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Brasil |16 julio, 2020

Leite | A esperança vem do campo

O agronegócio encerrou o primeiro trimestre nas nuvens. O setor foi o único que cresceu dentro de um cenário em que o PIB caiu 1,5%.

O agronegócio encerrou o primeiro trimestre nas nuvens. O setor foi o único que cresceu dentro de um cenário em que o PIB caiu 1,5%. Para os próximos meses, as perspectivas econômicas não são nada animadoras. mas, com o dever de casa bem feito,o produtor rural deve continuar navegando em velocidade de cruzeiro

Crédito: Jose Moraes

FORÇA DO CAMPO Crescimento de 1,9% e exportações recordes da agropecuária sustentam o PIB Brasil do primeiro trimestre (Crédito: Jose Moraes)

Lana Pinheiro

Logo após a divulgação do resultado, no entanto, uma pequena intempérie. Mesmo com o bom trimestre, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) revisou as projeções do ano para baixo. A expectativa inicial de crescimento entre 3,5% a 4%, caiu para 2,5%. Mesmo abaixo do previamente esperado, o número é bastante positivo mas a questão é que o ano está tão atípico que parece particularmente difícil acreditar em projeções. Sejam elas as mais otimistas ou pessimistas.

Se depender do campo, uma próxima revisão poderia jogar a taxa de crescimento para cima já que as perspectivas para a safras 2019/2020 e 2020/2021 trazem cenários favoráveis para quase todas as commodities. “O ciclo virtuoso que o produtor rural vive em 2020 é resultado de décadas de construção. Foi essa deducação que nos fez ter o agro que queremos: relevante para o mercado interno e externo”, explica Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio no Itaú BBA.

“No campo, plantou tem de colher, independentemente
de pandemia” Renato Conchon, Coordenador de Assuntos Econômicos da CNA (Crédito:Wenderson Araujo)

A participação da agropecuária no PIB deve pular dos atuais 21 ,4% para 23,6% em 2020

A dúvida recai sobre a imprevisibilidade da velocidade da retomada da economia pós-pandemia. O que se vê à frente ainda é tão pouco claro que faz com que as projeções do PIB pareçam tão seguras como terreno de areia movediça variando de -3,5% (dado do Itaú) até -9,1% na hipótese mais pessimista (visão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE).

Seja qual for o cenário, os números negativos passarão longe ao setor. “O investimento que o produtor fez no campo, o pacote tecnológico arrojado e o bom clima em regiões como no Matopiba, explicam e sustentam o bom momento no campo”, afirma Renato Conchon, Coordenador de Assuntos Econômicos da CNA.

“A supersafra é resultado de décadas de trabalho no campo” Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA (Crédito:Divulgação)

Segundo a entidade, a participação da agropecuária no PIB Brasil crescerá de 21,4%, em 2019, para 23,6%, neste ano. Já o Valor Bruto da Produção (VPB) deve ter alta de 12.4%, chegando a R$ 740,3 bilhões, valor recorde para a série histórica. Boa parte da contribuição para o aumento do agro vem da supersafra de grãos, estimada em 250,54 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o que representará 3,6% a mais do que a safra 2018/2019. “Diferente de outros setores, no campo plantou tem que colher independentemente da pandemia, por isso o impacto positivo do setor no PIB irá se manter”, esclarece Conchon.

EXPORTAÇÕES

Parte da cesta tem os portos como destino. Além do volume já planejado, o exportador encontrou questões pontuais que facilitaram o escoamento da produção. Uma delas foi o aumento das importações de proteína animal da China, devido ao abate do plantel local atacado pela peste suína africana e à tensão com os Estados Unidos. A outra, a demanda vinda de novos mercados como Irã, Taiwan, Tailândia, Egito etmbém do Marrocos.

BOAS PERSPECTIVAS As secas da região Sul impactaram a cultura de milho no início do ano, mas a safrinha deve compensar as perdas (Crédito:Leila Melhado)

De quebra, o real desvalorizado também contribuiu. “O produtor fez o dever de casa e nos últimos anos vem aproveitando melhor as relações de troca, fixando bem tanto na compra de insumos, quanto na venda da safra”, afirma Pedro Fernandes, do Itaú BBA.

O resultado beneficiou a balança comercial: em abril as exportações alcançaram o melhor resultado para o mês na série histórica, US$ 10,22 bilhões, batendo o recorde anterior de abril de 2013, US$ 9,65 bilhões. O volume do mês levou o país a ver as vendas ao mercado externo no quadrimestre (janeiro a maio) alcançarem US$ 31,40 bilhões, acréscimo de 5,9% com relação ao período anterior. Mais um recorde registrado pelo campo.

SAFRA RECORDE Produção de soja é a maior da história, com 120,4 milhões de toneladas, 4,7% a mais do que 2018/2019 (Crédito:Divulgação)

Já o mercado interno foi especialmente positivo para produtos não perecíveis como grãos e, fugindo dessa categoria, até mesmo para o leite. “Quando o Brasil decidiu ser o país do agronegócio, começamos a empoderar o produtores e mesmo a complexa cadeia do leite vem apresentando resultados consistentes com grande capacidade de expansão”, analisa Mário Eduardo Pulga, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), entidade que prevê alta de 2% para a produção de leite no ano.

Na contramão, frutas, verduras, hortaliças, flores, peixes e camarões sofreram com o isolamento, assim como produtos de maior valor agregado. “Problemas de entrega de mercadorias nos centro de distribuição, o impacto do isolamento no consumo final, além da queda do preço de algumas commodities prejudicaram o desempenho e a rentabilidade de algumas culturas”, explica Conchon, coordenador econômico da CNA.

O Valor Bruto da Produção deve ser o melhor da série histórica, com R$ 740,3 bilhões

EXCEDENTES

De maneira geral, no entanto, o cenário é positivo para a grande maioria das commodities. Ganha destaque a soja com uma safra recorde (leia mais no box ao lado). A cultura do arroz também surpreendeu com produção 3,5% maior no primeiro trimestre deste ano contra o primeiro trimestre do ano anterior, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE). Para o fim do ano, o Instituto Riograndense do Arroz (Irga) já trabalha com a possibilidade de exportar um provável excedente: de safra estimada em 7,2 milhões no início do ano na região, a expectativa agora é de superar 8 milhões de toneladas. Para o país, a estimativa do IBGE é de 10,4 milhões de toneladas, 0,9% a mais do que em 2019.

Ainda entre os grãos, o milho não teve o desempenho esperado no trimestre e dados do IBGE mostram queda de 3,4% na produção, contra janeiro a março de 2019. A necessidade de replantio das sementes devido à estiagem no Sul do País, foi uma das explicações para perdas que chegaram a 40% em algumas regiões. A expectativa de um bom desempenho futuro pode mudar o cenário. “Esperamos produzir mais de 70 milhões de sacas na safrinha, fechando o ano com mais de 100 milhões de sacas, o que é um resultado excelente”, afirma Alysson Paolinelli, presidente da Abramilho. Para 2020/2021, estima-se crescimento de 3% na área de plantio da cultura e um resultado recorde de 109 milhões de toneladas em estimativa do Itaú BBA.

Enquanto o milho começou o ano decepcionado e deve mostrar recuperação até dezembro, o setor sucroalcooleiro faz movimento contrário. “No ano safra 2019/2020, o etanol foi a grande estrela com recorde de produção e moagem de 590 milhões de toneladas”, afirmou Guilherme Pessini, Superintendente do Agronegócio do Itaú BBA. O açúcar também se beneficiou do câmbio. Mesmo com o preço internacional nada atrativo, o produto exportado conseguiu rentabilizar bem o exportador. Tudo parecia correr muito bem entre janeiro e fevereiro. Foi então, que a Covid-19 apareceu. “Em meados de março formou-se a tempestade perfeita” explica Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O recuo em mais de 50% no preço do petróleo; a redução de 40% no preço do etanol; e, a retração no consumo de combustíveis no mercado inteno, devido ao isolamento social, atingiram em cheio o setor e, mesmo que ainda não calculado, o impacto promete ser grande. “Os produtores do Centro-Sul, onde está localizada mais de 90% da cana do país, iniciaram a safra em 1º de abril com um mercado sem preço, nem demanda”, explica Gussi. As incertezas que rondam o fim do isolamento e a dificuldade na retomada da economia prejudicam as estimativas, tornando o açúcar como opção menos arriscada para o aproveitamento da cana.

Outra cultura que já começou a computar o efeito da Covid-19 foi a cafeeira. Hotéis, restaurantes e cafeterias que correspondem a 30% do consumo do produto foram os primeiros a fecharem as portas e o consumo doméstico não absorve a produção. O baque foi grande, no entanto, deve ser amenizado pela excelente safra. “Nos surpreendemos com a qualidade e quantidade dos grãos o que nos faz crer que vamos superar a estimativa oficial de produção de 60 milhões de sacas”, afirma Ricardo Silveira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Dados do Itaú BBA apontam mais 9 milhões de sacas além do esperado.

Para o segundo semestre, produtores observam os impactos da covid -19 na economia e na renda da população

“Os produtores de cana do Centro-Sul iniciaram a safra em 1º de abril com um mercado sem preço, nem demanda” Evandro Gussi, presidente da Unica (Crédito:Genilson Frazao)

TURBULÊNCIAS

O ritmo aquecido poderia ser ainda mais veloz caso algumas ameaças não atrapalhassem o caminho. A reboque do isolamento imposto pelo Covid-19, o desemprego – ou a ameaça dele – está promovendo o efeito substituição. “Muitas famílias tiveram uma queda abrupta de renda. Ainda que ninguém pare de comer, a escolha será por alimentos mais baratos”, esclarece Renato Conchon, da CNA.

Ainda com relação ao abastecimento interno, alterações nos canais de distribuição trarão prejuízo. Produtores de proteínas animal que investiram no food service estão perdendo o jogo para quem priorizou o varejo. “Se antes o varejo era visto como uma estratégia mais arriscada devido a estrutura mais cara e atributos bastante específicos, hoje é o grande canal para alguns setores como o de carne”, afirma Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA.

“Nós nos surpreendemos com a qualidade e quantidade dos grãos, o que nos faz crer que vamos superar a estimativa oficial de produção de 60 milhões de sacas” Ricardo Silveira, presidente da ABIC (Crédito:Divulgação)

Para além da questão do Covid-19, possíveis intempéries climáticas e gestão de custos estão no radar de alertas. De acordo com Felipe Pungirum, meteorologista da Climatempo, o inverno rigoroso esperado para todo o País deve trazer geada para o Centro-Sul após agosto, momento da plantação da safrinha do milho, que já sofreu com a estiagem no início do ano.

O clima frio do lado de fora pode contrastar com a temperatura aquecendo para quem ainda enfrenta dificuldades na gestão de custos e de dívidas em dólar. No ano em que o preço da moeda americana subiu mais de 30%, quem não investe em planejamento financeiro corre risco de sofrer solavancos mais fortes. Mas, como o campo já aprendeu que em caso de turbulência é preciso colocar a máscara do oxigênio primeiro em si, 2020 deve encerrar como começou: com o agronegócio voando baixo.

Soja, o ouro do Brasil
Acompanhando o ritmo do mercado, o Grupo Terra Santa (MT) celebra recorde na safra do grão

Da ponte aérea São Paulo-Cuiabá, o CEO José Humberto Teodoro Jr., comanda a produção de soja, milho e algodão da Terra Santa. Mas, se antes, as lideranças faziam questão de afirmar que a gestão era feita com mão de ferro, Humberto faz parte do grupo que defende uma gestão colaborativa e ainda assim direcionada ao resultado. Foi assim, que o CEO de 40 anos levou a Terra Santa a comemorar o recorde histórico da empresa em produtividade de soja, com 63,5 sacas por hectare. Com uma área de plantio de 80.526 hectares e produção de 306,8 mil toneladas, Humberto e os 85 funcionários da empresa não estão sozinhos na celebração dos resultados.

Rasica

A safra de soja 2019/2020 foi recorde no País, com 120,4 milhões de toneladas, 4,7% a mais do que 18/19 (115 milhões), segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para especialistas, o ano já pode ser considerado espetacular tanto pelos bons preços, como pela boa safra. “Ainda que os preços na Bolsa de Chicago tenham caído, a desvalorização do Real e os prêmios nos portos ajudaram os produtores brasileiros”, afirma Guilherme Pessini, Superintendente de Agronegócio do Itaú BBA. Para a safra 2020/2021, a expansão da área de cultivo em 2,4% e o fato do Brasil já ter comercializado 30% da produção com o dólar em alta prometem uma remuneração ainda maior ao produtor.

A Terra Santa, fruto da incorporação da Brasil Ecodiesel, Maeda Agroindustrial e Vanguarda Participações, está preparada para surfar nos bons ventos prometidos. A expectativa é crescimento de 20%. “Começamos a comercialização da safra 2020/2021 em novembro do ano passado, além disso investimos em uma gestão de custos rigorosa, temos um time comercial arrojado que trabalha em sintonia fina com o time de planejamento e uma cultura organizacional voltada para a inovação” explica José Humberto. Com o esforço, Humberto espera para a Terra Santa o mesmo que o País para o campo: um novo recorde dos nossos grãos de ouro, que por aqui são conhecidos como soja.

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