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Brasil |4 abril, 2018

Leite | Setor do leite resiste à crise e ao fim das quotas

Producao de leite – Produção e consumo dão sinais de recuperação. Indústria investe e emprega mais. Só os preços pagos ao produtor continuam baixos. 

Produção e consumo dão sinais de recuperação. Indústria investe e emprega mais. Só os preços pagos ao produtor continuam baixos.

A produção de leite no ano passado só aumentou 1% em quantidade, para 1864 mil toneladas, face a 2016, mas o seu valor cresceu 5,4% para 689,1 milhões de euros, que é 12% do valor gerado pelo setor agrícola. O país assegura 1,3% da produção leiteira da União Europeia, segundo dados que a Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac) deverá apresentar esta terça-feira, num fórum dedicado ao “Leite – Produto nacional de excelência”, em Lisboa.

Já na indústria do leite até tem havido um investimento crescente desde 2012, ano de plena crise, a par de um aumento das contratações, desde há quatro anos. Cerca de 329 empresas existentes em 2016 investiram, naquele ano, 41,08 milhões de euros, quase o dobro do valor registado em 2012. O emprego também tem vindo a ganhar expressão. Eram 5650 trabalhadores em 2014, um número que subiu para 5858 pessoas dois anos depois.

O bom desempenho da produção e da indústria levam Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenalac, a admitir que “o setor resistiu não só à crise, mas também ao fim das quotas leiteiras”, imposto pela UE desde 1 de abril de 2015, um marco onde muitos viram uma “catástrofe” para Portugal.

A produção, assegurada por 5017 profissionais, é exportadora, um feito de que a indústria não se pode gabar, dadas as importações de queijo e de iogurtes que fazem desequilibrar a balança comercial do setor, nota o dirigente associativo.

Apesar de algum ânimo com o aumento do consumo de leite em 2016 (não há dados para 2017), um dos aspetos menos favoráveis continua a ser o preço pago pela matéria prima ao produtor, que coloca o país na fim da tabela da UE. Para Fernando Cardoso, a situação decorre de Portugal praticar dos preços mais baixos ao consumidor e de, por esse motivo, não se conseguir remunerar melhor a produção. Em janeiro, o preço médio ao produtor foi de 31 cêntimos por quilo de leite, menos 3,5% face a dezembro, segundo o Sistema de Informação de Mercados Agrícolas (SIMA).

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