A culpa não é só do presidente Bolsonaro. Nem só do Paulo Guedes. Nem do FHC, do Lula e da Dilma… É de todos eles. A ausência de uma política industrial de longo prazo, desastrosamente confundida por distribuição seletiva de subsídios nas últimas três décadas
Share on twitter
Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

A culpa não é só do presidente Bolsonaro. Nem só do Paulo Guedes. Nem do FHC, do Lula e da Dilma… É de todos eles. A ausência de uma política industrial de longo prazo, desastrosamente confundida por distribuição seletiva de subsídios nas últimas três décadas, tem levado o Brasil a um agressivo processo de desindustrialização. Ano após ano, de forma imperceptível aos olhos da maioria, as empresas que demandam alta tecnologia em seus parques de produção dão lugar a fabricantes de produtos de baixo valor agregado. E o nível está caindo. Exportamos minério de ferro, importamos aço. Exportamos petróleo, importamos lubrificantes. Exportamos soja, compramos farelo. Isso para exemplificar o nível de primarização da nossa indústria – chapas de aço, óleo de motor e farelo são produtos que não simbolizam nenhuma modernidade industrial.

Se você é um negacionista da desindustrialização, só porque seu amigo parece bem de vida naquela antiga metalúrgica do ABC paulista, deveria analisar alguns números da economia brasileira. Segundo o IBGE, nos últimos dez anos o PIB do País cresceu a um ritmo médio de 1% ao ano. No mesmo período, a indústria encolheu 1,6% anualmente, em média. Já a agricultura, na mesma comparação, avançou a uma velocidade de 3,6%. Ou seja, estamos aplaudindo as lavouras – indiscutivelmente importantes – e virando as costas para as linhas de produção. Em 25 anos, a participação da indústria no PIB, que era de 50%, caiu pela metade. A indústria de transformação desabou de 20% para 11%.

No ano passado, 5,5 mil fábricas encerraram suas atividades em todo o País. Em 2015, o Brasil tinha 384,7 mil estabelecimentos industriais e, no fim do ano passado, a estimativa era de que o número tinha caído para 348,1 mil. Em seis anos, foram extintas 36,6 mil fábricas, o que equivale a uma média de 17 fábricas fechadas por dia no período. Os números são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Como tudo isso afeta você? Sem a riqueza gerada pela indústria, o Brasil se consolida como um produtor de alimentos, importador de carros, de eletrônicos e, principalmente, de serviços ligados à alta tecnologia. O País mergulhou num processo de enfraquecimento da produção, natural em economias maduras, muito antes de ficar rico. Com isso, ficaremos ainda mais pobres. O salário per capita continuará baixo, e você terá cada vez mais dificuldade em encontrar um emprego que te pague o suficiente. O pior é que a desfragmentação do setor produtivo é, diretamente, turbinada pelo governo. O chamado IPI, imposto que incide apenas sobre produtos industrializados, é um anabolizante da primarização. Com essa aberração, é melhor vender frango do que o nuggets. Há mais lucro no leite do que no queijo.

Além de assistir de braços cruzados a morte lenta da indústria, o Brasil tem observado, sem esboçar reação, a explosão de novas empresas de serviços mundo afora. O fluxo global de mercadorias está diminuindo, e gradualmente sendo trocadas por produtos digitais. Livros, filmes, música e até cartão do banco hoje chegam em nossas casas pela fibra ótica, vindos de alguma empresa no Vale do Silício – e até nisso o País está fora do jogo. Parte dos brasileiros não se importa com o que está acontecendo, e parece estar feliz. Afinal, vamos bater novo recorde de exportação de soja neste ano.

Campanha consumo de leite – A Campanha da 1ª Semana do Leite, prevista para ocorrer na primeira quinzena de novembro, foi o tema central da 18ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada nesta sexta-feira (17).

Você pode estar interessado em

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Para comentar ou responder, você deve 

ou

Notas
Relacionadas

ASSINE NOSSO NEWSLETTER