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Sin categoría |21 septiembre, 2012

Leite | #Portalacteo:Cabrita nascida há 20 dias produz leite

Com cinco dias de nascida, uma cabrita já apresentava aumento das mamas e secreção de leite. com 20 dias, a…

Com cinco dias de nascida, uma cabrita já apresentava aumento das mamas e secreção de leite.

com 20 dias, a produção de leite está maior e o estado de saúde do animal é avaliado como normal. As mamas cheias de leite chegaram a ser confundidas pelo seu criador com um caroço.

Com apenas cinco dias de nascida, a cabrita da raça saanen já produzia leite. Agora, com 20 dias, a produção aumentou, o que obriga o criador a fazer retiradas diárias, a fim de que as tetas não venham a ser acometidas por alguma enfermidade

Trata-se de um caprino da raça saanen, de origem suí­ça e eminentemente leiteira, e que está sendo criada pelo produtor rural Antí´nio Cí¢ndido Sobrinho, que se identifica como pequeno criador, em Mucunã, na zona rural de Maracanaú.

A estranheza com o bicho, que nasceu de parto normal, foi acompanhada de apreensão por Antí´nio Cí¢ndido, que logo procurou especialistas, a fim de saber se poderia criar com saúde ou se havia algum risco de vida. Atualmente está com mais e 20 dias e pesando 6,730 kg.

“Minha preocupação tinha fundamento, porque não vi algo parecido e a produção de leite constante poderia levar ao enfraquecimento do animal”, disse o produto rural.

A cabrita faz parte de um pequeno rebanho de dez cabras. “Quando vi o bichinho, pensei que fosse uma doença. Antí´nio Cí¢ndido informou que, depois da retirada de uma boa quantidade, ainda resta uma xí­cara e 50ml. Há comprovação por especialistas de que se trata realmente de leite caprino.

“Por enquanto, o animal somente mama na mãe, mas estamos tentando introduzir algum tipo de ração para que não fique enfraquecido. Também retiramos leite todos os dias, a fim de que as tetas não fiquem endurecidas”, afirmou o produtor.

Raridade

O fato é raro, como atesta o professor do Departamento de Zootecnia, da Universidade Federal do Ceará (UFC), veterinário Airton Alencar de Araújo, e há apenas dois casos registrados em todo o Paí­s. O primeiro aconteceu em Pernambuco.

Professor Airton ressaltou que, em caprinos, é o primeiro caso relatado no Ceará. Porém em bovinos, já houve casos de animais pré-púberes apresentarem desenvolvimento precoce da mama e produção de leite fora do perí­odo pós-parto ou de lactação, o que é denominado de galactorreia. “Encontrei um caso de uma cabrita em Pernambuco que apresentou um caso parecido também aos 14 dias de vida”, afirmou o especialista. Ele explica que é difí­cil explicar como esse fení´meno acontece, pois na literatura sobre a fisiologia da glí¢ndula mamária este caso foge a regra. “A Biologia não é uma ciíªncia exata; e fení´menos como este ocorrem em várias áreas de estudo a Biologia”, disse.

A complexidade para se chegar a um entendimento vai mais além. Airton observa que o desenvolvimento mamário depende da ação de vários hormí´nios que são secretados durante as fases de desenvolvimento da fíªmea, isto é, na pré-puberdade, puberdade, durante o ciclo estral, gestação e pós-parto, sendo a secreção de leite ocorrendo em uma mama desenvolvida nestas etapas. Assim, a ocorríªncia de uma mama infantil em lactação, isto é, que não passou por todas estas fases de desenvolvimento, é algo muito intrigante.

“Uma hipótese é que este fení´meno seja devido í  ação de prolactina produzida pela hipófise da cabrita, que pode ocorrer em caso de tumor das células produtoras deste hormí´nio”, disse.

O professor indicou que será necessário um estudo mais aprofundado, como dosagem de vários hormí´nios, para conhecer seus ní­veis, como também uma análise da composição deste leite, para verificar sua semelhança com o leite secretado normalmente por uma fíªmea adulta em estado de lactação.

Para o professor, a retirada de leite não prejudica o bem-estar do animal, mesmo sendo ainda um filhote. “Por enquanto, vamos ver a possibilidade de uma interrupção da produção de leite. Isto é, vamos elaborar um programa e secagem gradativa da mama. Na minha opinião, como mostra uma glí¢ndula mamária bem desenvolvida, e produzindo boa quantidade, acho que por enquanto o criador deve tirar. Mas eu vou acompanhar o caso e ver a possibilidade de secar a mama”, prometeu.

O produtor Antí´nio Cí¢ndido reforça que o que quer é a garantia de que a cabrita vai sobreviver e que, por um fení´meno pouco estudado, não viesse a sofrer por não ter uma atividade normal como outros animais. “Felizmente fui muito bem atendido pelo professor”, asseverou.

MARCUS PEIXOTO
REPí“RTER
Fonte: Diário do Nordeste

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