Produção de silagens: O que podemos aprender com os argentinos?

#Produção de silagens: O que podemos aprender com os argentinos?

Nos últimos tempos tivemos algumas oportunidades de visitar fazendas zootécnicas na Argentina e verificamos que, embora os paí­ses sejam vizinhos, a produção de silagens acaba sendo bastante distinta. No Brasil nós estocamos as forragens principalmente em silos horizontais (trincheira e superfí­cie), conforme reportado por Bernardes (2012), sendo que na Argentina os silos tubulares horizontais (silo bolsa) são os mais utilizados. No nosso paí­s, a minoria terceiriza os serviços de ensilagem (Bernardes, 2012) e o inverso ocorre por lá.

O cenário argentino se diferencia do brasileiro basicamente por dois motivos, os quais estão interligados:

1) Na Argentina há grande disponibilidade de maquinários, inclusive os de última geração, os quais possuem custo bem menos elevado que no Brasil. Por exemplo: somente 10% das fazendas brasileiras colhem forragem com autopropelidas.

2) Os terceirizadores, pelo fato de possuí­rem bons equipamentos, são bem treinados (capacitados) e oferecem serviços de alta qualidade aos pecuaristas.

Em 2009, nós escrevemos o artigo intitulado Silo Bag: uma interessante alternativa no armazenamento da silagem e comentamos sobre os aspectos positivos e negativos dessa modalidade de estocagem, apontando o alto custo dos maquinários e a lentidão no abastecimento e no desabastecimento do silo como as principais desvantagens.

Contudo, os argentinos não enfrentam essas barreiras, pois as embutidoras possuem preço acessí­vel e confeccionam bolsas (Figura 1) com dií¢metro de 9-10 pés (2,74-3,05 m), o que praticamente não existe no Brasil. Com bolsas de maior dií¢metro é possí­vel fazer a remoção da silagem de forma mecí¢nica, utilizando os “mixers” adaptados ao silo bag. No nosso paí­s as bolsas possuem 1,8 m, o que permite somente o desabastecimento de forma manual ou com uso de pás carregadeiras, equipamento não recomendável para este tipo de tarefa.

Outro fato que nos chama a atenção é o grau de treinamento do grupo que opera os serviços e a qualidade com que estes são prestados í s fazendas. No último Congresso sobre Conservação de Forragens e Nutrição (VI Congreso de Conservación de Forrajes y Nutrición), realizado em Rosario, dezenas de operadores estavam presentes, os quais interagiam de diversas formas com o público (pesquisadores; empresas).

Embora aqui no Brasil a terceirização tenha aumentado em quantidade e qualidade (mais em quantidade do que em qualidade) é muito comum ouvirmos relatos de produtores, por exemplo, que muitos operadores não acionam o dispositivo de rompimento de grãos (craker) das colhedoras autopropelidas com o objetivo da colheita se tornar mais rápida. Isso é algo inadmissí­vel porque os grãos das silagens de milho e sorgo devem ser quebrados para que o amido seja mais bem aproveitado pelo animal. De fato, no levantamento realizado junto a 272 produtores de leite de todo Brasil, muitos apontaram a caríªncia de serviços terceirizados qualificados como uma das barreiras para se produzir silagens.

Dessa forma, gostarí­amos de destacar que as máquinas no nosso paí­s necessitam ter preços mais acessí­veis e o pagamento delas precisa ser mais facilitado. O Brasil é um paí­s que cresce na agropecuária, como destacam com frequíªncia os meios de comunicação, contudo o acesso aos equipamentos ainda é um entrave. Além deste fato, os serviços terceirizados precisam aumentar em número para atender os milhões de fazendas zootécnicas que possuí­mos, porém estes precisam também crescer em qualidade e, a forma mais fácil de encontrar o caminho é capacitando a equipe prestadora.

Por Rafael Camargo do Amaral e Thiago Fernandes Bernardes

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