Leite teve aumento significativo, entretanto, o produtor ainda recebe o mesmo pela venda. ( Foto: Alvaro Pegoraro/Arquivo FM)

Muitos preços de produtos da cesta básica tiveram aumento considerável nas últimas semanas. O preço do litro de leite é um dos que tem chamado atenção dos consumidores. Acostumados a pagarem, em média, até R$ 3 o litro, no últimos dias, o preço chegou a ultrapassar os R$ 4.

Todo início de mês, a Folha do Mate faz um levantamento de produtos em três supermercados de Venâncio Aires, dentre eles, está o leite. Em janeiro, o preço mínimo encontrado era de R$ 2,59, em abril, a reportagem encontrou o produto por R$ 4,09, um aumento de 57%.

A maior procura pelo leite e produtos derivados fez o preço final aumentar. A elevação dos preços que já chega ao consumidor no caso do UHT, explica o vice-presidente do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) Alexandre Guerra, reflete o momento de entressafra (março-julho). Este ano, a tendência é que o período se prolongue uma vez que a estiagem segue prejudicando as pastagens e a nutrição dos animais. “As previsões climáticas indicam pouquíssima chuva para os próximos meses em meio a um cenário de muitas incertezas sobre o consumo das famílias e o comportamento do mercado. O Rio Grande do Sul já tem 201 municípios em situação de emergência em função da estiagem, o que agrava a produção láctea cada vez mais”, explica Guerra, que também é presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat RS). Outro fator a ser considerado é a elevação dos custos na indústria com o dólar próximo de R$ 5, os gastos adicionais com a prevenção do coronavírus e o rearranjo produtivo nas fábricas com o afastamento de funcionários pertencentes ao grupo de risco.

O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, reforça que houve uma diminuição considerável na produção de leite devido à estiagem. Outro fator elencado por ele, é que o leite UHT estava com uma defasagem de preço. “Efetivamente para pagar melhor o nosso produtor, a gente precisa aumentar o valor do leite. Mas é evidente que houve esse reposicionamento de preço e alguns supermercados aumentaram o valor.”

Palharini enfatiza que o aumento no preço do litro de leite e justificável por diversas variáveis, dentre elas: oferta menor de produto, indústrias afetadas com a pandemia da Covid- 19 e a correria aos supermercados. “Nessa hora, infelizmente o consumidor vai ter que fazer pesquisa de preço”, aconselha.

Apesar do aumento nas prateleiras dos supermercados, o produtor ainda recebe o mesmo pela venda. É o que explica o engenheiro agrícola da Emater de Venâncio Aires, Diego Barden dos Santos. “O preço pago ao produtor vem de uma estabilidade à leve alta em comparação ao mesmo período do ano passado. Mas nos últimos meses, ele continua recebendo o mesmo. Precisamos ressaltar que os custos de produção subiram muito. Com a alta nos insumos o produtor acaba perdendo a ‘margem’.”

Santos também reforça que quando o mercado se estabilizar novamente, a tendência é que se verifique uma alta ao valor pago para o produtor em relação ao mesmo período do ano passado. “Com a diminuição de produção considerável, em relação ao ano passado, a estiagem ocasionou uma menor qualidade de pastagem e silagem, com isso, teremos menos leite no mercado. Assim, espera-se que ele passa a ser valorizado e o produtor passe a receber mais. Agora, a instabilidade do mercado consumidor faz com que o preço oscile muito.”

CONSUMIDOR

A moradora de Linha Saraiva, Márcia Dreissig, 50 anos, comenta que fez pesquisas e levou uma caixa de leite. “Pesquisei e estou levando o mais barato”, enfatiza. “Como precisamos evitar sair muito de casa, estou levando uma caixa. No interior, o preço nos mercados é ainda maior”, justifica.

Márcia destaca que não compra muito leite, mas notou o aumento no produto desde a última aquisição.

Todo início de mês, a Folha do Mate também faz o levantamento de 38 itens em três supermercados de Venâncio Aires. Dentre eles, está o leite. Confira a variação do produto nos primeiros quatro meses de 2020.

Mês Mais barato Mais caro

Janeiro R$2,59 R$ 2,99

Fevereiro R$ 2,59 R$ 2,99

Março R$ 2,59 R$ 2,99

Abril R$ 2,99 R$ 4,09

Variação de janeiro a abril = 57%