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Brasil |17 julio, 2018

Indústria | Qual o impacto da inflação recorde de junho no futuro da economia

  José Roberto Castro IPCA teve a maior alta no mês de junho desde 1995. Efeito da paralisação de caminhoneiros…

 

José Roberto Castro

IPCA teve a maior alta no mês de junho desde 1995. Efeito da paralisação de caminhoneiros ainda afeta os preços

O Brasil teve em junho de 2018 a maior inflação mensal desde janeiro de 2016. Quando se leva em conta apenas os meses de junho, foi o maior aumento desde 1995, o segundo maior da história do Plano Real.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 1,26% em junho de 2018. Junho costuma ser um mês de inflação baixa. Em 2017, por exemplo, a variação do IPCA foi negativa – o que significa que os preços, na média, caíram.

EM 23 ANOS

 

O Brasil estourou o teto da meta de inflação em 2015, mas desde então o índice oficial vinha recuando. O resultado de junho representa o maior aumento no IPCA desde o início de 2016. Em janeiro daquele ano, a inflação atingiu 10,71% no acumulado em 12 meses – ou seja, o total medido entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016. Desde então, os preços estiveram sob controle.

Com o 1,26% do resultado mais recente, o acumulado em 12 meses saltou de 2,86% para 4,39%, ainda abaixo do centro da meta definida pelo Banco Central, de 4,5%. O resultado de junho de 2018 teve um impacto ainda maior no índice de 12 meses porque ele substituiu um índice negativo: -0,23% registrado em junho de 2017.

TRAJETÓRIA

 

O aumento atípico nos preços registrados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aconteceu graças a uma conjunção de fatores. Um deles é a paralisação dos caminhoneiros no final de maio e a consequente crise de desabastecimento que afetou o país a partir daí – e que alterou os preços também em junho.

Além disso, há o peso da desvalorização do real, que força aumentos nos preços de commodities como a soja, o milho e o petróleo, por exemplo.

Um terceiro fator que pesou foram os reajustes de tarifas de energia elétrica. Juntas, as categorias alimentação, habitação (que inclui energia) e transportes (com combustíveis derivados de petróleo) são responsáveis por 93% da variação do IPCA no mês.

 

Diante da alteração brusca no resultado mensal do índice oficial de inflação, o Nexo entrevistou o economista André Braz sobre que tipo de consequências o resultado discrepante pode ter nos preços e na economia como um todo nos próximos meses. Braz é coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas.

Quais as causas do resultado atípico no IPCA de junho?

ANDRÉ BRAZ São dois grupos de fatores. Primeiro foram preços monitorados. Houve aumento na energia, gasolina, plano de saúde e medicamentos. Na energia, sem levar em conta a bandeira tarifária por causa da queda do volume de água, houve reajustes pesados. Na Eletropaulo [responsável pelo fornecimento de São Paulo], por exemplo, foi de cerca de 15%. E em energia é mais difícil deixar de consumir. Isso pesou.

Do outro lado, houve aumentos mais temporários, principalmente em alimentos. A desvalorização do real, que começou antes da greve dos caminhoneiros, afeta o preço de alimentos que são derivados de commodities agrícolas.

OBrasil é o maior exportador de soja, mas isso pouco importa, o preço é o preço da Bolsa de Chicago. Aí sobe o preço da margarina, do óleo de soja e do frango, que é alimentado com ração de farelo de soja e milho. A soja alimenta suíno, bovino, principalmente agora no inverno. Isso aumenta o preço da carne e também o preço do leite, dos ovos.

E claro, tem a paralisação dos caminhões. É difícil separar exatamente qual foi o peso da desvalorização cambial e qual foi o peso da greve dos caminhoneiros. São vários efeitos misturados.

O que acontece com os preços depois de um evento atípico como a paralisação?

ANDRÉ BRAZ É mais fácil ver o efeito da greve em alimentos como hortaliças, legumes e frutas. E nesse caso o preço já praticamente voltou ao normal. Normaliza a oferta, o preço volta, cai mesmo, depois que passa a crise. Agora, no industrializado é mais demorado. No frango, no leite, o preço mais alto continua.

A greve deixou uma marca, o efeito não dura só onze dias. Aves foram sacrificadas, não é simples normalizar essa oferta rapidamente. A margem perdida no leite derramado, o produtor precisa recuperar. Vai levar uns três meses, isso explica frango e leite quase 20% mais caros.

Mas o fôlego para o aumento, aos poucos, vai diminuindo. Então é provável que em julho eles já comecem a registrar um aumento menor, é um passo inicial até voltar a cair. Isso é um sinal de que a oferta está se normalizando. Em julho, a inflação deve despencar, não tem o peso dos preços administrados, alimentos in natura devem cair.

O resultado atípico de maio compromete o cumprimento da meta?

ANDRÉ BRAZ Não compromete o cumprimento da meta, não deve precisar mexer na taxa de juros. A nossa projeção, antes de começar a desvalorização do real e muito antes de se pensar em greve de caminhoneiros, chegou a ser de 3,3%. Agora passou para algo entre 4% e 4,2%, ainda abaixo. Havia uma folga grande.

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/07/15/Qual-o-impacto-da-infla%C3%A7%C3%A3o-recorde-de-junho-no-futuro-da-economia

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