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Sin categoría |19 junio, 2012

Indústria | #Rentabilidade e a atividade leiteira

A tão almejada produção diária de leite é um conceito que classifico como “universal” entre diferentes perfis de produtores em…

A tão almejada produção diária de leite é um conceito que classifico como “universal” entre diferentes perfis de produtores em nosso paí­s. Posso afirmar que cresci no meio ouvindo proclamações, como: “leite não é viável se não produzir menos que 1.000 litros/dia”, “quando eu atingir…”, “o objetivo da nossa fazenda é produzir 5.000 litros de leite por dia…”. Como devemos encarar e interpretar tais colocações? Porque será que o conceito de rentabilidade (lucro/investimento inicial) e margem lí­quida (receita bruta – custos fixos + custos variáveis) é tão assustador ou tão pouco divulgado e comentado entre produtores? Recentemente estive num encontro de técnicos e produtores de leite promovido pela Leite São Paulo, em Botucatu, contando com a presença renomados palestrantes como o Prof° Dr.Fernando Campos Mendonça (ESALQ-USP) e Dr. Marco Aurélio Bergamaschi (Supervisor de Produção de Leite/Embrapa-Pecuária Sudeste), ocasião em que, além de discutirmos aspectos técnicos envolvendo manejo e irrigação de pastagens, tivemos a rica oportunidade de interagir sobre diferentes conceitos envolvendo a produção de leite em dia de campo subseqí¼ente, realizado no dia do evento. Novamente, como de praxe, ao conversamos com produtores, nos deparamos com a tão sonhada: “produção alvo”. Acredito que nós, técnicos e agentes do setor, devemos trabalhar e lutar para reverter esta abordagem incorreta e tão usual entre produtores. Quando avaliamos sistemas de produção devemos ter em mente o conceito de rentabilidade e margem lí­quida passí­vel de ser alcançada. Justifico:

Para trabalharmos com um determinado sistema de produção de leite, seja ele a pasto ou confinamento, antes de tudo, devemos ter em mente alguns números realistas e evidentes, praticados no mercado, como por exemplo, a renda obtida com arrendamentos de cana-de-açúcar . Em regiões de terras valorizadas, como o estado de São Paulo, de acordo com cálculos que realizei e, considerando um preço médio de 0,50/kg de ATR é possí­vel obtermos uma remuneração de cerca de R$1.100 a R$1.200,00/ha. Considero este número como “ponto de partida” para avaliações e tomadas de decisão na gestão de negócios quando o produtor/pecuarista não tem, claro, como objetivo a venda da terra, convertendo o bem em aplicação financeira. De acordo com os valores apresentados em termos de rendimento passí­vel de ser obtido com o “aluguel” da terra é possí­vel parametrarmos e avaliarmos a atividade leiteira. Ora, para produzirmos leite, precisamos ser eficientes e geramos receita, mas quanto? Até que ponto vale í  pena acordarmos cedo todo dia, enfrentarmos todos os desafios impostos pela atividade em detrimento í  possibilidade de usar a terra como fonte alternativa de receita via arrendamento?

Por mais incrí­vel que pareça, a maioria dos produtores trabalham com o conceito de buscar um determinado volume de leite/dia para “serem felizes”. Ignoram , se esquecem ou não compreendem o fato de que quando falamos em aumento de produção, automaticamente (na maioria dos casos, com raras exceções) falamos em aumento de despesas, ou seja: para eu produzir mais, eu tenho que consumir mais insumos e, conseqí¼entemente, gastar mais. Para saltarmos de 500 para 1.000 litros/dia ou de 2.500 litros para 5.000 litros, por exemplo, há sempre um aumento nas despesas. Certamente em determinados momentos do desenvolvimento de um projeto (sistema) é possí­vel usarmos e abusarmos do fator: ganho comparativos e ganhos em escala, ou seja, conseguir produzir mais com mesmos custos fixos. Isso pode ser traduzido como eficiíªncia. E ser eficiente requer conhecimento, experiíªncia e capacidade de gerenciamento, qualidades e atributos que nem sempre caminham de mãos dadas. Independentemente do volume de leite produzido (em qualquer caso avaliado), a pergunta que não cala, dentro de mim, é a seguinte: até quantos centavos/litro geramos de receita lí­quida? Qual seria uma margem considerada viável e palpável para trabalharmos? R$0,03/L, R$0,05/L, R$0,10? R$0,20!!… enfim, qual seria o limite?!

Recentemente realizei um estudo comparativo, avaliando diferentes margens de ganho/litro (R$/L) comparadas com diferentes volumes de produção, associados a necessidade de área para se produzir leite, estabelecendo então diferentes receitas lí­quidas por hectare de modo a promovermos comparação com a cultura da cana (arrendamento). Os pressupostos estabelecidos foram: área de 30 ha para produção (modular) de 2.000 litros/dia (menor relação área x produção/dia) e 60 ha para produção máxima de 4.000 litros/dia (amplitude do estudo) em rebanhos proporcionalmente estabilizados, o que pode ser traduzido ou equiparado a um sistema “travado” em 24.333 litros/ha/ano. Em outras palavras, uma necessidade de área de 30 ha para cada 2.000 litros de leite. As margens consideradas foram tabuladas em planilha Excel com valores variando de 0,02 em 0,02 por litro, iniciando em 0,02 e finalizando o estudo com ganhos (margem) de 0,08/litros. Considerando margem de 0,02/L (sistema pouco eficiente), a renda obtida na simulação foi de R$486,47/ha. Neste caso, com uma margem baixa o produtor sequer supera o arrendamento. Independentemente do volume produzido, considerando a escala de 2 em 2 centavos de receita lí­quida, temos ganhos de R$973,33 (0,04/L), R$1.460,00 (0,06/L) e, finalmente R$1.946,67/ha (0,08/L). Podemos estender o comparativo da forma como quisermos (centavo por centavo) até o limite de margem que julguemos ser possí­vel de se obter na atividade. A decisão é de cada produtor. O fator escala e área disponí­vel também devem ser levados em consideração . í‰ dessa maneira que costumo discutir o assunto com produtores: qual é o pró-labore necessário para um dado produtor sobreviver? Quanto menor for o sistema, maior a necessidade de eficiíªncia, certamente. Havendo maior escala de produção, teoricamente, é possí­vel sobreviver com menores rentabilidades. Em sistemas com limitação de área, é necessário ser muito eficiente, ter baixo custo de produção passí­vel de geral maior receita lí­quida (R$/L), garantindo o sustento do produtor. Quanto mais valorizada for a terra, proporcionalmente maior será a necessidade de ser competente e eficiente na produção de leite.

Tomando como base (e verdadeiros) alguns números divulgados por produtores em relação ao custo de produção e preços praticados pelo mercado, podemos perceber que é possí­vel obtermos com a produção margem/litro que traduzidas em R$/ha/ano implicam em ganhos superiores ao dobro do faturamento obtido com arrendamentos de cana, retratando um cenário promissor e atrativo para sistemas eficientes e com capacidade de expansão e escala de produção. Fica claro que o produtor de leite precisa e deve trabalhar com números e metas pré-estabelecidas para conseguir atingir seus objetivos. Onde estou? Para onde vou? Onde posso chegar e finalmente, como posso chegar a um volume de produção e eficiíªncia (margem) que me permita ou justifique a minha permaníªncia e/ou ainda realizar investimentos na atividade? Com assessoria técnica competente e parceria com fornecedores idí´neos e competitivos nos diversos segmentos da cadeia o produtor certamente responderá tais questionamentos com clareza e lucidez, aumentando suas chances de sucesso no negócio.

Por Porteira Adentro – Blog

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