A vida do homem do campo seria uma maravilha se o clima se comportasse exatamente como o esperado. No entanto, às vezes, o tempo surpreende deixando o produtor em maus lençóis.
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Mesmo diante de uma estiagem rigorosa, produtores mantiveram baixos os custos de produção.

A vida do homem do campo seria uma maravilha se o clima se comportasse exatamente como o esperado. No entanto, às vezes, o tempo surpreende deixando o produtor em maus lençóis. Na região, a estiagem, que já vinha acontecendo em outros anos, veio com ainda mais força. Apesar de todas as dificuldades causadas pelas altas temperaturas e falta de água, alguns pecuaristas conseguiram manter suas atividades sem grandes prejuízos através do Sistema de produção a base de pasto perene preconizado pela Epagri – Empresa de Pesquisa e Extensão Rural. O modelo é indicado porque permite ao produtor mais condições de resiliência aos produtores, com maiores margens de lucro. Como isso é possível? Pelo fato de as pastagens utilizadas serem perenes, nos momentos de estiagem as pastagens também reduzem sua produção, porém há o pronto reestabelecimento da alimentação nas primeiras chuvas que ocorrem.

Desde 2017 o sistema a base de pasto perene tem sido aplicado na Estação Experimental de Campos Novos. De acordo com Maykol Ouriques, gerente da Estação Experimental da Epagri, o modelo é responsável por prover mais da metade da alimentação do animal por meio do pasto. “Com o sistema à base de pastagens perenes de verão, como o tifton e o capim pioneiro, cerca de 70% da alimentação vem do pasto. Utilizamos a estratégia de sobressemeadura de inverno, e fornecemos água e sombra nos piquetes aos animais. Usamos forragem conservada em períodos onde o pasto tem menor produção, ou seja, no outono e em períodos de estiagem. Também usamos ração conforme a produção de cada animal com base no controle leiteiro.

Quais foram as observações feitas durante a estiagem nas propriedades de pastagens perenes? “Desde dezembro de 2021 passamos por duas ondas de calor extremo, com temperaturas que chegaram próximas aos 37 graus na nossa região. Tivemos um volume de chuvas muito abaixo do que se espera para o período, chegando, no dia 29 de dezembro, em um negativo acumulado de chuva de 100 mm. Hoje, mesmo com as recentes chuvas, estamos com um déficit de -38mm, o que indica que a quantidade de água retida no solo está abaixo do normal para nossa região. Entretanto, aqui em nossa unidade, bem como em produtores acompanhados pela Epagri, estamos em um momento onde as pastagens estão recuperadas, e até com aumento de produção de leite por área utilizada, devido ao pronto reestabelecimento que as pastagens tiveram a partir do dia 10 de janeiro com as chuvas que vem ocorrendo em nossa região”, conta.

O gerente da Estação Experimental também citou outros benefícios relacionados a aplicação do sistema. “Uma vez que a preferência pela alimentação à base de basto, com a suplementação controlada e racional dos alimentos concentrados, reduz o uso dos alimentos à base de milho e soja, que nos últimos 3 anos tiveram seus preços pelo menos duplicados, enquanto o custo da pastagem com manejo adequado e com a adubação correta, teve aumento, porém muito menor em relação ao custo e preços dos grãos. Sendo assim, o sistema à base de pasto com pastagens perenes, dentro do que é recomendado pela Epagri possibilita que os agricultores enfrentem melhor estes momentos de dificuldades uma vez que o próprio sistema possui capacidade de rápido reestabelecimento, já que não demandam de plantio todo o ano e possibilitam o agricultor utilizar a sua área com qualidade e por todo o ano, sem interrupções, além de utilizar o fornecimento de silagem e ração de forma racional e dentro de par metros técnicos bem definidos, garantindo assim uma alta produção por hectare e com maior lucratividade às famílias”, destaca.

Qual a diferença do sistema de produção de pastagens perenes em relação aos demais sistemas? “Os demais produtores precisam plantar todos os anos, preparar as áreas e esperar boas condições de tempo. Se faltar chuva, o gado volta a ter problema de alimentação, daí o produtor precisa comprar outro tipo de alimentação, o que aumenta os custos de produção. O pasto de verão é perene, não precisamos plantar todo ano. O pasto perene sofre com a estiagem? Sim, por isso usa-se a silagem para complementar, mas assim que chove, como o pasto já está plantado, e ele se estabelece normalmente e o gado volta ao pasto. Por exemplo, nesta estiagem tivemos problemas de produção no pasto perene, pasto anual, milho e na soja, e nós usamos silagem apenas por alguns dias. A partir do dia 15 de janeiro nós paramos com o uso de silagem porque mesmo com a pouca chuva que caiu neste período o pasto se recuperou. Esta é a grande diferença. Este é um sistema ambientalmente correto que traz retorno econômico. Como instituição nós o recomendamos por ser um sistema que cabe na maior parte das propriedades”, apontou.

A alimentação animal é vital para a qualidade do leite e da carne bovina, além de influencer na qualidade de vida do animal. Nesse caso, o uso de pasto perene é o mais recomendado ao animal? Menos custos significa menos qualidade? Maykol afirma que a alimentação a base de pasto é a mais recomendada. “Utilizamos a alimentação mais barata e de qualidade. O animal foi criado para comer pasto, ele evoluiu comendo pasto. Eu consigo ter um custo de produção reduzido e ter eficiência na produção. Aumentamos a produtividade, e fornecemos mais leite de forma crescente”, garante.

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