Representantes de entidades do agro afirmam que houve morte de animais. Ao todo, 78 municípios já decretaram situação de emergência nos dois estados.
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Danos à população rural inclui morte de animais e perda de lavouras após chuvas no sul da Bahia e nordeste de Minas Gerais (Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil)

O rastro de morte e destruição deixado pelas fortes chuvas que atingem o sul da Bahia e o nordeste de Minas Gerais também atingiu a produção agropecuária das duas regiões. Com forte presença de agricultores familiares dedicados à produção de leite, mandioca, frutas, cana-de-açúcar e milho, muitas fazendas ainda encontram-se isoladas devido à destruição de pontes e estradas vicinais que ligam as comunidades rurais às cidades. O envio de produtos básicos está dependendo de helicópteros.

Danos à população rural inclui morte de animais e perda de lavouras após chuvas no sul da Bahia e nordeste de Minas Gerais (Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil)
Danos à população rural inclui morte de animais e perda de lavouras após chuvas no sul da Bahia e nordeste de Minas Gerais (Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil)

“A situação não é nada boa e está muito complicada devido às fortes chuvas da última semana, com previsão de um novo final de semana chuvoso. Então todo mundo está em estado de alerta”, observa o analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra, ao destacar que a região nordeste de Minas Gerais é uma das principais bacias leiteiras do Estado, maior produtor do país. “A pecuária leiteira é a atividade mais forte na região e foi a mais afetada. Muitos perderam animais afogados”, conta Coimbra.

No sul da Bahia, a população afetada pelas enchentes passa de 220 mil pessoas que vivem nos 51 municípios que se encontram em situação de emergência. Segundo a Defesa Civil do Estado, ao menos 11 pessoas morreram em consequência das chuvas acima da média e outras 267 ficaram feridas. “É uma situação muito difícil, nunca vista na região durante esses longos anos e que causa um prejuízo muito grande não apenas à população urbana, mas também rural”, observa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Humberto Miranda.

Ações emergenciais

Diante da situação, Faemg e Faeb têm focado em ações emergências para garantir o abastecimento de produtos básicos às comunidades rurais isoladas pela chuva. “A população perdeu suas plantações, muitos animais foram carregados pelas enchentes, morreram animais, então o prejuízo é muito grande, além desse isolamento que essas famílias estão ficando, que é a grande preocupação no momento. Para que chegue alimentos e produtos de primeira necessidade para essas famílias”, destaca o presidente da Faeb.

Assim como nordeste mineiro, o sul da Bahia é caracterizado pela produção da agricultura familiar, destacando-se frutas como o mamão, o coco e a banana. De acordo com a diretora de mercados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Danielle Luz, as perdas nas lavouras, pelo menos por enquanto, não tiveram impacto sobre o abastecimento do Estado, já que outras regiões têm condições de suprir a demanda local. A medida inicial é de ajuda e sobrevivência.

“Lançamos uma campanha chamada Bahia Solidária, em que já fizemos uma doação de 10 mil cestas básicas para atender esses municípios mais atingidos pelas enchentes e estendemos a campanha para o Estado inteiro, com vários centros de coleta. Num segundo momento vamos entrar com a federação e o Senar com assistência técnica e capacitação para tentar fazer a retomada da economia desses produtores”, explica Miranda, da FAEB. Em Minas Gerais, a FAEMG também organiza o recebimento e o envio de doações para produtores isolados pelas chuvas.“Geralmente, o meio rural não sofre muito com essa questão de enchentes, isso normalmente acontece nas grandes cidades. Mas quando sofre a gente sabe que é uma catástrofe mais complicada porque, além de ter a produção agropecuária afetada, tem a questão do isolamento. E às vezes as pessoas não estão preparadas para ficar muito dias sem mantimentos”, completa Coimbra.

Previsão de mais chuva

De acordo com Alexandre Nascimento, agrometeorologista da Rural Clima, embora as chuvas sejam normais para esta época do ano, a presença do La Niña no oceano Pacífico aumentou a intensidade das precipitações desta temporada no centro-norte do Brasil. “É normal chover bem nessa época do ano e a falta de infraestrutura fica ainda mais evidente quando chove além da conta”, afirma Nascimento.

Além dos problemas em cidades do sul da Bahia, do Vale do Jequitinhonha (MG) e em outras áreas urbanas, o agrometeorologista garante que há relatos de problemas em lavouras por excesso de chuva e ausência de radiação de sol no Mato Grosso, em Minas Gerais, no norte de Goiás, no sul do Tocantins, e em Rondônia. Com isso, ele alerta para possíveis problemas que podem estar por vir e que a previsão do tempo de curto prazo deve ser acompanhada com atenção.

“Excesso de chuva e pouca radiação. O sistema radicular foi mal desenvolvido nas áreas onde houve excesso de chuva em outubro e novembro. Qualquer veranico de 15 dias pode trazer mais problemas” observa o agrometeorologista ao ressaltar que a chuva deve continuar no Mato Grosso, em Goiás, no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), em Rondônia, e em Minas Gerais durante os meses de janeiro e fevereiro.

“Não se descarta uma invernada de pelo menos 10 dias no período da colheita e isso pode trazer problemas de qualidade dos grãos e problemas no escoamento dessa safra”, finaliza.

Em comemoração ao aniversário do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae publicou o livro “50 Anos de Pequenos Negócios e Grandes Histórias”.

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