Conduzido pela Epamig, projeto vai avaliar produção de leite, ganho de peso na fase de recria e comportamento ingestivo dos animais, além da produtividade de capins do gênero Panicum.
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Exemplar da raça Gir Leiteiro no pasto — Foto: Divulgação Fazu

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vai avaliar a produção de leite e o comportamento ingestivo – que é o conjunto de atividades ligadas à busca, apreensão e digestão da forragem – de bovinos da raça Gir Leiteiro manejados em pastagem de capins Panicum em UberabaAs informações foram divulgadas pela Epamig na última quarta-feira (26).

Parte da pesquisa da Epamig será dedicada para análises da produção e da composição química da forragem e do desempenho de vacas em período de lactação manejadas em pastagens de capins das cultivares Tanzânia, BRS Zuri e BRS Quênia.

Os trabalhos já estão sendo desenvolvidos no Campo Experimental da Epamig. Os experimentos serão conduzidos por 3 anos consecutivos, com término previsto para dezembro de 2023. A troca do lote de bovinos será realizada a cada ano de trabalho.

De acordo com Leonardo Fernandes, nessa parte da pesquisa serão utilizadas 27 vacas em início de lactação, com peso, número de lactações e produção semelhantes. As vacas serão ordenhadas duas vezes ao dia, por meio de ordenha mecânica.

“As avaliações de desempenho das vacas serão obtidas pela produção diária de leite, condição corporal das vacas, contagem de células somáticas, sólidos totais do leite – gordura, proteína, lactose e minerais -, comportamento ingestivo, consumo de matéria seca e custo de produção de leite de vacas em lactação manejadas em pastagem das três cultivares de Panicum”, explicou Leonardo.

O pesquisador também explicou que, nessa parte da pesquisa, o capim Tanzânia será utilizado como referência (testemunha) para as cultivares Zuri e Quênia por ser um capim já consagrado no mercado. Juntas, as três cultivares também serão avaliadas com relação à produção, qualidade da matéria seca disponível, altura, densidade, crescimento, acúmulo de forragem e resíduos pós-pastejo.

“O diferencial aqui é utilizar duas cultivares lançadas recentemente, a Zuri e a Quênia, e testá-las em campo no trato com as vacas em lactação. Estas informações não existem para vacas em lactação, resultando em importantes informações para o produtor de leite. Essas cultivares são integrantes do Programa de Melhoramento de Forrageiras da Embrapa”, disse Leonardo que tem a expectativa de constatar altos índices de produção de leite.

Bezerras Gir Leiteiro

A outra parte da pesquisa, também realizada em Uberaba , vai analisar a produção, a composição química e o desempenho de bezerras da raça Gir Leiteiro manejados em pastagens de Panicum da cultivar BRS Tamani, com e sem suplementação concentrada.

O objetivo final será determinar o custo da novilha ao primeiro parto produzida nas diferentes situações de manejo.

Para esses experimentos, serão utilizadas 36 bezerras com 1 ano de idade e peso inicial de 180 quilos. As avaliações de desempenho das bezerras serão obtidas pelo ganho de peso diário, ganho de peso por área, comportamento ingestivo e pelo custo de produção da arroba.

Leonardo Fernandes contou que, segundo informações do Programa de Melhoramento de Forrageiras da Embrapa, a cultivar BRS Tamani tem alta qualidade, muitas folhas, pouco caule e porte mais baixo, melhor para pastejo de fêmeas em recria.

Além disso, o capim BRS Tamani é altamente nutritivo com boa capacidade de produção, o que tende a gerar bom ganho de peso e a reduzir a utilização de alimentos concentrados que encarecem os custos de produção dos animais.

“A pesquisa com as bezerras Gir Leiteiro é inovadora porque, ainda, ninguém trabalhou com a BRS Tamani em recria de fêmeas. Nós almejamos recrias de bezerras mais curtas e, consequentemente, com custos menores”, falou Leonardo.

Assim como o trabalho com vacas em lactação, os experimentos com bezerras estão previstos para terminar em dezembro de 2023.

Os projetos são desenvolvidos em parceria e com financiamento da Embrapa, e com financiamento da Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), do Centro Internacional de Inovação e Transferência de Tecnologia Agropecuária (Ciitta) e da Fertigram.

Ao longo dos trabalhos, a Epamig vai divulgar os resultados preliminares.

Capim Panicum

As cultivares provenientes desse gênero são consideradas as plantas forrageiras mais importantes para a produção de bovinos em regiões de clima tropical e subtropical para sistemas de produção intensificados.

Os capins do gênero Panicum são conhecidos como Colonião, Tanzânia, Mombaça, Aruana, Massai entre outros. No Brasil, o interesse por capins Panicum para formação de pastagens tem crescido nos últimos anos devido ao potencial de produção de matéria seca por unidade de área e a qualidade nutricional das forrageiras.

Segundo o pesquisador da Epamig Leonardo Fernandes, as cultivares de capins Panicum são, de fato, mais produtivas e nutritivas. Contudo, o pesquisador destacou que essas cultivares são mais exigentes com relação à fertilidade do solo e à reposição de nutrientes em comparação com capins do gênero Brachiaria, responsáveis por boa parte das pastagens brasileiras.”Quando avaliamos a produtividade de sistemas de produção, uma série de trabalhos já publicados comprova que o ganho de peso e a produção de leite de animais sob pastos de capins Panicum são maiores em função da melhor qualidade deles. Uma vez que vamos realizar experimentos em áreas intensificadas, isto é, com correções e adubações de solo para manter taxas de lotação mais altas, vamos precisar de capins de maior produtividade, com melhores respostas aos fertilizantes. Por isso optamos pelos capins Panicum”, explicou o pesquisador.

Mais um mês se passou e outra nova peça de política foi colocada na frente dos agricultores para digerir.

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