Deve-se acompanhar os desdobramentos das recentes valorizações do preço do leite no mercado spot e do UHT no atacado e se esses aumentos terão sustentação na ponta da cadeia.
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Deve-se acompanhar os desdobramentos das recentes valorizações do preço do leite no mercado spot e do UHT no atacado e se esses aumentos terão sustentação na ponta da cadeia.

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No cenário internacional, após uma crise em 2015 e 2016, os anos de 2017 e 2018 foram de relativa estabilidade nos preços do leite, com média 7% superior ao patamar histórico de US$ 0.38/kg.
 
No Brasil, a média dos preços dos últimos dez anos foi R$ 1,33/litro, patamar 10% superior ao indicador mundial IFCN, equivalente a R$ 1,21/litro, em valores corrigidos pelo IPCA para julho de 2019.
 
Comparando com o concentrado, em 2018, a média anual de preços corrigidos do leite fechou em R$ 1,44/litro e do concentrado em R$ 0,89/kg, valores 8% e 3% acima dos respectivos patamares históricos.
 
Considerando o consumo de concentrado na proporção de um quilo para cada três litros de leite produzidos, o custo do concentrado para produzir um litro de leite foi de R$ 0,29/litro (média real de dez anos). Assim, para cada litro de leite vendido (R$ 1,33/litro), a margem sobre o concentrado (ou valor remanescente para pagar os demais custos da atividade), foi de R$ 1,04/litro (Figura 1). De janeiro a julho de 2019 a média ficou em R$ 1,27/litro. Em julho de 2019, essa margem caiu para R$ 1,22/litro, mas ainda 17% acima da média histórica.
 
Figura 1 – Evolução das margens sobre o custo do alimento concentrado (proporção de 3 litros de leite/kg de concentrado), Brasil.
Fonte: CEPEA (2019); IEA (2019). Elaboração: Embrapa Gado de Leite
 
As margens mais elevadas ao produtor favoreceram incremento da produção. Dados preliminares sobre a captação de leite no Brasil, no acumulado de janeiro a junho indicam aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2018. Para esse segundo semestre de 2019, a expectativa é de piora da margem sobre o concentrado para o produtor de leite: diminuição dos preços do leite, com o início do período da safra e aumento gradativo no custo do concentrado.
 
Nos demais elos da cadeia observa-se dificuldade de repasse de preços da indústria ao setor varejista para recompor suas margens. Dessa forma, a indústria teve como saída reduzir o preço ao produtor ainda em julho, o que deve persistir pelo menos em agosto. Assim, as margens do produtor, ainda atraentes, podem se reduzir ao longo do segundo semestre.
 
De toda forma, deve-se acompanhar os desdobramentos das recentes valorizações do preço do leite no mercado spot e do UHT no atacado e se esses aumentos terão sustentação na ponta da cadeia. Outra questão é como virá a produção brasileira de leite nesse 2º semestre com o início da safra e o equilíbrio entre oferta e demanda de modo a determinar a trajetória dos preços ao produtor.
 
Considerando os preços observados em julho, comparativamente com as variações de preços reais, em termos sazonais e típicas para o mês de julho:
 
1. Preço bruto ao produtor – R$ 1,51/litro está 6% acima do valor esperado para o mês de julho, de R$ 1,42/litro;
 
2. Preço do concentrado – Valor estável, de R$ 0,85/kg, em termos de sua média histórica de R$ 0,84/kg;
 
3. Margem sobre o concentrado – Em R$ 1,22/litro, valor 7% acima do patamar histórico, de R$ 1,14/litro, típico para o mês de julho;
 
4. Preço do leite UHT – No varejo, o indicador ficou em R$ 3,22/litro, valor 18% abaixo, como valor esperado para o mês, de R$ 3,93/litro;
 
5. Preços internacionais – Preços internacionais do leite em pó em leve crescimento, o que é positivo para os produtores brasileiros;
 
6. Consumo – Pouca expectativa de crescimento do consumo nacional de produtos lácteos, e dependente de crescimento do PIB.

Os primeiros produtos lácteos processados consumidos pelo homem foram provavelmente produtos lácteos de cultura há cerca de 8.000 a 12.000 anos. 

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