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Brasil |29 junio, 2016

Indústria | Setor lácteo opina sobre o Brexit

O Reino Unido está deixando a UE. As negociações levam algum tempo, mas quais são as potenciais implicações? O que tem a indústria de laticínios a dizer?

 

 

Lácteos Brexit – Logo após a decisão da população do Reino Unido de deixar a UE, as atenções se voltam para os negócios afetados, como as negociações serão realizadas e quais os prazos envolvidos?

O Reino Unido (UK) aprovou a saída da União Europeia (UE), mas, com profundas divisões regionais, Gibraltar, Escócia, e Irlanda do Norte votaram pela permanência na UE. O presidente do Parlamento Europeu (PE), Martin Schulz, na Conferência extraordinária logo após a decisão, disse que o PE se reunirá até terça-feira “para avaliar os resultados do referendo e elaborar os passos necessários das instituições europeias, especialmente o próprio PE. Com base no artigo 50 do tratado, o Parlamento estará completamente envolvido nas próximas etapas”. “A linha do PE é bastante clara – estamos muito tristes com a decisão dos eleitores do Reino Unido, mas, foi a expressão da soberania da vontade dos britânicos de deixar a UE. Isto é um momento difícil para ambos os lados”, acrescentou.

Nação de comerciantes

Em termos de negócios, Christian Verschuere, Diretor geral do EuroCommerce disse, “Este é um dia triste, mas também um alerta para a Europa e para a futura linha de atuação da UE. Devemos respeitar a vontade do povo britânico, mas, perderemos um país liberal e com visão de futuro, que tem sido uma força motriz no mercado interno, possui os melhores regulamentos e tem um comércio global aberto. “A Grã-Bretanha é uma nação de comerciantes, e o dinamismo do varejo é uma liderança em inovação tanto nas ruas como online”.

No trabalho “Exportando Lácteos para o Mundo” Lácteos britânicos, publicado em janeiro de 2016, foi observado que as exportações do Reino Unido para fora do bloco comunitário cresceram 91% em volume em relação aos últimos cinco anos, até o final de 2014. Durante esse mesmo período, o volume de exportações dentro do bloco aumentou 28%. Em 2014 o valor das exportações de lácteos totalizaram £ 1,3 bilhão.

Comentário da indústria

Dr. Judith Bryans, Diretor Executivo da Dairy UK disse: “A indústria láctea do Reino Unido é adaptável, resiliente e determinada, com habilidades de inovação para muitos desafios encontrados. A indústria de laticínios do Reino Unido não tomou partido nesse debate porque sabemos, que independente do resultado, precisamos continuar operando no mercado global de lácteos e demonstrar nosso compromisso inabalável não apenas de vender, mas, levar o melhor do setor lácteo britânico”. Bryans disse que o Setor Lácteo do Reino Unido continuará a cooperar com o Governo do país, administrações regionais e organizações relevantes para promover os interesses do setor lácteo do Reino Unido e ajudar a indústria agro alimentícia seguir na direção certa. Temos uma indústria de alto padrão que entrega produtos de qualidade internacional e nosso pessoal tem a ambição e a determinação de obter sucesso.

Arla comprometida com o Reino Unido

A Arla Foods, com sede na Dinamarca, mas com operações no Reino Unido, disse que o resultado será crucial para a Arla, já que o Reino Unido é o maior mercado da companhia. Peter GiØrtz-Carlsen, chefe da Rala Foods na Europa, disse: “Estamos desapontados com o resultado do referendo. No entanto, respeitamos a decisão daqueles do Reino Unido, que, em última análise, escolheram sair. Temos, continuamente, apoiado o bom funcionamento e o fortalecimento da UE, que se concentra em garantir a continuação da livre circulação de mercadorias, serviços, pessoas e finanças. “No entanto, vamos trabalhar com o governo do Reino Unido e outras partes envolvidas para apoiar, na medida do possível, o ambiente pós-Brexit”.

A Arla disse que focará em minimizar algum potencial impacto negativo em seus negócios como resultado do Brexit e preservar o livre comércio entre o Reino Unido e a UE, tão importante para os negócios da companhia. “As consequências do Brexit dependerão das negociações subsequentes entre a UE e o Reino Unido que levarão dois anos para se completarem. Para a Arla, é importante que o tratado seja estabelecido sem cotas de importações e exportações ou tarifas que irão limitar a livre circulação. Acompanharemos essas negociações de perto e a Arla terá planos para mitigar os efeitos, mas é muito cedo para comentar diferentes cenários que poderão surgir”, disse GiØrtz-Carlsen.

Efeitos de curto e longo prazo

A indústria de laticínios possui 12.700 associados em sete Estados Membros da UE, sendo 2.700 britânicos. Aproximadamente 80% das vendas totais da Arla são geradas na UE e mais de 25% desse valor é gerado no Reino Unido. “Muitos de nossos negócios no Reino Unido são baseados na produção local. No entanto, para colocar os 13 bilhões de quilos de leite satisfatoriamente, é indispensável que nossos produtos possam circular livremente através dos mercados nos quais operamos”, acrescentou GiØrtz-Carlsen. A Arla disse que apesar dos novos desafios para a Arla e outras companhias depois do Brexit, os resultados do referendo não reduzem a importância do mercado do Reino Unido para a Arla. “O Reino Unido pode decidir deixar a UE, mas permanece um mercado importante para a Arla”, conclui GiØrtz-Carlsen.

Reação do governo dinamarquês

Martin Bille Hermann, o Secretário de Estado da Dinamarca disse: “Estou triste com a decisão dos britânicos de saírem. Agora em vez de falarmos sobre questões como criação de empregos e controle eficiente da migração, falaremos sobre a saída do Reino Unido. O recado britânico é claro – os políticos do Reino Unido obtiveram o resultado que queriam – agora viverão de acordo com ele. “A Dinamarca é membro da União Europeia e continuará a ser. Pesquisas mostram que a Dinamarca quer isso. Juntos somos mais fortes, do que separadamente”.

Reino Unido mercado importante para a Danone

A francesa Danone, que opera no Reino Unido, também comentou: ‘O Reino Unido é um mercado importante para a Danone – um dos top 10 – e temos uma indústria com cerca de 1.200 empregados trabalhando lá. Estamos comprometidos com nossos negócios no Reino Unido. Nosso objetivo é mitigar os efeitos sobre nossa política e continuaremos monitorando o impacto. É muito cedo para quantificar, em termos de comércio, custos e preços, mas, podemos dizer que nosso objetivo é utilizar instrumentos necessários para continuarmos competitivos”.

Sem discussão

O Grupo Müller, que tem operações no Reino Unido e também no continente europeu, disse: “O resultado da votação não é um problema que gostaríamos de tomar uma posição pública. Nosso foco é elaborar e disponibilizar produtos de qualidade para nossos clientes e consumidores”.

Posição da Nestlé é similar

“Observamos o resultado do referendo do Reino Unido e a decisão do eleitorado britânico de deixar a União Europeia. As consequências práticas da decisão ficarão mais claras nos próximos meses. A Nestlé continuará operando normalmente e irá acompanhar de perto a evolução”, disse um porta-voz.

NFU vê incertezas

A Cargill disse ao FoodNavigator que embora acredite que tenham distintas vantagens para que o Reino Unido e países membros se mantenham juntos na União Europeia, “a prioridade agora é monitorar de perto a situação e assegurar que nossos interesses comerciais sejam protegidos nos próximos meses, enquanto a situação se desenrola”. O presidente da NFU, Meurig Raymond disse: “O voto para deixar a União Europeia levará, inevitavelmente, a um período de incertezas em inúmeros áreas que são de vital importância para os agricultores britânicos. A NFU se envolverá plenamente e de forma construtiva com o governo britânico para construir novos arranjos, e isto precisa ocorrer o mais rapidamente possível. Nossos membros, com razão, querem conhecer o impacto em seus negócios com urgência. Entendo que as negociações tomarão muito tempo para serem concluídas, mas, é vital que se estabeleça desde o início um compromisso de que a agricultura britânica não será prejudicada. É de suma importância que a agricultura britânica continue rentável e competitiva, e sendo o alicerce para indústria de alimentos, o maior setor da indústria da Grã-Bretanha”.

Em 2014, de acordo com o NFU, os principais destinos dos alimentos do Reino Unido, exportações de bebidas e ração animal foram Irlanda (£ 3.4 bilhões), França (£ 2,1 bilhões), Estados Unidos (£ 1,9 bilhões), Holanda (£ 1,3 bilhões) e Alemanha (£ 1,2 bilhões. No mesmo período as importações de alimentos, bebidas, e alimentação animal vieram, principalmente, da Holanda (£ 4,9 bilhões), França (£ 4,2 bilhões), Irlanda (£ 3,8 bilhões) e Alemanha (£ 3,7 bilhões).

Copa & Cogeca

Copa & Cogeca disseram que o Brexit marca um dia triste para os agricultores da União Europeia e do Reino Unido. “Trabalhamos para assegurar que a comunidade agrícola não pague o preço da política internacional”, diz um comunicado. O secretário geral da Copa & Cogeca, Pekka Pesonen disse que o ponto chave será o de evitar quaisquer outras perturbações no mercado agrícola europeu, dada a importância dos laços nas relações econômicas e da atual crise do mercado agrícola”.

Mais da metade das exportações de alimentos e bebidas do Reino Unido, atualmente, vão para a União Europeia, e o Reino Unido é também um grande mercado para exportação de alimentos e bebidas de outros Estados Membros, disponibilizando aos consumidores europeus boas escolhas, diversificação e produtos de qualidade. Vamos trabalhar arduamente para garantir que as comunidades agrícolas da União Europeia ou do Reino Unido não sejam os únicos a pagar o preço dos impactos da política internacional e minimizar prejuízos sobre o comércio”, disse Pesonen.

Nenhuma mudança para o Red Tractor – por enquanto

O Presidente-Executivo, David Clarke, da Assured Food Standards [Padrões de Segurança Alimentar], disse que o Brexit, por enquanto, significa negócios dentro dos padrões Red Tractor Assurance. “O Reino Unido permanece membro da União Europeia no futuro imediato e é preciso aguardar com atenção os termos dos tratados que o Governo do Reino Unido será capaz de negociar com os parceiros comerciais da Europa para mais adiante.

Baby Milk Action

Patti Rundall, da Baby Milk Action, disse que a rede Internacional Baby Food Action, IBFAN (da qual a Baby Milk Action é membro), tem muita razão de reclamar da UE e gastar mais de 30 anos tentando melhorar os padrões. No entanto, ela disse que de acordo com sua perspectiva, era “muito mais importante ficar no bloco e continuar para aperfeiçoar, do que sair”. Ela disse que as leis da UE para o comércio de fórmulas e alimentos infantis e as regras de transparência que regem a EFSA, que o IBFAN ajudou a elaborar, “embora não sejam tão severas como deveriam ser, são melhores que nada – e melhoraram a segurança de alimentos para bebês e controlam um pouco o marketing prejudicial”.

Incertezas dos analistas

As incertezas ecoaram entre os analistas do Euromonitor International. Sarah Boumphrey, líder global de economia e consumidores do Euromonitor disse: “Uma palavra-chave continuará pairando sobre a economia britânica: incerteza. A incerteza também irá em direção da própria União Europeia – O Reino Unido tem um papel significativo na UE, tanto econômica, como demograficamente. Os economistas eram quase que esmagadoramente unânimes em suas opiniões sobre o Brexit – isso iria prejudicar a economia do Reino Unido”. Ela acrescenta que a extensão dos danos tem sido mais difícil de avaliar. “Apesar do elevado receio da recessão de imediato, nosso modelo macro mostra queda de 2% no crescimento do PIB ao longo dos cinco anos pós Brexit, com um enorme impacto em 2017”.

Preocupações da União Europeia

No entanto, de acordo com o Euromonitor, a incerteza acompanhará também a própria União Europeia. O Euromonitor diz que o Reino Unido tem um papel significativo na União Europeia, tanto econômico, como demograficamente. Ele diz que em 2015 o Reino Unido foi o a segunda maior economia da União Europeia – atrás da Alemanha. Também é uma das grandes economias da UE, contribuindo com 35% do crescimento econômico do bloco entre 2010 e 2015. O Reino Unido é o maior mercado consumidor do bloco e é responsável por um de cada cinco dólares gasto na UE. E também é responsável pelo rápido crescimento de 56% das despesas de consumo desde 2010.

Modelo Euromonitor

De acordo com o Modelo de Previsão da Indústria do Euromonitor, olhando a previsão do crescimento do volume, em um cenário Brexit, os setores de alimentos embalados do Reino Unido mais prejudicados serão: confeitaria, pratos prontos e snacks. Os lácteos terão melhor desempenho do que outros setores. Boumphrey disse que a incerteza que irá se abater sobre o Reino Unido, pelo menos nos próximos dois anos, é um dos maiores desafios das empresas. “Isso afetará indubitavelmente o sentimento dos negócios, pressionando para baixo os investimentos e afetando a confiança do consumidor. Haverá um impacto direto sobre a libra, e isso pode elevar a inflação. Então dependendo da base de custos dos negócios isso pode ter um efeito negativo – embora para os exportadores britânicos a moeda fraca possa ser uma benção. Decisões estratégica e operacional serão necessárias para decidir onde estabelecer as operações da empresa. É pouco provável que as operações atacadistas sejam removidas, mas, relocação (geográfica) dos investimentos é desejável”.

Nenhum impacto sobre os gastos

Boumphrey disse que o Modelo de Previsão da Indústria do Euromonitor não aponta grande impacto nos gastos dos consumidores. “As categorias mais afetadas serão itens discricionários – como por exemplo, confeitaria. Staples não são guiados por mudança de renda. Por isso não é esperado um impacto cataclísmico no gasto do consumidor”. No caso das empresas exportadoras do Reino Unido, Boumphrey diz que elas deveriam “evitar reações automáticas e ficarem calmas, tomando medidas inadiáveis. O Reino Unido não deixará a União Europeia da noite para o dia. Repassar o peso do aumento de preços diretamente para os consumidores finais não é uma escolha fácil”. Ela observa que a economia do Reino Unido poderá se manter incerta pelos próximos dois anos enquanto ocorrem as negociações de saída. “O “Desconhecimento” será o maior desafio, tornando difícil as empresas se protegerem. Penso que uma abordagem cautelosa para investimentos será prudente até que a poeira abaixe e exista um rumo nas negociações”.

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