No Paraná, o valor pago cresceu sete centavos entre janeiro e fevereiro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção
Share on twitter
Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
Divulgação Syntec

No Paraná, o valor pago cresceu sete centavos entre janeiro e fevereiro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção

O preço do leite que foi captado em janeiro e pago aos produtores no mês de fevereiro registrou leve aumento de 1,4% em todo o país na comparação com o mês anterior, sendo negociado por R$ 2,13 por litro na Média Brasil. no entanto, a desvalorização do leite no campo somada ao clima adverso e aos elevados custos de produção tem afetado o setor.

A produção de leite está limitada especialmente no Sul do país. No Paraná, por exemplo, o valor de referência para negociação do leite aumentou sete centavos neste mês, ficando  em R$ 1,84. Mas não é suficiente para suprir os custos da atividade leiteira no estado que está operando no vermelho.

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep), o setor está operando com queda na produtividade em decorrência de todos os reflexos negativos da primeira safra de milho, dos altos custos de produção e o andamento da segunda safra que está preocupando ainda mais, pela falta de estoque. Segundo a entidade, a baixa produtividade é quem está puxando o aumento no valor pago ao produtor.

“A volta das aulas escolares movimentaram as merendas também, que tem o consumo de lácteos. Então além da redução na oferta a gente também teve aumento na procura. Mas o ano vai ser difícil, o ano passado já demonstrou muita dificuldade mas a gente ainda tinha estoque de grãos e esse ano não temos, então agora estamos trabalhando no vermelho realmente”, avalia a técnica da Faep, Nicole Wilsek.

Em sua propriedade no município de Cândido Rondon (PR), o produtor Vilmar Fülber possui 170 animais que produzem 80 mil litros de leite por mês. Ele fez muitos investimentos no negócio nos últimos 3 anos e vem suportando a alta dos custos de produção que estão tomando quase todo o valor pago pela indústria. O produtor gasta R$ 1,70 para produzir cada litro de leite.

“No último mês recebi líquido descontado do fundo rural R$ 2,16. Já faz uns três anos que a gente tem esperança de melhorar e não está acontecendo. A gente tem muito investimento na atividade, por isso não é tão simples, pelo investimento que a gente já tem na atividade, e a gente gosta da atividade também, então não é tão fácil abandonar algo que a gente viveu uma vida”, revela o produtor.

Captação de leite em queda

O último boletim trimestral do IBGE, referente a julho, agosto e setembro de 2021, aponta que as indústrias compraram 6 bilhões 190 milhões de litros de leite cru.

O resultado representa a menor captação para um terceiro trimestre desde 2016. O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges  acredita que o setor vai reagir nos próximos meses, e que a queda na oferta já era esperada.

“O leite precisa reagir e ele vai reagir. Já está reagindo o preço para o produtor e nós já esperávamos que a partir de fevereiro, março, o mercado desse uma mudança. Esperamos que tenha um controle maior e melhor da inflação apesar do ano não ser muito promissor em relação a isso, por ser um ano político, que pode trazer mais desequilíbrios e mais inconstâncias econômicas”, destaca o presidente de Abraleite.

O leite longa vida nunca esteve tão caro.

Você pode estar interessado em

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada.

Para comentar ou responder, você deve 

ou

Notas
Relacionadas

ASSINE NOSSO NEWSLETTER