Cenário, segundo pesquisadores do Cepea, acirrou a competição pela compra de matéria-prima. Valor pago em agosto é recorde desde 2005
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Mesmo com a demanda fraca e resultados negativos do mercado de lácteos em julho, a indústria não conseguiu impor queda de preços no campo, apontou pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

O clima adverso e as recentes geadas intensificaram a restrição de oferta entre julho e agosto, aumentando a insegurança em relação aos volumes de captação. O cenário, segundo os pesquisadores, acirrou a competição pela compra de matéria-prima, mantendo o movimento de valorização no campo.

Leite (Foto: Getty Images)
Leite (Foto: Getty Images)

O levantamento mostra que o preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto subiu 2,1% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 2,3595/litro na “Média Brasil” líquida.

O valor é um novo recorde real da série histórica do Cepea, que se iniciou em 2005. O resultado de agosto, segundo os pesquisadores, é 11,7% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, também em termos reais.

“É importante destacar que o aumento nos preços do leite no campo não significa garantia da rentabilidade do produtor. Isso porque os custos de produção também registram intenso movimento de alta, especialmente neste momento em que o clima desfavorece a atividade leiteira”, analisa o Cepea.

Segundo pesquisa do centror, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira cresceu quase 13% na média Brasil de janeiro a julho, enquanto a receita subiu 6% no mesmo período.

Os pesquisadores ainda observam que as recentes geadas que afetaram o Centro-Sul do país diminuíram consideravelmente a qualidade das pastagens, prejudicando a alimentação volumosa que já vinha limitada devido ao tempo seco.

“O encarecimento da ração está atrelado à valorização dos grãos. Outro insumo que registrou alta considerável no preço foi o adubo, de quase 8% em julho, devido ao aquecimento na demanda – sinalizando que os custos com a produção dos volumosos para 2022 seguirão elevados”, avaliam.

Já o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea registrou alta de 1,68% de junho para julho, indicando uma leve retomada na oferta de leite no campo, porém, ainda insuficiente para abastecer o mercado doméstico. Os maiores aumentos foram observados em Santa Catarina, de 3,7%, no Rio Grande do Sul, de 2,9%, e em Goiás, de 2,7%.

A restrição de oferta e o aumento da concorrência das indústrias para a compra de matéria-prima em agosto resultaram em aumento de 0,8% no preço do leite spot negociado em Minas Gerais, que atingiu média mensal de R$ 2,54/litro.

Mesmo diante dos elevados preços dos derivados ao consumidor, que desestabilizaram a demanda em julho, agentes consultados pelo Cepea atrelaram as novas altas às expectativas mais positivas em relação à demanda.

Neste caso, agentes acreditam que a volta das aulas presenciais e o avanço da vacinação no estado de São Paulo tendem a aquecer a procura por derivados lácteos. E esse cenário pode sustentar os preços do leite no campo para o próximo mês.

Campanha consumo de leite – A Campanha da 1ª Semana do Leite, prevista para ocorrer na primeira quinzena de novembro, foi o tema central da 18ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada nesta sexta-feira (17).

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