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Bahia |27 agosto, 2018

Leite | Alta do preço do leite não ajuda o produtor

Valores pagos na saída das fazendas não cobrem custos de produção.

O preço do leite em Salvador e Região Metropolitana registrou um aumento médio de 5,96%. Os dados são do Departamento Intersindical de Estudos Socais e Estatísticos (Dieese), que apurou que o litro do leite na RMS alcançou uma média de R$ 4,09.
De acordo com o órgão, a elevação dos preços do produto foi registrada em todas as capitais. A seca que atinge algumas regiões e prejudica as pastagens, e consequentemente a alimentação do rebanho, é apontada como fator principal para a baixa oferta e a alta no preço do produto. Soma-se a isso a entressafra dos estados do Centro Sul.

Mas, nas fazendas, o litro do leite tem variado de R$ 0,85 a R$ 1,50. Valor que não cobre os custos de produção e desestimula os produtores.

O Brasil tem tudo para produzir mais leite, entretanto o setor ainda enfrenta vários entraves. É o que afirma o relatório publicado esta semana no Anuário do Leite 2018.

Muito especialistas consideram que o setor é marcado por incertezas, que influenciam nos custos e nos preços. “A volatilidade dos valores pagos determina a dieta do gado, a intensidade do manejo e a oferta do produtor. É assim no mundo inteiro, mas no Brasil as coisas andam confusas, elevando valores para produtor e consumidor”, afirma Nelson Rentero, editor do Anuário.

A publicação é inédita e traz indicadores, tendências e oportunidades para quem vive no setor leiteiro.  A pesquisa mostra que a indústria de laticínios faturou mais de R$ 70 bilhões no Brasil em 2017, um crescimento de 4% em relação a 2016. Aponta ainda que houve um aumento no consumo dos derivados do leite, como queijo, manteiga, iogurte, leite condensado, creme e doce de leite.

O estudo foi realizado através de uma parceria entre a Embrapa Gado de Leite e a Texto Comunicação Corporativa. O Anuário Leite está disponível na internet no site da Embrapa Gado de Leite e pode ser acessado aqui

Oscilações históricas

Os dados do Anuário revelam ainda os sinais de um setor que enfrenta muitos problemas para manter uma produção constante e consistente. Ora alta do preço e da produção, ora queda drástica.

Nas últimas cinco décadas o setor leiteiro vive numa balança radical. É protagonista de uma ciranda complexa que transita entre extremos de valorização e desvalorização acentuadas.

Segundo dados do IBGE, entre 1974 e 2014, a produção nacional de leite quase quadruplicou. Em 40 anos, passou de 7 bilhões para mais de 35 bilhões de litros de leite por ano. Esta produção consolidou a posição do Brasil entre os quatro maiores produtores do mundo. Mas o país ainda importa cerca de 169 milhões de litros para atender à demanda interna.

Já entre 2015 e 2017 o setor registrou variações marcantes de queda, provocadas por vários fatores. Em um primeiro momento, a crise econômica e a expressiva redução de renda das famílias causaram uma queda radical no consumo. Em outro momento, a maior oferta no mercado diminuiu o preço do leite no setor primário. Mas, nesta mesma ocasião, o aumento do preço da ração elevou os custos de produção.
Nos últimos anos um fator externo também fez a diferença: a queda no preço internacional do produto estimulou as importações e tornou o leite de fora do país mais competitivo do que o nacional.

Nos últimos dois anos, mais uma reviravolta. As longas estiagens fizeram diminuir a oferta e voltaram a provocar a subida dos preços. Até que a safra recorde de grãos, registrada este ano, reduziu o custo de produção, influenciando mais uma vez no equilíbrio das cotações.

Por estas e outras, os especialistas que assinam o Anuário 2018, indicam que a cadeia produtiva do leite possui uma diversidade de fatores que exigem análises profundas dos principais mercados do mundo. Eles orientam os produtores a analisarem os indicadores antes de tomarem decisões para adequar a gestão das fazendas.

Consumo na Bahia

O leite é um dos alimentos mais consumidos no mundo. Na Bahia, o consumo médio por pessoa é de 170 litros de leite por ano, dentro da média nacional. O estado produz muito leite, mas a quantidade está longe de abastecer o mercado interno. A produção na Bahia se espalha por todas as regiões, mas os grandes laticínios estão localizados nos municípios de Itapetinga, Ibirapuã, Irecê e Jaborandi.

Apesar de ser o maior produtor do Nordeste, a Bahia produz apenas 834 milhões de litros de leite por ano, cerca de 2,55% da produção nacional. O déficit anual para atender o mercado interno chega a 1 bilhão e meio de litros. O estado importa leite, principalmente da Argentina e do Uruguai.

“Nós somos o quarto mercado do Brasil e só produzimos um terço do que consumimos. A Bahia tem um grande parque industrial implantado, mas está ocioso na sua maioria, trabalhando abaixo de 30% da capacidade de industrialização. A nossa luta é para que esta situação se reverta, com a capitalização das agroindústrias e com mais capacitação. Atualmente as políticas fiscais de fora do estado não beneficiam a produção interna. Inviabilizam a indústria e o produtor da Bahia”, pontua José Antônio Araújo, diretor da Associação dos Produtores de Leite da Bahia.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite do Estado, a cadeia produtiva do leite gera cerca de 80 mil empregos diretos na Bahia. A maioria das empresas são de pequeno e médio porte.

Projeto

Este mês, a Comissão Baiana do Leite aprovou a criação de um Projeto Piloto para incentivar a cadeira produtiva em nove municípios baianos. O projeto prevê ações integradas, como a formulação de políticas públicas e assistência técnica.

Os municípios escolhidos para fazer parte do projeto são Ruy Barbosa, Marcionílio Souza, Itaberaba, Ipirá, Baixa Grande, Santa Luz, Queimadas, São Domingos e Valente.

“Nós vamos começar a construir também um planejamento estratégico para fomentar o setor com ações de curto, médio e longo prazos. Precisamos definir as prioridades, desde assistência técnica, melhoria da qualidade do leite, viabilização das indústrias, a questão tributária e a integração dos elos da cadeia. Outro problema é a sazonalidade do leite. Nós produzimos muito na época da chuva e quase nada na seca. É preciso equilibrar a produção”, destaca Luiz Sande, secretário executivo da Comissão.

O projeto inclui a distribuição de mudas de palma forrageira; instalação de tanques de resfriamento; treinamentos pelo Senar Bahia, entre outras ações. A comissão é formada por produtores, entidades de classe, universidades e instituições privadas.

Também está disponível no site da Embrapa um Guia Prático de Qualidade do Leite para pequenos produtores. O manual traz orientações para manter a qualidade do leite cru refrigerado em tanques coletivos. Traz ainda recomendações desde a ordenha até o transporte para o laticínio.

O manual aborda questões técnicas relacionadas à produção, armazenamento e transporte de leite, contendo um guia para coleta de amostras para análise. A aplicação dessas recomendações na cadeia leiteira de pequena escala contribui para o aumento do lucro e da qualidade do leite ofertado ao consumidor final.

O manual está disponível gratuitamente no Portal da Embrapa e pode ser acessado aqui

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