O preço do leite ao produtor captado em abril e paga em maio pode ultrapassar 5% na Média Brasil (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP).
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Foto: Irene Mendes/Emater RO/Gov. RO/Divulgação

É o que projeta a edição de maio do Boletim do Leite do Cepea – Esalq/USP, divulgado nesta semana. No acumulado do ano, os valores pagos aos pecuaristas leiteiros subiram 9,7% (valores deflacionados pelo IPCA de abril/22).

“A valorização de leite no campo ocorre devido à menor oferta, que tem intensificado a concorrência entre as indústrias de laticínios para assegurar a captação de matéria-prima. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea caiu 0,5% de fevereiro para março e já acumula recuo de 4,5% desde março/21”, assinala a publicação.

No entanto, a alta do preço não representa alívio para os pecuaristas leiteiros. “A produção de leite segue pressionada por custos de produção em alta e pela diminuição dos investimentos ao longo dos últimos meses – o que tem reduzido o potencial de recuperação da oferta mesmo diante da elevação dos preços ao produtor”, pontua o Boletim do Leite de maio.

Em abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,24% na “Média Brasil”. O aumento foi inferior aos registrados em março/22 (1,64%) e em abril/21 (0,48%). No acumulado de 2022 (janeiro – abril), o COE subiu 4,32%, bem menos que no mesmo período de 2021 (8,01%).

Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol e Caio Monteiro, da Equipe Leite do Cepea, sobre o preço ao produtor e custos da produção em maio:

Oferta segue limitada e preço do leite cru, em alta”

Por Natália Grigol//Da Equipe Leite do Cepea

O preço do leite captado em março/22 e pago aos produtores em abril/22 atingiu R$ 2,4269/litro na “Média Brasil” líquida, aumentos de 8,4% frente ao mês anterior e de 9,1% em relação ao de março/21, em termos reais. Com isso, a alta acumulada desde o início do ano chega a 9,7% (valores deflacionados pelo IPCA de abril/22). E, de acordo com pesquisas em andamento do Cepea, a tendência altista deve se persistir para o próximo mês, com a valorização do leite captado em abril e pago em maio podendo superar os 5% na Média Brasil.

Essa perspectiva se alinha com o desempenho verificado em abril nos mercados do leite spot (negociado entre indústrias) e de derivados – ressalta-se que esses mercados influenciam o preço do leite captado em abril e pago em maio.

De acordo com a pesquisa do Cepea/OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), na negociação entre laticínios e canais de distribuição do estado de São Paulo, os preços médios mensais do leite UHT e da muçarela subiram mais de 12% de março para abril e os do leite em pó, quase 7%. Apesar desse avanço mensal, os preços diários desses lácteos oscilaram mais fortemente em abril do que no mês anterior. Agentes consultados pelo Cepea relataram dificuldades em realizar o repasse da alta da matéria-prima aos canais de distribuição, devido ao baixo consumo de lácteos, que, por sua vez, está desestimulado diante dos elevados patamares de preços.

Por conta da demanda retraída na ponta final da cadeia, o movimento de valorização do leite spot perdeu a força em abril. O levantamento do Cepea mostra que, em Minas Gerais, o leite spot subiu apenas 0,2% da primeira para a segunda de abril, chegando a R$ 3,02/litro. Contudo, na média mensal, houve aumento de 9%, em termos reais.

A valorização de leite no campo ocorre devido à menor oferta, que, inclusive, tem intensificado a concorrência entre as indústrias de laticínios para assegurar a captação de matéria-prima. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea caiu 0,5% de fevereiro para março e já acumula recuo de 4,5% desde março/21. A produção de leite segue pressionada por custos de produção em alta e pela diminuição dos investimentos ao longo dos últimos meses – o que tem reduzido o potencial de recuperação da oferta mesmo diante da elevação dos preços ao produtor.

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa/Divulgação

Apesar de os gastos com o concentrado terem recuado ligeiramente devido às recentes desvalorizações da soja e do milho, o desembolso do produtor com a alimentação do rebanho segue elevado. Além disso, outros insumos se valorizaram, como combustíveis, medicamentos e suplementação mineral. Com isso, a margem do produtor seguiu pressionada neste primeiro quadrimestre do ano.

E a oferta interna enxuta é reforçada pela queda nas importações e pelo forte crescimento nas exportações – as vendas externas mais que triplicaram. Esse movimento limitou a disponibilidade interna de leite cru, intensificando a competição entre os laticínios para a captação de matéria-prima.

Maio

As negociações mais truncadas de derivados no final de abril diminuíram a necessidade dos laticínios de comprar leite no spot – o que pressionou as cotações neste mercado na primeira quinzena de maio. O preço em Minas Gerais caiu 1,9%, com a média de R$ 2,96/litro.

Porém, com oferta limitada de leite cru no campo e nova redução nos estoques de lácteos, as indústrias voltaram a disputar a compra da matéria-prima e, na segunda quinzena de maio, o spot aumentou 3,4%, atingindo R$ 3,06/ litro. Na média mensal, de R$ 3,01/litro, houve recuo de 0,1% em relação a de abril, em termos reais. No mercado de derivados, o movimento também foi de avanço, mesmo diante das vendas fracas. A expectativa do setor é de que o preço ao produtor se sustente em junho.

Custo de produção acumula alta de 4,32% no 1º quadrimestre de 2022”

Por Caio Monteiro//Da Equipe Leite do Cepea

Durante o mês de abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,24% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). O aumento foi inferior aos registrados em março/22 (1,64%) e em abril/21 (0,48%). No acumulado de 2022 (janeiro – abril), o COE subiu 4,32%, bem menos que no mesmo período de 2021 (8,01%). A menor valorização dos concentrados nos primeiros quatro meses deste ano limitou a alta dos custos no período. Para o concentrado, especificamente, os custos recuaram 0,66% em abril na “Média Brasil”. Entretanto, os custos com alimentação continuam em patamar elevado.

Os insumos que mais influenciaram o aumento dos custos de produção no último mês foram os combustíveis, cujos preços subiram 5,78%, devido à conjuntura internacional e às altas das cotações do petróleo. A valorização do diesel acarretou aumento nos custos das operações mecânicas nas propriedades leiteiras, cujos desembolsos saltaram 4,40% no último mês. Os medicamentos também ficaram mais caros, 4,62% – segundo colaboradores do Cepea, essa valorização refletiu a elevação dos custos de produção e distribuição dos laboratórios veterinários.

A redução de 0,66% nas cotações dos concentrados resultou da desvalorização dos grãos em abril, devido às colheitas de soja e da safra de verão de milho e às expectativas positivas para a produção da segunda safra. Dentre os estados acompanhados pelo Cepea, as quedas mais significativas dos preços do concentrado foram registradas em São Paulo (2,44%), Minas Gerais (1,15%) e Goiás (0,80%). Os estados da região Sul apresentaram estabilidade nas cotações em abril. Apesar do recuo pontual no último mês, os custos com suplementação energética dos rebanhos permaneceram em patamares elevados, pressionando as margens da atividade.

A expectativa do setor é de que os preços no campo sigam firmes, à medida que a oferta continuou baixa em junho.

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