“- Porque vocês colocam formigas nos queijos?”A pergunta veio de uma francesa que fez uma cara franzida quando eu respondi o que eram aquelas coisinhas croquantes no meio do queijo que servimos no stand da revista Profession Fromager durante o Salon du Fromage de Paris.
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“- Porque vocês colocam formigas nos queijos?”A pergunta veio de uma francesa que fez uma cara franzida quando eu respondi o que eram aquelas coisinhas croquantes no meio do queijo que servimos no stand da revista Profession Fromager durante o Salon du Fromage de Paris.

“- Porque no Brasil não temos trufas” respondi brincando, já que queijo trufado é a moda na Europa. Depois claro desenvolvi todo argumento que a formiga é um alimento do terroir brasileiro, que o Alex Atala até já mostrou as bonitinhas em uma série do Netflix…

O tal queijo, chamado Taiada, é feito pela produtora paulista Camila Almeida, da Estância Silvania. Ele já tinha vindo pra França em setembro de 2021 e ganhou uma medalha de bronze no concurso do Mondial du Fromage de Tours.

O motivo dele ter voltado para a França no salão de Paris é que ele chamou a atenção do queijeiro Dominique Bouchait (MOF) em Tours.

Ele ficou impressionado com as grandes orelhas das vacas Gir brasileiras, que dão um leite de excelente qualidade, com níveis bem superiores em proteína e gordura do que as Holandesas, por exemplo, o que dá um gostinho mais rústico para o queijo.

O Taiada ganhou bronze no Mundial do Queijo de Tours. FOTO: Débora Pereira/Profissão Queijeira

Como o tema do concurso Lyre D’Or do Salon du Fromage de Paris, voltado para comerciantes de queijos,  foi “o serviço de queijo do futuro”, ele me ligou pedindo para ter o queijo da Camila na mesa da candidata da sua queijaria.

“No futuro a proteína vai vir do insetos, então eu acho que este queijo é original e vai nos ajudar a ganhar” disse ele. O queijo chegou a tempo pela ajuda da nossa rede de colaboradores que aceitam atravessar o Atlântico com queijos na mala, mas finalmente não pôde ser usado no concurso. A comissão organizadora exigia documentação de alfândega dos queijos de fora da Europa. Burocracia que nossos queijos artesanais brasileiros ainda não têm… Fica para uma próxima, quem sabe.

Taiada é sim um queijo do futuro. A fazenda tem certificação de bem estar animal há 3 anos e de leite A2A2, conhecido por ser melhor digerido. Suas vacas são super mimadas.

Não pode ter queijo no futuro de animais em sofrimento, que não tenham oportunidade de terem comportamentos naturais de animais, ou seja, sair pra pastar com as amigas, serem saudáveis e bem alimentadas, ao invés de ficarem presas em um galpão só comendo e ruminando o dia todo.

Taiada, queijo com içá. FOTO: Débora Pereira/Profissão Queijeira

Honramos este queijinho com degustação no salão e ele foi bem apreciado. Nathalie Matignon, que concorreu pela boutique de queijos de Dominique, acabou ganhando ouro com uma tábua cheia de grilos para aperitivos…

Nathalie Matignon e Dominique Bouchait, diante da mesa de queijos vencedora do concurso Lyre d’Or. FOTO: Débora Pereira/Profissão Queijeira

Conseleite Rondônia alerta que outros parâmetros são considerados pelo mercado para estabelecer o valor final do leite a ser pago ao produtor.

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