"Quer melhorar a qualidade do seu leite? Então desça no fosso" - eDairy News

“Quer melhorar a qualidade do seu leite? Então desça no fosso”

 

Dando sequência ao primeiro dia do Interleite Brasil 2016 (03/08), o painel sobre “Gestão eficiente da qualidade do leite” discutiu pontos intrínsecos para atividade com um todo. Como moderador, o evento contou com a presença do professor da FMVZ/USP, Marcos Veiga dos Santos.

O que chamou a atenção neste painel é que, por unanimidade, para todos os palestrantes, o que falta para os produtores de leite no Brasil obterem melhores índices de qualidade no leite produzido, é a própria iniciativa do produtor. Liderança, “vestir a camisa da fazenda” e profissionalização das propriedades também foram itens citados. Segundo eles, o mundo mudou e está mais exigente, e quem não se preocupar com qualidade hoje, está fora do mercado em breve.

A primeira apresentação foi do produtor de leite e médico veterinário Marcelo Maldonado Cassoli, da Fazenda Capetinga, de São João Batista do Glória/MG.

“Produzir qualidade com felicidade”. Foi assim que Marcelo estreou a sua apresentação. Hoje ele produz 27 mil litros/hectare/ano com uma média anual de 29,8 litros/vaca/dia, mantendo a CCS (Contagem de Células Somáticas) média no tanque de 190 mil células/mL. O leite da Fazenda Capetinga foi classificado entre os três melhores leites da Danone por quatro anos consecutivos (3ª posição em 2012; 2ª em 2013; 1ª em 2014 e 1ª em 2015).

O projeto inicial da Fazenda Capetinga mantinha o gado Jersey em pastejo intensivo rotacionado de capim Tanzânia. Posteriormente, a fazenda iniciou o cruzamento com Holandês, visando maior receita com o aumento do volume de leite/vaca/dia e intensificando o sistema por meio do confinamento (free stall) – que passa no momento por um processo de ampliação. Segundo o produtor, uma das metas atuais é dobrar o peso na desmama e explorar a terceirização de silagem.

“Para nós, o que mais importa é a produção de um leite limpo, seguro e que seja rentável. Sinônimo de qualidade para nós é manter a Contagem Bacteriana Total (CBT) e a CCS sempre controladas, além dos resíduos de antibióticos. Além disso, prezamos pela ausência de ecto, endoparasitas, tuberculose e brucelose”, ponderou.

Ainda sobre pontos importantes para manter a qualidade, Marcelo disse que quando o produtor confia no leite que ele produz, não precisa selecionar na fazenda qual vaca vai produzir para abastecer a sua própria família – o ideal é que ele se satisfaça com o leite de qualquer animal aleatório do rebanho. “Se queremos ter qualidade, é necessário gestão e padrão todos os dias. É importante que a equipe esteja feliz e que a rotatividade seja pequena. A higiene e o calendário sanitário (descarte de leite e de vacas) precisam estar em dia, assim como o suporte laboratorial. Para fechar com chave de ouro, um laticínio que necessite de leite bom e o diferencie adequadamente do ruim é fundamental”.

Neste ano, a Fazenda Capetinga teve alguns percalços com relação à qualidade – já que a porcentagem de contaminação aumentou. Inicialmente, foi realizado um diagnóstico da situação por meio dos dados históricos e algumas medidas foram tomadas com rapidez, como a troca das teteiras, melhor manejo das camas de areia e adição de cal hidratada, troca de pré dipping, entre outros. Após essas medidas, a CCS caiu de 429 mil para 280 mil e a CBT de 6 mil para 3 mil.

“Por que nós pioramos? Não tem segredo. Eu baixei a guarda visto que estava preocupado com outras questões da propriedade; foram várias mudanças ao mesmo tempo que fizeram com que eu mudasse de foco. Um fino retoque na gestão contribuiu para o retorno dos nossos valores iniciais. E, uma mensagem que quero passar para todos é: ‘desçam no fosso’, descubram a raiz do problema e não deixem a peteca cair. Quando os princípios estão bem embasados, fica muito mais fácil a situação se equilibrar novamente”.

Ele lembrou que a partir do momento que o produtor muda, alguns desafios acompanham a decisão, como a deficiência de técnicos e pessoal capacitado – principalmente para aferir equipamentos e instalações de ordenha. A quantidade de laboratórios existentes no Brasil também foi colocada em cheque.

Em seguida, Eduardo Pinheiro, produtor de leite e também médico veterinário da Fazenda Rio Doce, em Itobi/SP, mostrou como dedica o seu tempo e profissionalismo nas terras da família. A fazenda é adepta do Projeto Educampo, do Sebrae/MG.

Na palestra, Eduardo falou sobre o caminho percorrido para atingir a tão almejada qualidade do leite. Influenciados pelo desconforto dos animais e pelas más condições de alojamento, em 2014 bateu o martelo pela construção de galpões para o compost barn e uma nova sala de ordenha. Em janeiro de 2015 os galpões foram finalizados e os animais já foram levados para lá.

Com essa mudança, algumas ações precisaram ser tomadas, como a ventilação das camas em tempo integral, o reviramento duas vezes ao dia e a utilização de toda a área da cama – priorizando por ela sempre seca.

Eduardo apontou alguns fatores de risco que favorecem o aparecimento da mastite nas fazendas, como: ambiente desafiador, vacas sujas, estresse térmico, vacas com baixa imunidade, vacas velhas, bactérias de baixa cura espontânea, entre outros. Em um estudo de caso na sua propriedade e analisando as vacas com mastite subclínica, ele notou que 80% dos casos ocorreram devido a vacas com escore de orifício de teto ruim, 10% em vacas secas e 10% em novilhas em piquetes com barro. “Em cima desse estudo, evitamos ao máximo as lesões nos tetos das novilhas mantendo um fluxo de extração automática de 600 mL/minuto. Também buscamos melhorar o ambiente no qual elas vivem e mudamos a regulagem do equipamento de ordenha. Evitar as lesões nos tetos das vacas é essencial para evitar novas infecções. Não adianta controlarmos o resto e abandonar essa questão”.

Finalizando, Pinheiro comentou que o perfil das bactérias causadoras de mastite mudou, devido às mudanças de ambiente, porém, as vacas continuam se infectando já que os orifícios dos animais estão lesionados e a secagem dos tetos ainda é ineficiente. Resultado da busca constante por melhorias, em 2015, a Fazenda Rio Doce recebeu R$ 0,096/litro de bonificação, enquanto esse valor foi de R$ 0,043/litro em 2014. A propriedade também presenciou um aumento na produtividade: passando de 19,9 litros/vaca/lactação/dia em 2014 para 28,7 litros/vaca/lactação/dia em 2015.

Encerrando o painel, Lúcio Freitas do Amaral, proprietário da Fazenda Barrinha, localizada em Inhaúma/MG, contou com a ajuda de suas técnicas para expor a atual conjuntura de sua propriedade e a gestão de melhoria da qualidade contínua por meio da atitude do produtor.

Empresário no setor de supermercados há 30 anos, adquiriu a fazenda em 1993. Em dezembro de 2004 iniciou na atividade leiteira e hoje conta com um rebanho de mais de 700 animais, sendo 240 vacas em lactação, e uma produção diária média de 4.300 litros de leite. Os animais são mantidos a pasto no verão, e no período da seca recebem toda a alimentação no cocho.

Com a implementação de bônus por resultados no setor da ordenha, conciliando as orientações técnicas recebidas por meio do Programa de Melhoria de Qualidade do Leite (PMQL), o produtor garantiu a melhoria e manutenção da qualidade em sua propriedade. O PMQL ocorre em parceria com a CCPR/Itambé e suas cooperativas singulares e tem como prioridade seis pontos:

1 – Ambiente, higiene e conforto;
2 – Limpeza e manutenção dos equipamentos;
3 – Tratamento de vacas em lactação;
4 – Terapia de vaca seca;
5 – Rotina de higiene na ordenha;
6 – Segregação dos animais.

No programa, ocorrem visitas na propriedade para um diagnóstico adequado dos problemas até chegar ao fechamento. “No diagnóstico da Fazenda Barrinha, alguns pontos positivos foram ressaltados, como: manutenção da ordenha, tratamento de mastite clínica, tratamento da vaca seca e registros e anotações. Os negativos foram: piquetes com acúmulo de esterco, inversão dos lotes no turno da tarde, descarte inadequados dos animais, ajustes necessários para o procedimento de ordenha e a não utilização dos dados para a tomada de decisão”, comentou uma das técnicas da propriedade.

Em cima disso, várias medidas entraram em ação para reverter os pontos falhos em pontos positivos como a mudança da ordem dos lotes durante a ordenha. “Passamos a realizar a CCS individual, o abate de alguns animais com várias recidivas de infecções, alteração dos protocolos de tratamento – como o uso de medicamentos com maior taxa de cura – e, treinamento e capacitação da mão de obra. Com todos esses tópicos aplicados na produção, a CCS caiu, de julho de 2013 (499.873 cél/mL) para 222.272 cél/mL em julho de 2016”.

A mensagem final da palestra foi um alerta para todos: ‘A atitude do produtor, em conjunto com o engajamento da mão de obra é peça chave para quem está buscando alçar voos maiores com a produção de leite’. O primordial é querer mudar, fazer mudar e dar condições adequadas de trabalho.

http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/marcelo-cassoli-quer-melhorar-a-qualidade-do-seu-leite-entao-desca-no-fosso-101504n.aspx

 

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