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Brasil |6 agosto, 2020

Produtores de laticínios | Conversando com as vacas

Não é de hoje que eu falo que formular a dieta das vacas é a parte mais fácil do trabalho de um nutricionista, o difícil é fazer com que as vacas comam exatamente aquilo que foi previsto pelo nutricionista e também que tenham o mesmo ambiente que foi considerado pelo nutricionista na hora de formular a dieta.

 

Não é de hoje que eu falo que formular a dieta das vacas é a parte mais fácil do trabalho de um nutricionista, o difícil é fazer com que as vacas comam exatamente aquilo que foi previsto pelo nutricionista e também que tenham o mesmo ambiente que foi considerado pelo nutricionista na hora de formular a dieta. O desempenho das vacas depende diretamente do consumo adequado nutrientes, e por sua vez isso depende de inúmeros fatores, a formulação da dieta é um deles.

Para identificar os fatores que podem interferir com o consumo, é preciso “escutar o que as vacas nos dizem”, e muitas vezes técnicos e produtores acabam errando por não darem ouvidos às vozes do rebanho. Obviamente as vacas não falam, mas nos dão inúmeros sinais de que as coisas podem não estar indo muito bem. Eu sempre procurei dar atenção a isso, mas só aprendi, de fato, a entender “o idioma das vacas” depois de fazer o treinamento em CowSignals. Trata-se de uma metodologia muito simples, mas extremamente poderosa para que possamos identificar e interpretar os sinais que as vacas nos dão e tomar as decisões mais assertivas para corrigir falhas e, dar às vacas a melhor condição possível para que desempenhem eficientemente o seu papel.

O conceito CowSignals baseia-se no princípio de que para serem saudáveis as vacas necessitam ter os “6 benefícios” da natureza – comida, água, luz, ar, espaço e descanso. O “Diamante CowSignals”, ilustra de forma bastante clara o conceito que norteia a metodologia.

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Para que possam ter elevado desempenho produtivo e reprodutivo elas precisam ter saúde! Vacas saudáveis são vacas rentáveis, esse é o lema. Todo fator que imponha desafios à saúde das vacas irá prejudicar seu bem-estar, e consequentemente seu desempenho. A aplicação da metodologia CowSignals é uma ferramenta muito poderosa para ajudar uma fazenda produtora de leite a ser mais eficiente.

Me lembro de uma vez em que fui chamado por um produtor de leite que se queixava porque suas vacas não estavam produzindo bem, e ele gostaria que eu fizesse uma avaliação das formulações que estava utilizando. Fui até a fazenda e passei cerca de 3 horas visitando as instalações, avaliando itens de conforto, manejo, etc., e voltei a me reunir com ele. Apresentei uma lista com 15 itens – todos relacionados a questões de conforto e manejo – que deveriam ser imediatamente corrigidos para que as vacas pudessem ter melhores desempenhos. Uma das únicas coisas em que não vi defeito foi justamente na formulação das dietas. A avaliação da alimentação dos rebanhos leiteiros, sempre foca os índices produtivos e reprodutivos das vacas, e também os resultados das análises laboratoriais dos alimentos, mas para fazer uma avaliação realmente completa, o técnico e o produtor, precisam passear no meio das vacas para observar os sinais que nos dão.

Essa interação mais próxima com os animais é fundamental para que o produtor possa observar seu comportamento, o manejo do cocho, a disponibilidade de água, o conforto das vacas, seu escore de condição corporal, e muitos outros itens, como ruminação, aparência geral, problemas de casco, etc. Tudo isso é levado em conta no conceito CowSignals.

Como exemplo do que estou mostrando, segue uma lista de perguntas que procuro responder quando visito uma fazenda e aplico a metodologia CowSignals:

• De cada 10 vacas, quantas estão ruminando?

• Há sinais de que as vacas estão selecionando a ração? O que está sendo selecionado?

• As vacas estão consumindo dejetos, terra ou areia? Estão consumindo minerais de forma exagerada?

• Os animais parecem saudáveis, com pelo brilhante?

• O escore médio de condição corporal é adequado para cada lote? Há muita variação no escore de condição corporal dentro dos lotes?

• Há muitas vacas com problemas de casco?

• Há bebedouros suficientes para as vacas? Eles estão estrategicamente dispostos, inclusive nos corredores?

• Os bebedouros estão limpos? A vazão da água é suficiente para atender todo o lote?

• Elas têm comida sempre disponível? Há boa oferta de forragem nos piquetes? O pasto é de boa qualidade?

• No caso de vacas confinadas, a ração completa no cocho está bem misturada? O tamanho médio de partículas está adequado? A ração está quente? Há sinais de mofo?

• Há espaço suficiente nos cochos de alimentação?

• As vacas têm alimento fresco (ração completa ou concentrado) à disposição depois das ordenhas?

• O piso é confortável e seguro?

• Há pedras ou buracos nos corredores? Qual a profundidade da lama que se forma quando chove?

• Qual a distância entre a sala de ordenha e o local de alimentação?

• Há áreas de sombra disponíveis no pasto? No caso de galpões, a ventilação é boa?

• Há espaço suficiente para que elas possam deitar confortavelmente?

• Quantas horas por dia as vacas passam no pasto ou nos galpões?

Essas perguntas procuram cobrir pontos importantes relativos ao manejo e condições de conforto a que estão submetidas as vacas. Por exemplo, como regra geral, caso não estejam comendo, bebendo, dormindo, ou sob stress térmico, 4 a 5 vacas de cada 10 devem estar ruminando. As vacas podem ruminar por até 10 horas por dia. Então, se isso não estiver acontecendo, procure a causa. Seleção de alimentos? Falta de FDN fisicamente efetivo? Isso deve ser investigado e corrigido.

Se as vacas fazem muita seleção de alimentos nos cochos, haverá grande variação nas fezes (de secas à diarreia) dentro do lote, que supostamente está consumindo a mesma ração. E nesse caso ficamos sem ter ideia de qual ração cada vaca está efetivamente consumindo. Dessa forma, aumentam os casos de acidose ruminal e outros distúrbios digestivos. Para resolver o problema, é preciso minimizar as possibilidades de seleção de alimentos, fazendo formulações e misturas corretas.

Outro ponto a ser observado é que o aumento no consumo de minerais, ou a ingestão de dejetos, terra ou areia são sinais claros de desordens digestivas, ou de que as vacas estão sob stress calórico. É fundamental avaliar muito bem as condições de conforto na fazenda. Atualmente, sabemos que dependendo da umidade relativa do ar, temperaturas acima de 20ºC, já são suficientes para causar algum nível de stress para os animais. Há sombra disponível nos sistemas de pastejo? Os galpões de confinamento oferecem condições adequadas, onde as vacas podem descansar confortavelmente?

Se as vacas não conseguem andar ou descansar com conforto, provavelmente vão produzir menos leite. Uma vaca que tem conforto não precisa destinar energia extra para “sobreviver” ao ambiente. Superfícies lisas, que fazem as vacas escorregar, superfícies irregulares, que as fazem andar como se estivessem pisando em ovos, ou lama tão profunda a ponto de “sugar” as botas de algum desavisado, possivelmente vão contribuir para que as vacas façam menos visitas ao cocho, ou, no caso de vacas no pasto, para que os ciclos de pastejo sejam reduzidos. Corredores cheios de pedras e buracos são ótimos para aumentar muito a incidência de problemas de casco no rebanho. Se nem você consegue andar direito pelos corredores destinados às vacas, isso significa, que elas estão sendo obrigadas a gastar mais energia do que deveriam em atividades não produtivas.

Observe as vacas enquanto se movimentam. Elas vão te mostrar se estão confortáveis ou não. A distância entre a sala de ordenha e as áreas de alimentação e descanso, determina quanta energia adicional elas terão que gastar para se locomover, acima do que normalmente já está incluído nas exigências de manutenção. E isso será subtraído da energia líquida disponível para produzir leite. Ou seja, quanto mais tiverem que andar, pior. “Viagens” de mais de 500m são indesejáveis. Proporcionar às vacas um lugar confortável para deitar, ruminar e descansar é fundamental para mantê-las saudáveis e produtivas. Em galpões tipo Free-Stall, se as vacas não deitam nas baias, reavalie seu desenho e dimensões, e verifique se a cama está limpa e em quantidade adequada. Os galpões tipo Compost Barn são cada vez mais comuns em nosso país, mas o manejo da cama está sendo bem feito? As vacas estão passando a maior parte do seu tempo descansando? Um índice que costumo usar para avaliar o conforto em rebanhos leiteiros é que das vacas que não estiverem comendo ou bebendo água, pelo menos 80% devem estar confortavelmente deitadas.

Para vacas mantidas em pastagens, se elas passam a maior parte do tempo em pé, ou se vão deitar nos corredores ou em áreas ensolaradas, é preciso verificar o estado da pastagem, presença de pedras, e condição e disponibilidade das áreas de sombra, que devem estar sempre secas. Vacas com estresse térmico ficam mais suscetíveis a distúrbios metabólicos, a problemas reprodutivos, e normalmente consomem menos alimentos. Consequentemente produzem menos leite. Cuidar muito bem das áreas de sombra nos pastos e da ventilação nos galpões é a melhor forma de prevenir a ocorrência de estresse térmico pelo calor. Aumentar os níveis de potássio, sódio e magnésio das rações de vacas em estresse térmico é recomendável, mas alterações na alimentação nessa situação são apenas medidas paliativas, o que resolve mesmo é resfriar as vacas!

O conceito CowSignals aborda inúmeros aspectos, mas o que foi trazido aqui já nos dá uma boa ideia do quão importante é observar as vacas, “ouvir o que elas têm a nos dizer”, pois elas nunca mentem. O trabalho do nutricionista não pode se limitar a formular dietas, pois se as vacas não respondem bem, de quem a culpa? É muito fácil apontar para quem fez a formulação. As vacas nos dizem muitas coisas importantes, mas é preciso estar treinado e disposto a ouví-las!

Sobre a Nutron

A Nutron, marca de nutrição animal da Cargill no Brasil, é especialista e líder em soluções inovadoras de produção animal, por meio de desenvolvimento de núcleos, premixes e especialidades para os segmentos de aves, suínos, peixes, pets, bovinos de leite e de corte, além de suplementos para criação de gado a pasto. Há mais de 20 anos, a marca sempre atuou próxima ao produtor para atender sua demanda com conveniência, qualidade e segurança, contribuindo com a prosperidade nos negócios de cada cliente. A companhia também promove ações socioambientais nas comunidades onde está inserida, pois considera ser seu dever atuar de maneira responsável para o desenvolvimento e crescimento sustentável de toda a cadeia produtiva do agronegócio. https://www.nutron.com.br.

Sobre a Cargill

Os 160 mil funcionários em 70 países trabalham para atingir o propósito de nutrir o mundo de maneira segura, responsável e sustentável. Todos os dias, conectamos agricultores com mercados, clientes com ingredientes e pessoas e animais com os alimentos que precisam para prosperar. Unimos 154 anos de experiência com novas tecnologias e insights para sermos um parceiro confiável aos clientes dos setores de alimentos, agricultura, financeiro e industrial em mais de 125 países. Lado a lado, estamos construindo um futuro mais forte e sustentável para a agricultura. No Brasil desde 1965, somos uma das maiores indústrias de alimentos do País. Com sede em São Paulo (SP), estamos presentes em 17 Estados brasileiros por meio de unidades industriais e escritórios em 147 municípios e 11 mil funcionários.

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