Nos primeiros meses de 2020 o cenário que se desenhava era o de baixa perspectiva quanto a melhorias nas condições produtivas para o setor lácteo brasileiro.
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Nos primeiros meses de 2020 o cenário que se desenhava era o de baixa perspectiva quanto a melhorias nas condições produtivas para o setor lácteo brasileiro. O principal fator que preocupava o setor era a baixa atratividade promovida pelas cotações do litro de leite pago ao produtor e a falta de perspectivas quanto a um cenário mais favorável.

Contudo a visão que se construía naquele momento se mostrou bem menos desafiadora do que realmente o ano se revelou, graças principalmente às implicações promovidas pela pandemia que culminou em incremento no consumo e consequentemente uma recuperação dos preços pagos pela matéria prima.

Para o produtor, a capacidade de gerir custos e com isso obter melhores margens com a atividade foi colocada à prova praticamente o ano inteiro. Para ilustrar parte desse desafio, a seguir são apresentados dados monitorados pelo Projeto Campo Futuro, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-ESALQ/USP)

  • Custo Operacional Efetivo (COE), aquele referente ao desembolso efetivo do produtor, registrou valorização acumulada no total do ano de 23,24% na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP).
  •  O principal fator influenciador para a elevação dos custos na pecuária leiteira foi o aumento dos gastos com alimentação concentrada (ração) do rebanho. O aumento acumulado para esse insumo foi de 44,13% no fechamento de 2020.
  •  Outro insumo que também contribuiu para a valorização dos custos foram os gastos com a suplementação mineral que registrou elevação de 13,24% no acumulado do ano.

Gráfico 1. Variação em 2020 do Custo Operacional Efetivo (COE) e dos gastos com Adubos e Corretivos, Alimentação Concentrada e Suplementação Mineral na Pecuária Leiteira


Fonte: Projeto Campo Futuro (CNA/SENAR) – Elaboração: Cepea/Esalq-USP/CNA

Analisando especificamente os gastos com concentrado, a influência dos preços das matérias primas para produção deste produto foi significativa ao longo de 2020.

A soja se valorizou em 74,5% e o mesmo aconteceu com o milho, que no mesmo período teve elevação de 47,5%. Diante desses dados, o comportamento da relação de troca entre o preço médio recebido pelos produtores de leite ao longo de 2020 e o preço pago pela saca de milho pode ser analisado no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Comportamento da relação de troca entre o preço médio recebido pelo litro de leite ao longo de 2020 e o preço médio da saca de 60 kg de milho.


Fonte: Projeto Campo Futuro (CNA/SENAR) – Elaboração: Cepea/Esalq-USP/CNA

Após o período de janeiro a maio de 2020, onde o poder de compra do produtor se manteve praticamente constante, a melhora nos preços recebidos pelo litro de leite comercializado entre junho a setembro, proporcionou aos produtores um certo fôlego com relação as suas margens.

Contudo, ao final do ano esse indicador voltou a sinalizar perda no poder de compra por parte dos produtores. Para adquirir uma saca de milho de 60kg no mês de dezembro foram necessários 35,43 litros de leite, praticamente o mesmo valor observado um ano antes.

Em média, a relação de troca (Leite/Saca de Milho) no ano de 2020 foi de 34,34 litros/ saca, 21,82% maior que em relação média do ano de 2019.

Por fim, analisando a margem bruta unitária da atividade leiteira, indicador que reflete a diferença entre o preço recebido pelo litro de leite e o custo operacional efetivo (COE) por litro, tem-se a evolução demonstrada no Gráfico 3.

Gráfico 3 – Evolução da Margem Bruta por litro de leite com base no resultado obtido em janeiro de 2017.


Fonte: Projeto Campo Futuro (CNA/SENAR) – Elaboração: CNA

Utilizando como parâmetro dados do Projeto Campo Futuro (CNA/Senar), a margem bruta por litro esteve em média ao longo do primeiro semestre de 2020, 28,3% menor do que a observada no mês referência, janeiro de 2017.

Influenciado pela considerável alta dos preços a partir de julho, a margem bruta unitária se recuperou no segundo semestre de 2020, fechando o ano com um resultado médio 4,85% maior ao dado observado no mês de janeiro de 2017 (valores corrigidos pelo IGP-DI de dez/20).

Para o novo ano que se inicia há uma série de fatores que tendem a influenciar o gerenciamento da atividade leiteira no país, entre eles:

  • Possível cenário de menor consumo interno;
  • Fim do pagamento do auxílio emergencial;
  • Menor estímulo ao aumento da produção no campo devido às condições desfavoráveis promovidas pelos preços de insumos

O ano de 2021 deverá ser planejado pelos produtores com prudência e total controle de seus processos produtivos.

No total, 57 prêmios vieram para o Brasil; produção do queijo mineiro já é reconhecido como patrimônio cultural imaterial.

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