, secam e entopem os bicos de aspersão, prejudicando a irrigação subsequente. “Muitas vezes o produtor faz a fertirrigação, mas se esquece de limpar o sistema ou não tem tempo porque está ocupado com outra tarefa. Num sistema automatizado, a grande vantagem é que esse procedimento pode ser programado”, afirma o consultor.

A despeito das vantagens proporcionadas pela aspersão automatizada, será que o modelo é recomendado para qualquer propriedade? Para o professor Adilson Aguiar, professor da Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), a resposta depende do tamanho da área que se deseja irrigar. “O sistema automatizado só trará economia de tempo e mão de obra numa escala de produção maior”, diz.

Para Aguiar, nas propriedades pequenas que dispõem de mão de obra familiar, a irrigação “setorizada” é uma excelente opção. O sistema é bastante semelhante ao automatizado, com aspersores dispostos em cada ponto da irrigação. A diferença é que precisa ser ligado toda vez que se deseja irrigar um módulo. Na opinião do consultor, a ausência da automação não chega a ser um problema. “Se o sistema for ligado no tempo correto, a eficiência da irrigação será a mesma, independentemente do sistema escolhido.”

Outro aspecto que Aguiar faz questão de ressaltar é que não será o sistema de irrigação em si que trará aumento na produção de forragem e, consequentemente, de leite, partindo da premissa de que todas as demais variáveis sejam iguais (planta forrageira, suplementação, rebanho, etc).

José Rosseto Júnior complementa o raciocínio lembrando que a produção de leite a pasto depende, em primeiro lugar, da oferta de comida. “Só depois o produtor deve pensar em instalar um sistema de irrigação para sua pastagem”, afirma. Para o consultor, irrigar um pasto ruim equivale a abastecer um carro de pneu furado com gasolina aditivada. “O mais importante é ter uma pastagem de boa qualidade. Irrigação é complemento.”

Vale a pena, afinal?

A resposta para essa pergunta parece óbvia, mas é preciso resistir à tentação de um “sim” imediato. Afinal de contas, são inúmeras – e tentadoras – as vantagens da irrigação, como estender a produção de forragem nos meses em que temperatura e luminosidade ainda são favoráveis ao crescimento das gramíneas, minimizar os efeitos deletérios de um veranico, além da possibilidade de semear uma pastagem de inverno com altos teores de proteína. No entanto, há uma série de questionamentos em que o produtor deve se debruçar antes de decidir se vale ou não a pena irrigar. Para o professor Adilson Aguiar, a primeira e a mais importante medida a ser tomada é a contratação de uma consultoria especializada na área de pastagens irrigadas.

Caberá a ela levantar as condições climáticas da região onde a propriedade se localiza (índice pluviométrico, evapotranspiração real e potencial, balanço hídrico, temperatura média, etc), estudar os solos da região (profundidade, fertilidade, capacidade de retenção de água), medir as vazões dos cursos de água da propriedade (córregos, rios, represas) no final da seca.

Juntamente com esses estudos técnicos será preciso consultar nos órgãos estaduais ou federais de gestão de recursos hídricos se há outorga para uso da água naqueles cursos de água que passam pela propriedade, saber se a energia é monofásica ou trifásica, definir o sistema de irrigação, buscar linhas de financiamento.

Com todas essas informações e dados em mãos, a consultoria elabora um diagnóstico e um projeto técnico e econômico da viabilidade da irrigação de pastagens naquela propriedade. “Pode parecer complexo, e é mesmo. No entanto, quanto mais tempo for dedicado à fase de planejamento, mais eficaz será a execução do projeto e a probabilidade de cometer erros e perder dinheiro será significativamente menor”, diz Aguiar.

De acordo com o professor, o investimento em um sistema de irrigação varia de acordo com o sistema em si, a distância para levar a água até o ponto onde a irrigação será feita, se vai precisar instalar um sistema de energia trifásica ou não. Atualmente o valor tem ficado entre R$ 6.000 e R$ 10.000 por hectare. De acordo com Aguiar, se o projeto for bem executado, é possível o produtor obter retorno a partir do segundo ou terceiro ano após o início do seu funcionamento.

Matéria originalmente publicada na edição 82 da Revista Mundo do Leite

Fonte: Revista Mundo do Leite

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