No Dia do Agricultor, morador de Vitor Graeff, na região norte do Estado, é exemplo de vigor na atividade e avisa que pretende trabalhar mais uma década.
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Agricultor
Ernani Schreiner acorda às 5h para fazer o manejo das 32 vacas e entregar 750 litros de leite por dia à CCGL | Foto: Ernani Schreiner/Arquivo Pessoal

Todos os dias, há quase três décadas, o agricultor Ernani Lúcio Schreiner, prestes a completar 73 anos de idade, salta da cama às 5h para a lida na produção de leite. Muito antes, ainda na infância, pelos 10 anos, começou o trabalho como ajudante dos pais no plantio de grãos e na suinocultura. A propriedade ainda é a mesma, no primeiro distrito de Victor Graeff, na região Norte do Rio Grande do Sul.

Schreiner herdou a área dos pais, que a haviam recebido de seus avós. Dividiu o terreno com os irmãos, que venderam suas parcelas e foram trabalhar em outros locais. Ele ficou com um terreno de 20 hectares, onde ocupa o solo com o plantio de pastagens para o gado leiteiro e semeia alimentos para a subsistência da família.

No Dia do Agricultor, comemorado nesta quinta-feira, em todo o Brasil, Schreiner garante que não consegue se imaginar em outra profissão, e que, inclusive, mesmo aposentado formalmente e já septuagenário, não pensa em abandonar a labuta. “Vejo, para mim, pelo menos mais uns 10 anos de trabalho”, projeta.

Junto com o filho Volnei e a nora, Nêmora, seu Ernani administra um tambo com produção diária de 750 litros de leite. Tem 32 vacas em lactação, seis próximas do parto e mais 20 novilhas em crescimento. O leite que produz é entregue para a Cooperativa Central Gaúcha Ltda (CCGL). O produtor acredita que ao longo dos anos, com a assistência técnica, o melhoramento tecnológico e a industrialização, o ofício de agricultor ficou mais fácil. “É uma profissão tão boa como qualquer outra, com a vantagem de se ganhar melhor, em muitas situações que trabalhador da cidade”, diz.

Quanto à remuneração do leite, Schreiner reconhece que ela é marcada pelos altos e baixos, mas entende que o custo benefício é maior do que o do plantio de grãos ou da criação de suínos, que a família já teve e decidiu abandonar. Se ele acha penosa a vida de produtor de leite? Que nada. “Para nós, não tem sol, nem chuva e nem geada que afete. Não tivemos nenhum problema na pandemia, nunca paramos. Levantamos sempre e vamos cuidar das vacas e produzir”, dispara, acrescentando que a esposa, Gisela, de 71 anos, hoje com algumas limitações físicas por conta da saúde, também é parceira no trabalho. “No momento, o preço, pra nós, está muito bom e justo. O que não é justo é chegar para o consumidor no mercado a mais de R$ 7,00. Aí as pessoas acham que somos nós que estamos ganhando tudo isso, jogam a culpa no produtor, e não é. Toda a cadeia ganha em cima do leite”, diz.

Seu Ernani tem dois netos, gêmeos, Gabriel e Bruno, de 18 anos, que, segundo ele, auxiliam muito nas atividades de produção da granja. A ajuda deve, entretanto, se encerrar no final deste ano, já que os dois jovens estão se preparando para ingressar na Universidade. “Bruno quer fazer Medicina e o Gabriel, Engenharia”, conta o avô, orgulhoso. O agricultor acredita que a sucessão familiar, em sua propriedade, vai se dar pelo interesse do filho, Volnei, pai dos gêmeos. “Os jovens, quando saem pra estudar, dificilmente voltam para o campo e a gente tem de aceitar isso”, reflete.

Além do filho, da nora e dos netos, Ernani tem a filha Daniela Fabiane, que também mantém granja de produção de leite, mas na cidade de Selbach.

Apoio ao agricultor foi fundamental na estiagem

Pequeno produtor de grãos em Arroio Bonito, distrito de Sobradinho, na região Central do Rio Grande do Sul, Alceu Mariani viu na assistência técnica uma alternativa para preservar seus investimentos na soja em tempos difíceis, como foram os da safra 2021/2022. Participante do programa Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS), Mariani conseguiu colher, na mais severa estiagem do Estado nos últimos anos, 65 sacos da oleaginosa em cada um dos 16 hectares que planta. O volume é cerca de dois terços do que colheu na safra 2020/2021, quando chegou a 90 sacos por hectare, mas mais que o dobro da média que os sojicultores gaúchos obtiveram na safra que se encerrou este ano, de cerca de 30 sacos por hectare.

“O programa ATeG nos ajuda com o lado financeiro da propriedade e com a orientações de um agrônomo, que nos orienta como fazer o manejo certo, na quantidade certa, do produto certo. A gente sabe plantar e aprendemos agora a aproveitar ao máximo os recursos”, elogia Mariani.

O programa ATeG atua em 11 cadeias produtivas: agricultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, ovinocultura, apicultura, aquicultura, avicultura, fruticultura, suinocultura, agroindústria e olericultura. Oferece acompanhamento técnico durante dois anos em cinco etapas: diagnóstico produtivo individualizado; planejamento estratégico; adequação tecnológica; capacitação profissional e avaliação sistemática de resultados.

No segundo semestre deste ano, conforme dados exclusivos do Senar-RS, 230 grupos são atendidos pelo ATeG, totalizando 5.797 produtores. Dentre estes, 51 grupos e 1.321 produtores fazem parte da cadeia de agricultura. Em 2021, foram 163 grupos e 4.327 produtores, sendo que apenas 37 grupos e 1.037 produtores eram referentes à agricultura.

Carta aberta pede valorização

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS) lançou carta aberta à população para valorizar o agricultor familiar na semana que o homenageia. Conforme a entidade, 23% das terras agricultáveis do Brasil são ocupadas pelos agricultores familiares, sendo que 70% dos alimentos consumidos pelo cidadão brasileiros são oriundos destes plantios. A federação, que terá reunião com o governador, Ranolfo Vieira Júnior, hoje, cita que 80% dos alimentos consumidos no mundo são produzidos por agricultores familiares, camponeses e indígenas.

O rigoroso controle de custos e as melhorias de produtividade permitem que a Danone compense até certo ponto o aumento dos custos.

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