ÔĽŅ Perda na produ√ß√£o do leite pode ser de 60% at√© dezembro

Perda na produção do leite pode ser de 60% até dezembro

A estiagem que j√° deixa 139 munic√≠¬≠pios do sert√£o potiguar em estado de emerg√≠¬™ncia e a alta de pre√ßos nos insumos e servi√ßos necess√°rios √≠¬† manuten√ß√£o do rebanho bovino, j√° provocaram uma redu√ß√£o de 40% na produ√ß√£o da bacia leiteira do Estado, segundo proje√ß√£o da Federa√ß√£o da Agricultura e da Pecu√°ria do Rio Grande do Norte. Por dia, s√£o 251,8 mil litros de leite a menos. Isso, considerando a produ√ß√£o de 2010, apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠¬≠sticas (IBGE), da ordem de 229,4 milh√Ķes de litros/ano.

O setor j√° vem de uma queda no n√ļmero de vacas ordenhadas da ordem de 3,78% entre 2009 e 2010, segundo estudo da Federa√ß√£o da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern). Uma redu√ß√£o que fez com o setor produzisse 6,49 milh√Ķes de litros de leite a menos, nesse per√≠¬≠odo. Em 2009, os produtores colocaram √≠¬† venda 235,9 milh√Ķes de litros de leite de gado, contra os 229,4 milh√Ķes em 2010.

Nos onze munic√≠¬≠pios percorridos pela equipe da Tribuna do Norte a atividade leiteira sofreu um baque. Nos √ļltimos trinta dias, o processamento di√°rio de leite na Cooperativa de Eletrifica√ß√£o e Desenvolvimento Rural do Serid√≥ (Cercel), com sede em Currais Novos, caiu de 22 mil litros para 16 mil litros. S√£o seis mil litros de leite a menos na produ√ß√£o, segundo o secret√°rio da Cercel, Mariano Coelho.

Os 4.800 associados da Cercel – produtores do Serid√≥ Oriental, segundo Mariano, j√° est√£o produzindo 40% a menos, n√ļmeros que batem com a proje√ß√£o da Faern. Mariano estima que, se essa queda se mantiver, a produ√ß√£o de leite pasteurizado e derivados pode ter uma redu√ß√£o de at√© 60%, at√© o final do ano. A Cercel tem hoje 70 funcion√°rios, cinco a menos do que tinha no in√≠¬≠cio do ano.

Segundo Mariano a produ√ß√£o do leite de cabra foi ainda maior: da ordem de 60%, em compensa√ß√£o o valor de venda √© maior. Os produtores est√£o comercializando o leite de cabra a R$ 1,50. O pre√ßo de mercado do leite in natura de gado √© de R$ 1,00, em m√©dia. “O impacto da estiagem”, disse ele, “√© grande. J√° demitimos alguns empregados e, se n√£o vierem medidas urgentes vamos enxugar mais ainda”.

As dificuldades são iguais para todos no sertão potiguar. Em São José do Seridó, o agropecuarista Fernando Marinho amarga um prejuí­zo mensal de R$ 13 mil para manter o rebanho leiteiro e continuar produzindo leite e derivados. Na comunidade de Morrinhos, Fernando mantém, há dez anos, a usina da Laticí­nios Caicó Ltda (Lacol), onde produz leite pasteurizado, queijos e bebidas lácteas. A dificuldade está, segundo ele, na falta de recursos para custeio e investimento.

“Este ano, estamos sem dire√ß√£o, porque est√°vamos esperando uma coisa e veio outra”, afirmou o agropecuarista. Ele refere-se √≠¬† esta√ß√£o chuvosa. Todas as previs√Ķes feitas, em par√≠¬Ęmetros de grande escala, no in√≠¬≠cio deste ano, pelos institutos de meteorologia, apontavam para um inverno de normal a acima do normal. “Ningu√©m estava esperando uma seca tremenda dessas e, por isso”, disse ele, “ningu√©m se preparou”.

Ele mesmo soltou o gado, no in√≠¬≠cio de fevereiro, dentro dos a√ßudes. Resultado, o pasto acabou. Nos √ļltimos meses, Marinho teve que abrir os cinco silos de 300 toneladas e um de 500 toneladas, onde armazenava capim elefante e sorgo. “Em fevereiro, acabou tudo”, informou Marinho. Ele cria 600 cabe√ßas, das quais 150 de vacas leiteiras. Devido √≠¬† estiagem, j√° se desfez de 80 reses, vendidas para o abate para gerar recurso para manter, principalmente o rebanho leiteiro. As adversidades que minguam a produ√ß√£o j√° resultou no enxugamento da for√ßa de trabalho. O n√ļmero de empregados caiu de 22 para 15, nos √ļltimos 60 dias.

Preço do leite perde valor com a estiagem

Nas terras do Seridó, berço da bacia leiteira do Estado, o valor de venda do litro de leite se desvaloriza com a estiagem. Agora em maio, para adquirir cada um dos itens necessários í  manutenção do gado o produtor precisa vender um volume de leite maior do que em março deste ano. A compra do concentrado (farelos de trigo, soja e algodão ou milho) exigia um investimento equivalente a 51,41 litros de leite. Hoje, o produtor gasta quase o dobro.

Uma pesquisa da Faern, que analisou um perí­odo mais longo [1995-2012] mostra a seguinte realidade: em julho de 1995 o produtor gastava 5515,75 litros de leite para comprar uma unidade de cada insumo e serviço necessário í  manutenção do gado. Em 2012, adquirir os mesmos itens exige um investimento equivalente a 1.663,77 litros de leite Рuma redução de 322,59% do poder de compra com o leite.

Nos √ļltimos 17 anos, o valor dos insumos e servi√ßos elevou-se quase quatro vezes mais (397,9%) que o pre√ßo do leite. Levando em conta um per√≠¬≠odo mais recente (fevereiro/2008 a mar√ßo/2012), observa-se que, enquanto os custos dos insumos cresceram em 37,76%, o pre√ßo do leite atingiu, em m√©dia, 21,21% – cerca de 78% dos custos.

Segundo os produtores, a bovinocultura come√ßou a declinar h√° dois anos, com a seca de 2010. Mesmo o inverno rigoroso de 2011 n√£o deu um novo f√≠¬īlego ao setor. Somados √≠¬†s intemp√©ries do clima, os atrasos no repasse dos recursos do Programa do Leite, que come√ßaram no fim do governo anterior e persistiram at√© mar√ßo deste ano, deixaram a bacia leiteira potiguar sem capital de giro. Os pagamentos s√≥ foram regularizados pelo governo no in√≠¬≠cio de abril.

Em alguns municí­pios, os efeitos da desvalorização da bovinocultura leiteira foram devastadores. Há, pelo menos, tríªs anos a usina de leite da Cooperativa Agropecuária de São Tomé, que chegou a ter 1.200 associados, está desativada.

Os neg√≥cios come√ßaram a declinar entre 207 e 2008. Nessa √©poca, por problemas estruturais, a usina deixou de beneficiar e passou a apenas receber o leite. Na √©poca, j√° estava com um n√ļmero s√≥cios reduzido a 300 e somente 20 produziam leite, entregando 1.200 litros/dia, que eram beneficiados em Natal. A usina fechou entre o final de 2008 e in√≠¬≠cio de 2009. Hoje, os s√≥cios est√£o inadimplentes e sem condi√ß√Ķes de retomar os neg√≥cios.

Faern pede medidas a Governo

A estiagem, que vem reduzindo a produ√ß√£o leiteira, desenha um cen√°rio desanimador para os produtores de queijo. A tend√≠¬™ncia, segundo o agropecuarista Fernando Marinho √© de quebra das m√©dias e pequenas queijeiras do Serid√≥, se n√£o houver uma assist√≠¬™ncia aos produtos. N√£o bastasse a seca, o setor formal, segundo a queijeira Gertrudes Fernandes de Ara√ļjo, 66 anos, √© afetado pelo crescimento do mercado informal. Somente no Serid√≥, segundo levantamento da Faern, existem 314 queijeiras.

Muitas delas, vivendo no chamado com√©rcio paralelo. Com a estiagem, a produ√ß√£o foi afetada significativamente. Numa das mais tradicionais queijeiras de Caic√≥, a de Gertrudes, a produ√ß√£o j√° registra uma queda de 25%. “Infelizmente, n√≥s estamos repassando os custos, que vem aumentando ao cliente e as vendas, consequentemente, caem”, diz a filha de Gertrudes, Alana Kaline.

Nos diversos municí­pios do Seridó, as queijeiras chegam a pagar, devido í  baixa oferta de leite R$ 1,10 e R$ 1,50 por litro. Esse valor é R$ 0,67 centavos maior que o valor pago, por exemplo, pelo governo do Estado no Programa do Leite.

Na terra do leite, a produ√ß√£o artesanal est√° reduzida a metade. “Hoje, o dinheiro do queijo n√£o d√° pra comprar um saco de torta”, comentou a queijeira Erm√≠¬≠nia Maria da Costa, 43 anos. No s√≠¬≠tio, ela e o marido criam cinco cabe√ßas de gado, das quais duas vacas leiteiras.

A crise acentuada no campo, levou a Faern a entregar um documento ao governo. E listou algumas medidas fundamentais: o melhoramento da assistíªncia técnica; a disponibilização de crédito adequado e especí­fico para o incremento, além de máquinas e equipamentos; a regularidade no abastecimento de insumos básicos, como milho, sorgo, soja, algodão e trigo; e tributação diferenciada que estimule a produção.

Recursos precisam de definição

O governo federal, atrav√©s do Minist√©rio da Integra√ß√£o Nacional, autorizou o empenho e a transfer√≠¬™ncia de recursos da ordem de R$ 10 milh√Ķes para a√ß√Ķes de Defesa Civil no Rio Grande do Norte. Segundo o coordenador da Defesa Civil do Estado, tenente-coronel Josenildo Acioli, a aplica√ß√£o dos recursos ser√° definida pelo Comit√≠¬™ Integrado da Seca. O Comit√≠¬™ se re√ļne na segunda-feira, √≠¬†s 17h.

Acioli informou que o governo poder√° utilizar a verba na compra de rem√©dios; na amplia√ß√£o da oferta de √°gua pot√°vel; na contrata√ß√£o de mais caminh√Ķes para a opera√ß√£o-pipa; na compra de alimentos; e na manuten√ß√£o de po√ßos tubulares, entre outras a√ß√Ķes. De acordo com a portaria 279, o repasse do recurso ser√° feito em parcela √ļnica, com prazo de 365 dias, a partir da libera√ß√£o, para a execu√ß√£o das obras.

Acioli explicou que a aplica√ß√£o dos recursos ter√° por base o planejamento apresentado por cada secretaria de Estado ao Comit√≠¬™ Integrado da Seca. A expetativa do coordenador da Defesa Civil √© de que os recursos cheguem at√© a pr√≥xima semana, mas ele ressaltou que a portaria autoriza o empenho. “Ainda leva tempo at√© o dinheiro cair na conta do Estado”, avisou.

No decorrer da semana, o governo trabalhou em v√°rias frentes para garantir recursos federais para minimizar os efeitos da seca. Em Bras√≠¬≠lia, a governadora Rosalba Ciarlini teve audi√≠¬™ncia no Minist√©rio do Desenvolvimento Social para pedir que o governo federal dispense ao RN o mesmo tratamento dado aos outros estados, no subs√≠¬≠dio ao leite. O RN √© √ļnico a receber, da Uni√£o, apenas 20% dos custos do programa. Os demais Estados recebem 80%.

A amplia√ß√£o dessa participa√ß√£o federal permitir√°, segundo o governo, que o programa, que hoje atende 107 munic√≠¬≠pios, chegue a outros 50, o que representaria um aumento de 150 mil litros distribu√≠¬≠dos por dia, e dar√°, segundo a governadora, condi√ß√Ķes para aplicar um reajuste maior ao pre√ßo do leite.

Ontem, o Di√°rio Oficial da Estado trouxe o decreto 22.716, abrindo uma suplementa√ß√£o da ordem de R$ 5,634 milh√Ķes. Do total, R$ 1,299 milh√£o ser√£o destinados √≠¬† constru√ß√£o e instala√ß√£o de, pelo menos, 70 po√ßos tubulares, nas regi√Ķes de cristalino – serid√≥, central, m√©dio e alto oeste, segundo o secret√°rio estadual de Meio Ambiente e Recursos H√≠¬≠dricos. Gilberto Jales.

Al√©m disso, o Governo do Estado aguarda a libera√ß√£o de R$ 2,3 milh√Ķes para a restaura√ß√£o e consertos de 140 po√ßos tubulares nos 139 munic√≠¬≠pios em estado de emerg√≠¬™ncia. No caso dos po√ßos que apresentam √°gua salgada, o governo distribuir√° dessalinizadores. S√£o 40 munic√≠¬≠pios potiguares que receber√£o os equipamentos.
Fonte: Tribuna do Norte

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