As 2,4 mil vacas em lactação renderam 100 mil quilos, o equivalente a 97,076 mil litros, que serão destinados ao produto tipo A
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Reconhecida pelo mercado como a maior produtora de leite do país há oito anos seguidos, a Fazenda Colorado, de Araras (SP), registrou mais um recorde neste mês: suas 2.400 vacas holandesas puras de origem em lactação produziram 100 mil quilos em um dia, o equivalente a 97.076 litros. O volume é destinado à produção de leite tipo A, queijo e creme de leite da marca Xandô, em laticínio instalado na própria fazenda.

empresas-leite-fazenda-colorado (Foto: Divulgação/Fazenda Colorado)
Fazenda Colorado. Recorde na produção das vacas em lactação (Foto: Divulgação/Fazenda Colorado)

Carlos Alberto Pasetti de Souza, um dos quatro herdeiros do pioneiro dos setores de fertilizantes e laranja Lair Antonio de Souza, que morreu aos 85 anos em 2015, diz que a meta de atingir os seis dígitos foi estabelecida no ano passado, quando ele se mudou para a fazenda por causa da pandemia da Covid-19. “Fizemos várias reuniões para definir como fazer para atingir essa meta sem causar dano às vacas.”

O galpão refrigerado de dois hectares, ou 20 mil metros quadrados, onde ficam as vacas para acessar a ordenha em carrossel, tem capacidade para 2.100 animais. O veterinário Sergio Soriano, gestor de Pecuária da Colorado, diz que, como é inverno, eles puderam fazer a ordenha de 200 a 300 vacas em um rancho fora do galpão para atingir o recorde.

Os 100 mil quilos são o pico de produção. Não se atinge esse volume todos os dias. Em 2014, eram 70 mil. No ano passado, a produção máxima chegou a 96 mil, mas fechou com uma média vendida de 80.025 litros, segundo levantamento da Milk Point, que faz o ranking do setor. Neste ano, a média vendida deve chegar a 90 mil litros.

A média de produção das vacas no recorde ficou em 42 quilos por dia. Pasetti explica que há vacas que chegam a produzir até 84 quilos de leite, mas a estratégia do negócio não é ter campeãs de produção e sim uma boa média. E, segundo ele, sem estressar os animais, que não são marcados a fogo ou com hidrogênio líquido.

As vacas são identificadas por brincos e por um aparelho no pé que fornece todas as informações individuais quando o animal entra no carrossel para a ordenha. O veterinário Soriano diz que a manutenção do status sanitário, com vacinação em dia, controle de zoonoses e cuidados de higiene, é fundamental para os bons resultados.

Em setembro, aliás, a Colorado vai oficializar o anúncio ao mercado de que obteve o certificado do Programa Bem-Estar Animal Nutron, concedido pela QIMA/WQS, auditoria norte-americana com atuação no Brasil.

“A gente estava com medo de ser reprovado na auditoria, mas passamos com louvor. Bastou corrigir alguns pontos, como o descarte de bezerros machos. Agora, criamos os bezerros e repassamos para confinadores. Estamos pensando em um futuro próximo em também fazer confinamento na fazenda”, revela Pasetti.

A Colorado, que tem um rebanho de 5.400 cabeças, faz inseminação com material sexado, o que garante o nascimento de mais animais do sexo feminino. Em julho, a sexagem produziu 80% de fêmeas, ante a média anual de 70% a 75%. A fazenda também elevou a venda de novilhas para recria. Só no ano passado, foram comercializadas 596.

O produtor afirma que a tecnologia é aliada do sistema de produção da fazenda há muito tempo. Além do pioneiro sistema de cross ventilation (ventilação cruzada) – criado nos Estados Unidos e implantado em 2012 – com exaustores que garantem uma temperatura entre 22 e 23 graus dentro do galpão em que ficam as vacas em lactação. Fora, a temperatura passa dos 35 graus no verão. A Colorado tem ainda um carrossel importado do mercado americano com capacidade para ordenhar 72 vacas em 15 minutos.

O sistema de ventilação e o carrossel demandaram um investimento de cerca de R$ 70 milhões, que foram financiados na época pelo BNDES. A Colorado investe ainda em uma dieta rica e em conforto para seus animais, afirma Pasetti. A alimentação, responsável por 56% do custo de produção, tem polpa de laranja, caroço de algodão, farelo de soja, cevada, silagem de milho, capim produzido na própria fazenda, gordura de palma e vitaminas. No total, são 26 componentes. Ele diz que 2021 está sendo difícil para o produtor de leite. A seca reduziu a produção de silagem e os custos estão em alta. Elevar a produção é justamente uma forma de reduzir esses impactos sobre a atividade.

Neste ano, a fazenda inaugurou um galpão de insumos com 1.750 metros quadrados de área adicional para armazenamento de ração. O objetivo é garantir que não haja variação da qualidade nutricional da alimentação do rebanho durante o ano. A Colorado também concluiu a construção de um rancho para mais de 450 novilhas.

“O rancho tem sistema de captação de água de chuva, cerca de material totalmente reciclado e piquetes amplos para o perfeito descanso das novilhas, dando a elas todas as condições para expressarem seu potencial genético, tanto na parte da saúde como na melhoria da performance reprodutiva, contribuindo assim com o ganho de produtividade e impactando diretamente na melhoria ambiental de nosso planeta, já que produzirão mais leite com melhor eficiência”, afirma Soriano.

Outros investimentos recentes foram a melhoria das camas no barracão, a troca dos exaustores e o treinamento de funcionários. “Com camas mais confortáveis, elas descansam melhor e têm menos mastite, o que garante maior produção de leite”, diz Pasetti. No total, a aplicação de recursos próprios chegaram a quase R$ 5 milhões.

O herdeiro de Lair Antônio de Souza diz que, se estivesse vivo, seu pai estaria bravo com o recorde de produção de leite, porque a meta dele era chegar a 60 mil kg por dia. “Mas eu deixei tudo pronto para vocês”, diria ele, segundo o filho.

Pasetti afirma que Lair, que já era o maior produtor de leite do Brasil, foi um empreendedor extraordinário, que remou contra a corrente em 2011, investindo pesado na produção, enquanto outros produtores estavam recuando devido aos baixos preços. A Colorado é uma das empresas da holding deixada por Lair, com sede na capital paulista, que tem ainda a indústria de sucos Sucorrico e a indústria de plásticos Plastirrico.

Inventados para aliviar o trabalho nas salas de cura, eles ajudam na metamorfose dos queijos suíços.”

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