Passado um ano da realização da COP26 em Glasgow, está a decorrer a COP27 em Sharm el-Sheikh, no Egipto. Menos mediatizada, parece marcada pela inação, pelo contexto de guerra e pela assumpção de que as metas dificilmente obterão consenso.
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COP27
COP27 está a esbarrar nas suas contradições

A COP27 está a ser marcada por uma tentativa de recalibrar a mira do combate às alterações climáticas dados os desenvolvimentos internacionais recentes. O objectivo da transição energética falhou, a persecução pelo objectivo aritmético de redução de pelo menos 1,5ºC na temperatura mundial não será atingida no período de tempo definido e os prazos absolutistas estão pouco vincados. A busca de supostas soluções no sistema vigente não trará, mais uma vez, soluções sérias.

Esta COP27 que reúne 120 líderes mundiais  fica marcada por cinco  factores: a incapacidade na recuperação da economia mundial pós-covid; a guerra na Ucrânia e o crescente clima de incerteza e confrontação munidal; a crise energética; e a ameaça de uma recessão que não se prende pela procura, mas sim pela oferta. Apesar de todos estes elementos, a Conferência define quatro objetivos: mitigar os tais gases efeito estufa, contornar as alterações climáticas, financiar as medidas necessárias e partilhar responsabilidades nesse sentido.

Entre os factores que marcam a COP e os objectivos assumidos, há um conjunto de contradições que deveriam ser ultrapassadas para alcançar os objectivos propostos. A dificuldade ficou evidente no discurso de Sameh Shoukry, ministro dos Negócios Estrangeiros do Egipto e presidente da COP27 aquando da abertura dos trabalhos. Sameh Shoukry vincou que o centro da discussão para se chegar aos objectivos propostos teria que passar pelo cumprimento do financiamento de 100 mil milhões de dólares anuais, o que «suscita grande preocupação».

Para o presidente da COP, a par da falta de espirito de compromisso para atingir essa meta por parte dos países mais ricos, a maior parte do financiamento obtido foi apenas no sentido de reduzir as emissões poluentes, penalizando os esforços de adaptação e são assentes em empréstimos.

A União Europeia, pelo seu lado, alega que pagou a sua parte do compromisso assumido e que é necessário que as outras potências também o façam. Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, apelou aos EUA para que cumpram a sua parte e que é altura dos países mais ricos se chegarem à frente. Uma declaração que torna evidente a contradição entre a real persecução dos objectivos climáticos assumidos e a facilidade de financiamento militar – já quase incalculável – disponibilizado à Ucrânia no sentido de continuar a guerra.

Entretanto, ao contrário da última COP, esta não está a ter contestação pública dadas as proibições do Governo egipcio. Aliás, este ano, alguns activistas participarão na Conferência como delegados, protestando como alguns dos líderes presentes tanto gostam.

A última nota de registo prende-se com os patrocínios de várias multinacionais como a Coca-Cola que, de acordo com a organização Break Free From Plastic, foi a empresa que, pelo quarto ano consecutivo, mais poluiu no que toca ao consumo de plástico.

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