Produtor relata que vacas têm produzido em média 23 litros de leite por dia. Esta boa produção ele atribui em parte ao uso da palma na nutrição.
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Produtor relata que vacas têm produzido em média 23 litros de leite por dia. Esta boa produção ele atribui em parte ao uso da palma na nutrição.

23 de abril de 2020 às 16h03

De Vitória da Conquista (BA) 

Um dos grandes desafios da pecuária de leite é o estabelecimento de um sistema de cria e recria para as fêmeas que proporcione na fase adulta a alta produção leiteira. Os cuidados vão desde a alimentação adequada nas primeiras fases de vida do animal, para que ele atinja o peso ideal e inicie mais cedo a vida produtiva, até o equilíbrio financeiro, já que nesse período é quando o produtor tem mais custos.

No estado da Bahia, com 10,2 milhões de bovinos, o maior rebanho do Nordeste, os produtores de gado de leite têm buscado alternativas econômicas para fazer com que as bezerras fiquem bem nutridas e tenham boa produtividade.

Na Fazenda La Paloma, em Lagoa das Flores, uma área até há pouco tempo era considerada zona rural em Vitória da Conquista (sudoeste do estado), mas que por conta da urbanização já virou bairro, o produtor Fernando Aguiar dos Santos, 72, tem obtido bons resultados com o uso da palma no complemento alimentar das bezerras.

Vacas leiteiras e suas crias no pasto da Fazenda La Paloma (Divulgação)

Ele contou que as bezerras, nos primeiros oito dias de vida, se alimentam apenas do leite da mãe, e depois passam a receber o leite no balde. São seis litros: três pela manhã e três à tarde.

Quando o animal chega aos 60 dias, ele diminui a quantidade de leite e passa a dar 4 litros às bezerras. Nessa fase, os animais recebem também como alimentação concentrado de farelo de soja, milho, trigo e mineral. Cada animal come 500 gramas do concentrado por dia e com o tempo vai aumentando a quantidade.

A palma, composta em sua maior parte (cerca de 90%) por água e com baixa quantidade de proteína, entra na alimentação das bezerras junto com o volumoso (silagem de milho e sal mineral) quando o animal chega aos 90 dias.

Animais em fase de crescimento se alimentam com palma na Fazenda La Paloma (Divulgação)

“Se a gente não dá a palma, a produção do leite cai, notamos que ela faz uma diferença”, disse Aguiar, que atualmente tem 47 vacas em lactação. Por dia, elas dão entre 1.000 a 1.100 litros de leite, segundo informou o produtor. Na média, a quantidade de leite por dia é de 23 litros por vaca.

Na fase adulta, as vacas comem até 30 quilos de silagem de milho e 70 quilos de palma por dia. Na Fazenda La Paloma, a palma está plantada em 8 hectares – são 560 mil pés. A crise que atinge outras regiões produtoras de leite do estado não atingiu a propriedade, onde o leite tem sido colhido todos os dias.

Plantação de palma na fazenda: alimentação barata que ajuda a produzir mais leite (Divulgação)

Cautela

O produtor rural e engenheiro agrônomo Lucas Teixeira Costa, doutor em Produção de Ruminantes pela Universidade Estadual da Bahia (Uesb) e secretário de Agricultura do estado, disse que é preciso cautela com o uso da palma na alimentação de bezerras. Ele, por exemplo, só dá palma para animais adultos.

“Importante salientar que há apenas uma restrição à palma: o enchimento, pois ela possui apenas 10% de matéria seca. Então, por ser um alimento composto em sua maior parte por água, pode prejudicar mais na frente”, declarou Costa.

“O que sabemos é que as bezerras e os bezerros possuem uma curva de desenvolvimento que se durante a fase de crescimento ela sofre uma alteração pra baixo é praticamente impossível de se recuperar, então todo cuidado é pouco”, completou.

Lucas Costa sugere cautela no uso da palma como nutrição de bezerras (Divulgação)

Lucas Costa cria gado de leite na região de Itapetinga (uma das principais bacias leiteiras do estado, com cerca de 1 milhão de bovinos) e no norte de Minas Gerais, e em suas propriedades os cuidados com as bezerras são mais rigorosos.

Uma das preocupações iniciais é com o colostro, primeiro leite secretado pela vaca após o parto e produzido em até 24h. O colostro é o que fornece anticorpos (células de defesa) para as bezerras, as quais nascem sem proteção alguma contra bactérias, protozoários e vírus.

“Buscamos fornecer o colostro o mais rápido possível. Fazemos análise tanto da qualidade do próprio colostro quanto da bezerra, da qual colhemos amostra de sangue. Isso para garantir que o animal obtenha condições de ter um sistema imunológico forte e que se desenvolva bem nas outras fases”, disse.

O aleitamento do animal começa logo após o fornecimento do colostro: são 6 litros de leite por dia durante 60 dias. Nesse período, a bezerra recebe também concentrado de soja, milho e mineral. Depois a quantidade de leite é reduzida para 2 litros por dia.

Quando chega aos 100 quilos e consome cerca de 2 quilos de concentrado por dia, a bezerra está pronta para ser desaleitada, e na alimentação entra o volumoso, que pode ser silagem de feno, cana e palma. “O resultado é que em nossas fazendas temos vacas que produzem até mais de 20 litros de leite por dia”, disse Lucas Costa.

Eficiência alimentar

Gerente técnico da Auster Nutrição Animal, Bruno Pascoal declarou que “a fase de aleitamento é a de maior eficiência alimentar” e que “neste período o animal forma as principais estruturas relacionadas à sua sobrevida e desempenho”.

“Por isso, as bezerras que recebem melhores cuidados nutricionais, de sanidade e bem-estar desde cedo responderão, em médio e longo prazo, com maior produção de leite”, completou.

Ele também destaca o cuidado com a oferta do colostro. “Trata-se do primeiro alimento do animal e deve ser ofertado o mais próximo possível do momento do nascimento, com o volume de pelo menos 10% do seu peso vivo. Um animal que nasce com 40 kg, por exemplo, deve receber pelo menos quatro litros de colostro”, orienta.

A qualidade do colostro pode ser observada com o uso de ferramentas simples de aferição de densidade, como um colostrômetro ou um refratômetro, e assim garantir quantidade de imunoglobulinas presentes no colostro.

“É possível ainda tirar a prova da eficiência do processo de colostragem fazendo aferição da concentração de proteína sérica no soro sanguíneo da bezerra por meio de um refratômetro” acrescenta Pascoal.

O consumo de leite é essencial para a bezerra recém-nascida. Assim como qualquer mamífero, ela é 100% dependente do leite para sobreviver e é através dele que receberá proteínas, gorduras e minerais necessários na primeira fase de vida. “Antes das primeiras três semanas de vida, o animal não é capaz de digerir outra fonte de alimento”, emenda Pascoal.

A nutrição é considerada a fase mais importante quando fala-se sobre o ganho de peso da bezerra (Divulgação)

A nutrição é considerada a mais importante quando falamos sobre o ganho de peso, mas está intimamente atrelada à saúde, ao manejo e ao bem-estar.

“Um animal que tem todas essas engrenagens funcionando pode chegar facilmente entre 900 gramas e 1 kg de ganho médio por dia, enquanto outros com deficiência em algum desses pontos pode ter desempenho inferior a 500 gramas de ganho médio diário” disse o especialista.

“Para isso, é importante que o produtor sempre acompanhe de perto o manejo nutricional, de saúde e bem-estar e meça periodicamente o ganho de peso dos animais. O manejo intensivo na nutrição, com aleitamento e suplementação direcionados para melhoria de desempenho, aumenta substancialmente o ganho de peso das bezerras, melhorando seu desempenho e tornando-as mais produtivas no futuro”, orienta.

A Auster Nutrição Animal conta, em seu portfólio, com Nattimilk Protein Plus. “Esse substituto lácteo direciona a dieta das bezerras para a melhor formação de massa magra, ou seja, o crescimento de tecidos osteomusculares e redução da deposição de gordura em estruturas importantes para o crescimento e desempenho desses animais. Ele ajuda a ter bezerras com alta performance”, afirma Pascoal.

O Nattimilk Protein Plus conta em sua composição com proteína de origem láctea de altíssima digestibilidade, minerais, vitaminas e probióticos, importantíssimos para o crescimento, formação de tecidos, imunidade e desempenho do animal.

O especialista reforça que a saúde e o bem-estar do animal também dependem de outros fatores, como higiene de instalações e equipamentos e manejo de forma geral. “Caso todos esses fatores extras estejam bem, a bezerra bem nutrida está protegida contra doenças, como diarreias e pneumonias”, finaliza o técnico da Auster.

Inventados para aliviar o trabalho nas salas de cura, eles ajudam na metamorfose dos queijos suíços.”

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