Alta do alimento foi quase seis vezes acima da inflação oficial e impactou as famílias cearenses. Veja retrospectiva.
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leite

O custo do leite pesou no bolso do consumidor, sobretudo, para os de baixa renda. Ao longo de 2022, famílias foram obrigadas a deixar de consumir o alimento ou substituí-lo por compostos lácteos e até por soro.

Do outro lado, o mercado capturou a demanda por produtos de baixo custo e passou desenvolver os similares — que confundiram a população. A inflação do artigo também pressionou os derivados, como o queijo e o requeijão.

Essa sequência de acontecimentos demonstra como diferentes realidades são impactadas já pela elevação de um único item. Abaixo, veja retrospectiva dos impactos do leite e o que esperar para 2023.

LEITE A R$ 7 NAS PRATELEIRAS 

Em junho de 2022, o consumidor começou a sentir o impacto da majoração do leite, que pressionou a alta da cesta básica em 10,15%, conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O produto, antes vendido a R$ 4, subiu para R$ 7. A elevação foi provocada pelo período de entressafras no Brasil, sobretudo na região Sudeste, onde está a maior produção nacional.

Naquele período, a pressão do custo da produção em razão do aumento do preço dos combustíveis e da guerra da Rússia contra a Ucrânia puxavam o preço para cima, além das questões climáticas.

SIMILARES PULULAM NOS SUPERMERCADOS E CONFUNDEM OS CONSUMIDORES 

Ainda em junho, a corrosão do poder de compra provocada pela disparada da inflação impulsionou o desenvolvimento de produtos de baixo custo, como os similares, principalmente do leite.

Com rótulos e formatos análogos aos originais, essas mercadorias ocuparam os mesmos espaços nas prateleiras e induziram uma compra inconsciente.

Os mais comuns eram compostos lácteos para substituir o leite em pó, o creme de leite ou condensado. Outro exemplo foi um processado cremoso com aparência de requeijão e uma base vegetal para assemelhar-se ao queijo.

DIFICULDADES PARA CONSUMIR O LEITE 

Em julho, reportagem do Diário do Nordeste mostrou que alguns consumidores foram obrigados a deixar de consumir o alimento, enquanto outros buscavam maneiras de substituí-lo pelos similares citados acima.

Em casos mais extremos, famílias trocavam pelo soro de leite. Uma especialista alertou que a troca do leite pelo composto lácteo pode causar riscos à saúde. Mas, para muitos, não havia escolha.

LEITE CHEGA A R$ 10, E SUPERMERCADOS REDUZEM VARIDADES DE MARCAS

Ainda em julho, pesquisa do Diário do Nordeste apontou que o preço do leite variou de R$ 4,99 a R$ 10,39. Em alguns estabelecimentos, a marca mais barata custava R$ 7,49. Nesse cenário, varejistas cearenses ofereciam o produto em quantidades menores e pouca variedade de marcas.

Conforme a Associação Cearense de Supermercados (Acesu) informou, naquela época, não havia risco de desabastecimento, mas as empresas buscavam estratégias para evitar o repasse dos preços cobrados pela indústria.

Por isso, justificou, observou-se a ausência de algumas marcas.

COMO ESTÁ A SITUAÇÃO NESTE FIM DE ANO?

No acumulado do ano até novembro, o leite registrou inflação de 32,56%, em Fortaleza, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE).

O percentual é quase seis vezes maior que a inflação geral registrada no período (5,12%).

Ou seja, continua pesando no orçamento das famílias. Nas gôndolas, consumidores encontram o leite de R$ 5 a R$ 6, mas há diversas variações, a depender da marca e do local.

O QUE ESPERAR PARA 2023?

O economista Alex Araújo lembra que, neste ano, os aumentos sofreram forte influência ainda da crise provocada pela pandemia da Covid-19 e pelo agravamento com a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Razões, lista, que subiram o preço da ração, vacina, commodities e uma série de insumos da produção leiteira. As questões climáticas também contribuíram para a situação.

Araújo pondera que os conflitos no leste europeu continuam, mas há uma expectativa de clima mais estável em 2023. Nesse contexto, a previsão é de estabilidade do valor do leite. “Temos uma indústria leiteira moderna e com produtos de alta qualidade”, reforça.

“Não são esperados novo picos no curto prazo. Por outro lado, não devemos ver um grande retorno dos preços vistos entre 2019 e 2021, por exemplo”, avalia.

O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios no Estado do Ceará (Sindlaticínios), José Antunes Mota, pondera, contudo, haver diversas variáveis econômicas ainda indefinidas,

Ele frisa ser necessário aguardar as políticas de exportação a serem adotadas pelo novo governo e se “haverá uma priorização de abastecimento do mercado interno” para projetar cenários em 2023.

Boletim de Preços
Informe com análise e acompanhamento das variações de preços de indicadores de interesse da cadeia do leite.

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