ÔĽŅ #Leite: Voca√ß√£o para colher sempre mais

#Leite: Vocação para colher sempre mais

A agropecu√°ria leiteira √© uma das atividades que mais t√™m contribu√≠do para gera√ß√£o de renda a um grande n√ļmero de produtores.¬†

 

A tecnologia é a aposta do sul do país para fazer o agronegócio crescer mesmo com a tendência de esgotamento das áreas agricultáveis

Por Robson Pandolfi

Nos primeiros dias de 2014, o Minist√©rio do Desenvolvimento, Ind√ļstria e Com√©rcio Exterior (MDIC) anunciou duas not√≠cias: uma boa, outra m√°. A boa era que, tal como nos tr√™s anos anteriores, a balan√ßa comercial brasileira havia fechado com saldo positivo de novo. A m√°: o super√°vit havia sido de apenas US$ 2,5 bilh√Ķes, o mais baixo desde o ano 2000. A marcha lenta da economia internacional e o aumento nas importa√ß√Ķes de petr√≥leo estavam entre as justificativas para o fraco desempenho do com√©rcio exterior brasileiro. Os n√ļmeros s√≥ n√£o haviam sido piores por causa de um fator espec√≠fico: a safra recorde de gr√£os. Ao todo, o agroneg√≥cio respondeu por 41,2% de tudo que o Brasil exportou em 2013.

E n√£o h√° nada de surpreendente nisso. H√° d√©cadas, o setor funciona como o principal d√≠namo da economia brasileira ‚Äď e da regi√£o sul em particular. Juntos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran√° colheram 72 milh√Ķes de toneladas de gr√£os na safra mais recente (2013/2014). Trata-se de 37,2% de tudo que foi semeado no Brasil, no per√≠odo, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). N√£o por acaso, os Estados do sul sempre despontam no ranking dos maiores exportadores do pa√≠s. O Rio Grande do Sul, por exemplo, registrou embarques de US$ 25 bilh√Ķes em 2013 ‚Äď e 16,8% desse total envolveu exclusivamente cargas de soja. No Paran√°, quase metade das exporta√ß√Ķes s√£o compostas por produtos prim√°rios. Os bons resultados se explicam n√£o s√≥ pela antiga voca√ß√£o agr√≠cola e pelo solo f√©rtil. Tamb√©m se devem √† ado√ß√£o de novas tecnologias de produ√ß√£o e ao desenvolvimento de sementes mais resistentes, produtivas e de plantio mais precoce. A regi√£o sul j√° n√£o tem terras dispon√≠veis para aumentar a √°rea cultivada em larga escala. Mas talvez nem seja preciso.

Dez anos atr√°s, o sul colheu aproximadamente 50 milh√Ķes de toneladas de gr√£os. De l√° para c√°, a safra da regi√£o cresceu 44%. J√° a √°rea plantada aumentou apenas 10%. Basicamente, os produtores do sul est√£o colhendo mais gr√£os em cada hectare plantado. ‚ÄúEles est√£o verticalizando a produ√ß√£o. A cada nova safra, eles se capitalizam e podem aderir √†s novas tecnologias que v√£o surgindo‚ÄĚ, diz D√©cio Teixeira, presidente da Associa√ß√£o dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS). E o processo est√° longe de ter um fim. Cada vez mais, os produtores do sul buscam novas formas de ampliar a colheita. O pr√≥ximo passo, segundo Teixeira, ser√° a ado√ß√£o de variedades de sementes adaptadas a solos √ļmidos, as chamadas √°reas de v√°rzea, onde hoje √© plantado o arroz. ‚ÄúVai ser uma grande revolu√ß√£o‚ÄĚ, projeta o presidente da Aprosoja-RS. ‚ÄúOs produtores v√£o continuar plantando arroz, mas haver√° uma sobra de mais de 2 milh√Ķes de hectares nessas √°reas. Ent√£o, poderemos usar sementes adaptadas para ampliar a fronteira da soja.‚ÄĚ

Suínos e frangos à frente

A for√ßa do sul se manifesta n√£o s√≥ na colheita de gr√£os, mas tamb√©m na produ√ß√£o de carnes. O Paran√°, por exemplo, projeta-se como o maior produtor de carne de frango do pa√≠s. J√° Santa Catarina lidera a produ√ß√£o de carne su√≠na ‚Äď n√£o por acaso, √© o Estado de origem de algumas das principais ind√ļstrias de prote√≠na animal do pa√≠s, como a Sadia (hoje BRF) e a Seara Alimentos (atual JBS Foods). S√≥ em 2013, os catarinenses produziram mais de 850 mil toneladas de carne su√≠na. O Rio Grande do Sul vem logo atr√°s, com 722 mil toneladas, seguido pelo Paran√°, com 628 mil toneladas. ‚ÄúO sul √© uma grande refer√™ncia em suinocultura. Conseguimos desenvolver uma atividade altamente planejada e industrializada e, ainda assim, sustent√°vel‚ÄĚ, destaca Francisco Turra, presidente executivo da Associa√ß√£o Brasileira de Prote√≠na Animal (ABPA), entidade criada em mar√ßo para substituir a Associa√ß√£o Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Ubabef) e a Associa√ß√£o Brasileira da Ind√ļstria Produtora e Exportadora de Carne Su√≠na (Abipecs).

Somados, os tr√™s Estados representam mais de 70% de toda a produ√ß√£o de prote√≠na animal registrada no Brasil. E o impacto dessa produ√ß√£o vai muito al√©m das fronteiras do agroneg√≥cio. Segundo Turra, as cidades que lideram a produ√ß√£o de su√≠nos e aves t√™m um PIB at√© tr√™s vezes maior do que as que n√£o desenvolvem esse tipo de atividade. O n√ļmero de empregos formais chega a ser duas vezes maior. At√© mesmo a distribui√ß√£o de renda √© melhor. ‚ÄúS√£o poucos os grandes produtores de aves ou su√≠nos. A maioria se concentra em pequenas propriedades‚ÄĚ, analisa o presidente Turra. ‚ÄúEm um hectare, um avi√°rio pode produzir at√© 16 toneladas de carne de frango a cada 42 dias. Na atividade agropecu√°ria, muitas vezes, temos um boi pastando por hectare.‚ÄĚ O processo que tornou o sul o maior produtor de aves do Brasil come√ßou cinco d√©cadas atr√°s, com a profissionaliza√ß√£o da produ√ß√£o de frangos. Em Santa Catarina, esse processo resultou em um modelo de produ√ß√£o integrada. Os produtores se encarregam de fazer a engorda das aves, enquanto as grandes ind√ļstrias fazem o resto ‚Äď do abate √† comercializa√ß√£o.

O cen√°rio que impulsionou a economia agr√≠cola nessas regi√Ķes, no entanto, est√° dando seus primeiros sinais de esgotamento. Para Turra, da ABPA, a log√≠stica complicada, a excessiva e onerosa depend√™ncia do milho produzido em outras regi√Ķes e a evolu√ß√£o da infraestrutura no centro-oeste deflagraram a migra√ß√£o da produ√ß√£o para outros Estados. ‚ÄúCom a grande produ√ß√£o de soja e milho, os Estados do centro-oeste v√™m ganhando uma fatia importante do mercado, que est√° se ampliando ano ap√≥s ano‚ÄĚ, diz ele.

Mesmo assim, o setor continua a ter uma grande import√Ęncia na regi√£o sul. ‚ÄúH√° uma predomin√Ęncia de pequenos munic√≠pios entre as cidades do sul. E a maioria deles depende muito da vitalidade do meio rural‚ÄĚ, analisa o economista Alfredo Meneghetti Neto, professor da PUCRS. Ele lembra que, em muitos desses munic√≠pios, a economia d√° verdadeiros saltos nos per√≠odos de colheita. ‚ÄúLogo, h√° uma maior arrecada√ß√£o, o que se converte em uma maior participa√ß√£o na distribui√ß√£o do ICMS‚ÄĚ, aponta. No Paran√°, por exemplo, o volume de ICMS distribu√≠do aos 399 munic√≠pios foi 13,7% maior do que o do ano passado ‚Äď justamente por causa do agroneg√≥cio.

Mais tecnologia no leite

A agropecu√°ria leiteira √© uma das atividades que mais t√™m contribu√≠do para gera√ß√£o de renda a um grande n√ļmero de produtores. Ou melhor: de pequenos produtores ‚Äď j√° que, na m√©dia, as propriedades leiteiras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina t√™m apenas 26 hectares. ‚ÄúA maioria dos munic√≠pios ga√ļchos depende em grande medida da produ√ß√£o de leite. Ela circula no mercado como um todo e se reflete nas lojas, oficinas e supermercados‚ÄĚ, analisa Jorge Rodrigues, presidente da Comiss√£o do Leite da Federa√ß√£o da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Por muito tempo, a atividade sofreu com o baixo n√≠vel de profissionaliza√ß√£o. Mas, para Rodrigues, esse cen√°rio est√° mudando. ‚ÄúHoje, o grande diferencial da produ√ß√£o de leite est√° justamente no profissionalismo, na capacidade de se estabelecer uma escala regular de produ√ß√£o, com estocagem de alimento e silagem de milho e sorgo‚ÄĚ, diz. Algumas propriedades, acrescenta ele, ainda continuam com defici√™ncias. Mas, na compara√ß√£o com o total produzido, representam um volume muito baixo.

O Paran√°, maior produtor entre os Estados do sul, conta com algumas bacias leiteiras bastante modernas, como nas regi√Ķes de Castro e Carambe√≠. Com tecnologia e boa gen√©tica, esses dois polos conseguiram aumentar o volume de produ√ß√£o por vaca. Tanto √© que as 120 mil propriedades produtoras de leite do Paran√° geraram 3,9 bilh√Ķes de litros somente em 2013. O Rio Grande do Sul, com 220 mil propriedades, quase o dobro dos paranaenses, tem uma produ√ß√£o de 3,8 bilh√Ķes de litros/ano. Santa Catarina vem em terceiro lugar, com 2,5 bilh√Ķes de litros em 85 mil propriedades.

O futuro da madeira

Os neg√≥cios ligados √† madeira vivem um momento de transforma√ß√£o no sul do pa√≠s. Com a evolu√ß√£o da gen√©tica, o setor conseguiu desenvolver esp√©cies mais produtivas e mais adaptadas ao clima da regi√£o. A Embrapa, por exemplo, j√° trabalha no desenvolvimento de um eucalipto tolerante √† geada. Mas a verdadeira revolu√ß√£o n√£o est√° ocorrendo nas madeiras destinadas a m√≥veis ou √† constru√ß√£o, e sim no setor energ√©tico. O aumento do consumo de energia no pa√≠s levou o governo a autorizar medidas pol√™micas, como a abertura de novas usinas termoel√©tricas ‚Äď a base de carv√£o. Por isso, o setor madeireiro vislumbrou a possibilidade de uma produ√ß√£o mais sustent√°vel, por meio da biomassa.

A biomassa j√° √© utilizada pelas ind√ļstrias de base florestal em atividades como a alimenta√ß√£o de caldeiras e na gera√ß√£o de vapor e energia. A produ√ß√£o √© tamanha que algumas empresas j√° vendem energia excedente para concession√°rias. ‚ÄúO setor florestal est√° vendo com bons olhos essa oportunidade‚ÄĚ, afirma Carlos Mendes, diretor executivo da Associa√ß√£o Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre). Isso traz uma vantagem para as cidades pr√≥ximas das regi√Ķes de fronteira, onde a energia tende a ser mais cara. ‚ÄúNessas localidades, √© poss√≠vel ter empreendimentos florestais que produzam energia para cobrir as lacunas do sistema tradicional.‚ÄĚ

Outra novidade s√£o os pellets, como s√£o conhecidos os pequenos gr√£os feitos de res√≠duos de madeira usados na gera√ß√£o de energia. Fonte de biomassa, os pellets s√£o provenientes dos desperd√≠cios da ind√ļstria madeireira. Ou seja: utiliz√°-los, tamb√©m √© uma forma de reciclagem. Al√©m disso, eles n√£o geram fuma√ßa e emitem menos di√≥xido de carbono na atmosfera. ‚ÄúOs pellets t√™m utiliza√ß√£o urbana, tanto residencial quanto em estabelecimentos comerciais ‚Äď como pizzarias, restaurantes, churrascarias ‚Äď e na ind√ļstria aliment√≠cia como um todo‚ÄĚ, diz Mendes. Essas e outras iniciativas mostram que o agroneg√≥cio tem um alto poder de renova√ß√£o no sul do pa√≠s.

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