Cavalos e gado têm morrido ou ficando desnutridos devido ao problema, causando prejuízos financeiros
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Cavalos e gado têm morrido ou ficando desnutridos devido ao problema, causando prejuízos financeiros

Produtores rurais que foram afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, denunciam a situação atual que seus animais vivem, devido à precariedade das propriedades rurais a eles oferecidas pela Fundação Renova e à falta de qualidade de alimentação, principalmente silagem. Cavalos e gado estão morrendo ou tendo problemas graves de saúde devido a isso.

De acordo com o criador Marino Júnior, ex-morador de Paracatu de Cima, devido aos alimentos oferecidos desde que ele foi reassentado, três éguas abortaram, seis cavalos morreram, sendo dois por desnutrição e quatro que caíram em buracos dentro do sítio. Além disso, 17 cavalos estão desnutridos atualmente. Oito bovinos também morreram.

“Eu estou tendo que desmamar os potros antes da hora, porque as éguas emagreceram muito. Se não tirar, morre os dois. Tive que separar os potros e tratar deles para ver se recuperam e param de sugar a mãe. Até o momento, são quatro abortos”, disse.

“Antes do rompimento, eu tinha 65 vacas, sendo de 45 a 50 em lactação, que tiravam de 700 a 800 litros de leite em média. Agora, tenho 26 vacas, 20 em lactação, com a produção de 250 litros de leite por dia”, relatou Júnior.

De acordo com o pecuarista, se a Renova fornecesse alimentação de qualidade, os custos seriam bem menores. “A Fundação Renova não preocupa em resolver o problema na raiz. Isso tudo que vem acontecendo aqui é porque simplesmente eles não querem me dar alimentação adequada, de qualidade e em quantidade. Porque eles gastam muito mais mantendo a alimentação ruim, porque eles levam animais para o hospital, fica lá seis meses internado”, afirmou.

“Tem um amigo meu, que é criador de cavalos e é um cara rico, levou um animal lá, ele ficou uns 16 dias internado, e o cara pagou R$ 20 mil pela estadia desse cavalo no hospital. Imagina uns três cavalos meus que ficaram lá quase um ano? Alguns fizeram cirurgia na barriga por causa de alimentação, outros tiveram problema de casco, laminite, uma infecção muito forte. A Renova gasta muito mais fazendo os atingidos sofrerem do que resolver os problemas e serem efetivos.”, completou.

Silagem

Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é chamado silagem a forragem verde, suculenta, conservada por meio de um processo de fermentação anaeróbica. Quando bem feita, o valor nutritivo da silagem é semelhante ao da forragem verde.

Denúncias

O problema não se resume apenas à propriedade de Marino. Conforme parecer emitido pela Cáritas Brasileira – confederação de 162 organizações humanitárias da Igreja Católica e que atua na ajuda aos mais pobres –, outros propriedades rurais, dentre as mais de 180 amparadas pela Fundação Renova em Mariana e região, passam por problemas parecidos.

“Diversos têm sido os relatos de insatisfação, dos atingidos, quanto ao fornecimento de silagem por parte da Fundação Renova (Samarco – Vale – BHP Billiton). Em alguns casos, atingidos e atingidas, relatam que o fornecimento foi diminuído ou que tiveram seu aumento negado, quando solicitado, com a justificativa de que ‘os rebanhos não podem crescer'”, informa.

Para a organização, esse tipo de alimento não é ação de reparação. “O fornecimento de silagem não cessa os diversos prejuízos decorrentes da perda de pastagens e se configura como ação emergencial de mitigação, e não de reparação. Os argumentos referentes a esse esclarecimento estão dispostos a seguir”, afirmou no documento.

A deputada federal Áurea Carolina (PSOL) enviou um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pedindo a análise da situação dos atingidos e que os órgãos tomem as providências cabíveis.

Outro lado

Em nota, a Fundação Renova, responsável pelas reparações à natureza e às pessoas atingidas pela tragédia de 2015, afirmou que vem fornecendo alimentação animal para os produtores impactados diretamente pelo rejeito. Ela esclareceu que, para esse fornecimento, existem critérios que levam em consideração o impacto e as áreas das propriedades rurais e das áreas urbanizadas.

Leia o posicionamento na íntegra:

“A Fundação Renova informa que, desde de novembro de 2015, vem fornecendo alimentação animal para os produtores impactados diretamente pelo rejeito decorrente do rompimento da barragem de Fundão. Até o momento, já foram entregues mais de 45 mil toneladas de alimentos. A Fundação tem como obrigação manter esse atendimento até que a retomada das atividades produtivas seja realizada, conforme cláusula 125 do Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta.

A Fundação esclarece que para esse fornecimento existem critérios que levam em consideração o impacto e as áreas das propriedades rurais e das áreas urbanizada. A quantidade de alimentação animal fornecida para cada família é avaliada por profissionais especializados e o manejo dessa alimentação é de responsabilidade de cada família, não sendo fiscalizado pela Fundação.

Além disso, os animais também são assistidos pelo Programa de Assistência aos Animais, recebendo atendimento de veterinários conforme a necessidade demostrada pelas famílias. Os animais adquiridos após ocorrência do rompimento não são abarcados pelo Programa da Fundação Renova.

A Fundação esclarece, ainda, que há famílias que têm se recusado a receber a alimentação fornecida sob o argumento de  não concordar com o tipo de alimentação. Tal fato será demonstrado ao Ministério Público para investigação.

A Fundação Renova reitera que todos os produtores têm canal aberto com as equipes da Renova para demais esclarecimentos que se fizerem necessários em relação às quantidades de insumos que estão recebendo e aos critérios estabelecidos, sempre guardando a isonomia do processo.    

Ações

A Fundação Renova também apoia os produtores rurais que foram impactados pela passagem do rejeito por meio da implantação de um modelo de produção econômica sustentável adequado à realidade local. Entre as ações têm destaque o fomento e o apoio à readequação ambiental dessas propriedades conforme preconizam as normativas da legislação brasileira.

Nas propriedades na região do Alto Rio Doce, localizadas em um trecho de 100 quilômetros entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado:

– Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da bacia do rio Gualaxo do Norte e da microbacia do rio do Carmo concluído;
– Aproximadamente 200 propriedades diagnosticadas e monitoradas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA) – mais de 4.000 índices avaliados;
– Mais de 180 propriedades rurais estão recebendo ações para promover a retomada de suas atividades agropecuárias;
– Todas essas propriedades são elegíveis ao Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (PASEA), que tem como objetivo promover a adequação ambiental, melhoria de estruturas rurais, entre outras medidas;
– Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER):  mais de 3.800 horas realizadas a partir do segundo semestre de 2019 até o momento;
– Cerca de 160 hectares impactados pelo rompimento da barragem de Fundão são passíveis de plantio de cultura agrícola e serão recuperados;
– Mais de 2.800 hectares de áreas que não sofreram impactos serão requalificados, sendo 1.400 hectares já executados, ampliando-se a cadeia de sustentabilidade econômica e ambiental da região;
– 25 Unidades Demonstrativas serão implantadas;
– Parceria entre Fundação Renova, WRI Brasil, Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (ICRAF) e Fazenda Ecológica;
– 16 propriedades já possuem Unidades Demonstrativas implantadas na região do Alto Rio Doce;
– 780 infraestruturas rurais simples concluídas, entre currais, chiqueiros e galinheiros;
– 437 barraginhas construídas para armazenar água da chuva;
– Mais de 49 mil toneladas de silagem entregues para produtores rurais impactados;
– 187 nascentes cercadas e 48 nascentes com plantio florestal realizado.”

 

No total, 57 prêmios vieram para o Brasil; produção do queijo mineiro já é reconhecido como patrimônio cultural imaterial.

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