Enquanto alguns produtores enxergam o leite orgânico como um nicho de mercado com potencial para aumentar seus ganhos, especialmente num momento de crise
Share on twitter
Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

 

Enquanto alguns produtores enxergam o leite orgânico como um nicho de mercado com potencial para aumentar seus ganhos, especialmente num momento de crise como o que o setor vive hoje, outros consideram esse sistema de produção altamente arriscado, capaz, inclusive, de levar a propriedade leiteira à falência.

“Trata-se de uma aventura”, dispara o produtor de leite Edilberto Carneiro, do município goiano de Palminópolis, ao avaliar as iniciativas voltadas à produção de leite orgânico, algumas com o apoio de órgãos públicos, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio do projeto Balde Cheio.

“Isso é um nicho de mercado para pouquíssimos produtores. A gente se preocupa ao ver o produtor, especialmente o pequeno, ser seduzido por essas coisas”, diz Edilberto, integrante do Movimento dos Produtores de Leite do Brasil, que vem reivindicando o apoio dos governos federal e estaduais e dos demais elos da cadeia (laticínios e varejo) para superar a crise sistêmica do setor.

Segundo ele, os sistemas de produção de leite orgânico e A2 – extraído de vacas que não produzem proteínas beta-caseína A1, causadoras da maioria das alergias relacionadas ao produto – são apresentados como panaceias. “E o pequeno produtor, sem condições de sobreviver ao massacre que enfrenta na cadeia produtiva, às vezes envereda para essas iniciativas e quebra.”

edilberto carneiro produtor de leite go reproducao whats
Edilberto Carneiro, produtor de leite – Reprodução/WhatsApp

O clima, o homem e a vaca

A produção de leite, acrescenta Edilberto, por si só já é complexa, dependendo de muitas variáveis. “Entre elas, há três sobre as quais não temos controle: o clima, a vaca e o próprio homem. É preciso criar harmonia entre elas. Além disso, há as questões relacionadas ao mercado, cujas oscilações são enormes.”

A atividade leiteira, prossegue, exige um nível muito grande de dedicação e profissionalização do produtor. “Então, já é um grande desafio dominar um sistema de produção como o da atividade leiteira da porteira para dentro”, pontua Edilberto.

“Agora, imagine o produtor ainda se ver na obrigação de controlar um processo industrial que, por mais simples que seja, envolve regulações de sanidade animal e de saúde pública, além de investimentos em equipamentos e instalações.”

Edilberto assinala também que o produtor que parte para verticalização, a fim de industrializar a sua produção, tem outra tarefa desafiadora: a de colocar o leite no mercado.  Isso, observa, é ainda mais complexo, porque envolve a atividade do varejo, que é altamente concentrada.

“Vendedores de ilusões”

“Os supermercados estrangulam o setor industrial, criam exigências de gôndolas e de marketing, entre outras. Como é que o pequeno produtor vai ter acesso às grandes redes de supermercados, que dominam 75%, 80% do mercado varejista? Se não conseguir, como fazer para chegar às pequenas mercearias e supermercados menores?”

Em resumo, enfatiza Edilberto, o produtor de leite que resolve buscar os nichos de mercado tem que dominar a produção, o processo industrial, com todas as exigências regulatórias e impostos, e ainda procurar o mercado consumidor – varejo ou atacado. “Isso é muitíssimo complicado. São atividades altamente concentradas, em economia de escala. É difícil o produtor sobreviver nessa situação.”

Diante disso, Ediberto não vê sentido em criar perspectiva em relação a esses sistemas de produção. “Muitas vezes, o produtor, que já é castigado pelos outros elos da cadeia, pelo governo e pela concorrência desleal com outros países, se vê forçado a entrar nessa aventura. Quando percebe que é inviável, já fez investimentos, não tem como se desfazer daquilo e vai à falência por ter sido induzido por vendedores de ilusões, por gente aluada.”

Como é que o pequeno produtor vai ter acesso às grandes redes de supermercados, que dominam 75%, 80% do mercado varejista? Edilberto Carneiro, produtor de leite

 

Os preços da indústria caíram 0,85% em outubro frente a setembro, a terceira variação negativa do Índice de Preços ao Produtor (IPP).

Você pode estar interessado em

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Para comentar ou responder, você deve 

ou

Notas
Relacionadas

ASSINE NOSSO NEWSLETTER