Estimativa da Emater é de uma redução média de 10% na produção da bebida, que gera consequências no mercado de laticínios como o queijo.
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Em Criúva, a família de Fátima Venz Araújo viu a produção de leite cair a menos da metade do esperado para esta época Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A produção de leite na Serra, uma das principais regiões do Estado nesta atividade, é afetada pela estiagem. A estimativa do Escritório Regional da Emater/Ascar em Caxias do Sul é de que a redução na produção esteja em torno de 10% em média nos municípios da região.

O veterinário João da Luz, da Regional da Emater em Caxias, diz que o prejuízo é maior para quem usa o pasto como fonte de alimentação do gado, porque a pastagem não se desenvolveu devido à falta de chuva. Mas, segundo ele, a maior parte dos produtores da região faz a silagem com o uso do milho, o que reduz as perdas nesse momento. Porém, ele alerta que já há uma preocupação em relação aos próximos meses:

— Os produtores fazem planejamento para o ano todo. Esse ano, estão consumindo a silagem e mais do que deveria porque não tem pasto. Isso vai fazer com que no final do ano vá faltar silagem de milho. Na hora de repor a silagem, vai ter problema.

Por exemplo, agora já há propriedades rurais usando a silagem que seria destinada à alimentação no inverno. Com isso, faltará condições de manter o gado em outro momento.

Em Nova Bassano, município que é o principal produtor de leite da Serra, a preocupação é grande. O vice-prefeito João Paulo Maroso diz que os custos para a produção da bebida têm aumentado, o preço pago ao produtor está baixando e, agora, o cenário é agravado pela estiagem. Ele relata que como a produção de milho própria foi afetada em cerca de 90%, os leiteiros terão de comprar o grão de outras regiões e com preço elevado, aumentando ainda mais os custos.  Além da dificuldade em garantir a alimentação, também os recursos hídricos estão escassos, com redução de água nos poços, açudes e pequenos córregos.

— Haverá perda na reprodução (do gado), porque não sendo de qualidade a alimentação, vai ter reflexo na reprodução e na produção de leite — explica.

É bom lembrar ainda que este é o terceiro ano de estiagem. Portanto, a alimentação do gado já estava prejudicada em sua quantidade e qualidade há pelo menos desde 2020.

Cooperativa Santa Clara / Divulgação
“Hoje, a indústria e o produtor estão pagando uma conta que não conseguem mais sustentar. Se faz necessário chegar ao consumidor”, diz o diretor Administrativo e Financeiro da Santa Clara, Alexandre GuerraCooperativa Santa Clara / Divulgação

Preocupação com o futuro

Para a cadeia produtiva de laticínios, as condições climáticas e de custos em elevação se somam ainda ao consumo abalado pela perda de renda da população. Com isso, a conta não está fechando para produtores e para a indústria. É o que diz o diretor Administrativo e Financeiro da Santa Clara, Alexandre Guerra. A estimativa é de redução de 10% a 15% na entrega de leite à cooperativa em relação ao ano passado, mas a estrutura montada continua a mesma. Com isso, afirma Guerra, o custo para o processamento do leite aumenta.

— Hoje, a indústria e o produtor estão pagando uma conta que não conseguem mais sustentar. Se faz necessário chegar ao consumidor. Tudo depende da lei da oferta e da procura. Por isso, a importância do consumo interno e do poder de compra dos nossos consumidores, que também tem que melhorar — comenta.

Na Piá, a redução na entrega de leite também está em torno de 10% na comparação com o mesmo período do ano passado. O presidente da cooperativa, Jeferson Smanioto, manifesta uma preocupação com a desistência da atividade leiteira:

— Começou bastante tumultuada a situação da estiagem, em 2022, considerando que a situação se agrava no momento da produção de volumoso (alimentação do gado). Por exemplo, milho para a silagem e outras culturas de pastagem. Tudo isso se agrava em função da deficiência hídrica. Considerando isso, que tem produtores que por consequência da estiagem desistindo da atividade.

Marcelo Casagrande / Agencia RBS
“A produção de milho deu muito pouco o ano passado por causa da cigarrinha (insetos que atacam lavouras) e da estiagem que deu também o ano passado”, diz FátimaMarcelo Casagrande / Agencia RBS

Redução de 60% na produção

Em Criúva, no interior de Caxias do Sul, a família de Fátima Venz Araújo viu a produção de leite cair a menos da metade do esperado para esta época. Ela conta que a estimativa é de que as vacas poderiam produzir 100 litros de leite, nesta época, mas estão fornecendo apenas 40 litros.

— Não tem mais pasto, não tem mais silagem. A produção de milho deu muito pouco o ano passado por causa da cigarrinha (insetos que atacam lavouras) e da estiagem que deu também o ano passado.

De acordo com Fátima, a silagem pronta foi suficiente até outubro. Depois disso, não pode mais ser reposta. Para continuar a alimentar o gado, a família conseguiu a doação de bagaço de maçã em São Marcos. Na sexta-feira (14), com o auxílio da Secretaria Municipal da Agricultura, conseguiu transportar esse produto para garantir a alimentação das 25 vacas da em propriedade.

Um levantamento realizado pela equipe de consultores da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, com base em dados de 350 produtores atendidos no Rio Grande do Sul, mostra que a produção diária de leite nestas propriedades teve uma redução de 19%, ou seja, de 17 para 13 litros diários por vaca.

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