Sinal de alerta para o produtor Agir!

# Portalacteo, Leonardo Moreira C. de Souza: Sinal de alerta para o produtor Agir!

A alta expressiva nos custos de produção e a pressão por baixa no preço da matéria prima, ou seja, do preço a ser pago ao produtor seria a volta da equação cujo resultado pode significar uma nova crise no setor produtivo do leite?

O produtor sabe que a indústria é constantemente pressionada pelo varejo, o qual segue pressionado pela concorríªncia dos produtos importados, mas não pode carregar a maior pressão por baixa no preço do seu produto, cuja margem de lucro é a menor de toda a cadeia de produção. Hoje, o produtor de leite sofre com a forte alta em toda a sua planilha de custos de produção, principalmente mão de obra, concentrados, forragens e adubos e, ainda, segue sempre contra parede com relação ao preço do seu produto.

 

Em resumo, nesta equação perversa para o produtor, quem ganha menos nos bons momentos é o que mais paga nas horas ruins do mercado. Porém, como o produtor pode interferir neste processo?

 

Parece ser um movimento capitalista relacionado í  força do capital e a um mercado com um menor número de compradores da matéria prima e um maior número de produtores.

 

Esta situação já é uma velha conhecida de todos, sejam produtores, indústrias ou comerciantes de produtos lácteos. Em um passado recente o setor já sofreu com altas e baixas da cotação do dólar, com uma inundação de produtos importados, com ou sem dumping, e o resultado foi a desmotivação da produção, a liquidação de rebanhos, o declí­nio da exportação de lácteos ocasionando, por consequíªncia, no momento seguinte, quando a economia deu sinais de fortalecimento, a falta de matéria prima para atender o mercado interno sempre crescente.

 

Ocorre que hoje o produtor já tem maior consciíªncia destas leis de mercado e consegue antecipar melhor medidas em busca da proteção da sua atividade, por exemplo, reduzindo a produção. Este fato pode configurar um ciclo vicioso para a indústria, já que em uma situação de menor produção interna e dólar mais alto, considerando que mesmo nas épocas de crise o mercado consumidor interno de lácteos cresce (em menor proporção, é claro), poderá haver falta de produto, obrigando as indústrias a pagar mais pela matéria prima e duelar com os varejistas com relação ao preço a ponta de venda.

 

Portanto, o produtor, que é cobrado pela indústria para investir na qualidade da sua matéria prima, na melhoria do seu sistema produtivo, precisa e creio que já tenha em sua maioria, ter consciíªncia do seu peso na cadeia produtiva, a qual somente existe em torno do leite que ele produz. O produtor precisa gerir a sua produção de acordo com as tendíªncias do mercado, como acontece na área da soja, do milho, do café, etc, procurando antecipar movimentos do mercado e calibrar a produção de forma a ter força para atuar na valorização do seu produto.

 

Realmente, neste campo das commodities parece que tudo se resume a oferta e í  procura, escala, custos eficientes e produtividade. Logo, se há sinalização de queda do preço na matéria prima, mesmo em uma época de elevação dos custos de produção, o produtor não pode pagar para produzir e ver as suas margens aviltadas para o restante da cadeia mantenha intacta as suas margens de lucro.

 

O produtor deve também ter o empenho de se organizar e tomar medidas para manter a produção global nos patamares adequados í  sustentação do preço do leite por uma menor oferta, até que o mercado se reorganize e pague preços melhores. Infelizmente, como toda a atividade desta natureza, existem os ciclos de alta e de baixa nos preços, os quais podem ser minimizados.

 

O momento, portanto, é de alerta para o produtor, pois o discurso pessimista da indústria já existe, exigindo do produtor uma resposta contundente e organizada no sentindo contrário. Na era dos movimentos de aglutinação e consolidação de mercados, ou o produtor efetivamente também se prepara, aglutinando-se de forma séria e eficiente para planejar o seu setor e enfrentar o mercado, ou prosseguirá sendo o elo fraco da cadeia. Por que não seguir alguns exemplos bem sucedidos mundialmente, como a Nova Zelí¢ndia, onde os produtores são o elo forte da cadeia ou até mesmo de outros segmentos agrí­colas brasileiros? Somos capazes ou seria uma utopia?

 

Leonardo Moreira C. de Souza

Presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandes de Minas Gerais

Produtor de Leite

www.jornalholandes.com.br

www.gadoholandes.com.br

 

Toda reclamação originada das informações contidas no site de eDairy News será submetida à jurisdição dos Tribunais Ordinários do Primeiro Distrito Judicial da Província de Córdoba, República Argentina, sediado na Cidade de Córdoba, com exclusão de qualquer outro local, incluso o Federal.

One Comment;

  1. Sávio said:

    Sr Leonardo,

    O que acontece é uma clara tendíªncia de equiparação de custos e qualidade do leite brasileiro ao produto produzido no resto do mundo.
    Hoje o nosso custo é muito superior e deve ser reduzido, principalmente pela redução da carga tributária nos insumos e pelo ganho de eficiíªncia no produtor. Precisamos aumentar consideravelmente o padrão de qualidade no campo visando brigar no mercado internacional como vendedor. Não tem lógica um paí­s continental autosuficiente em produção ter aumento nas importações por qualquer motivo que seja.
    Não é a indústria que impõe ganho na qualidade, é o mercado cada vez mais globalizado.

    Abraço,

*

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