Deputado, defensor do voto impresso e da liberação das armas, bolsonarista transforma merenda em moeda de troca para ganhar apoio da cadeia leiteira.
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Foto: Pedro Ladeira/Folhapress Fonte: The Intercept_ Brasil

“QUEREMOS PRIVILEGIAR os pequenos produtores de leite”, disse o deputado Major Vitor Hugo em uma audiência pública sobre um PL de sua autoria que muda o Programa Nacional de Alimentação Escolar. O que ele não falou é que a proposta foi construída com grupos do submundo da base bolsonarista ligados ao agro – um público estratégico para a campanha eleitoral de 2022. É, literalmente, um grupo do zap assumindo o papel de legislador por meio do Major para fazer lobby pró-mercado, e não pelas políticas públicas de alimentação escolar.

O que o Major – que até junho do ano passado restringia sua atuação a temas como o “liberou geral” das armas e, mais recentemente, o voto impresso – fez ao pautar a alimentação escolar foi colocar a merenda na mesa, como moeda de troca eleitoral.

Acusado de ter recebido mais de R$ 300 milhões do “orçamento secreto” de Bolsonaro, ele é líder do PSL na Câmara e alimenta o sonho de se eleger governador ou senador nas próximas eleições. Porém, para alcançar a vitória, precisa conquistar votos em Goiás. O estado é o quarto maior produtor de leite do país – é em território goiano, por exemplo, que fica a maior empresa de laticínios do Brasil, a Piracanjuba, que desbancou a Nestlé no último ranking da Associação Brasileira de Produtores de Leite.

O PL, que foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio deste ano, prevê a retirada da prioridade de comunidades indígenas e quilombolas na venda de alimentos à merenda e abre brechas para o desrespeito da cultura alimentar local.  Mas sua mudança mais importante é a inclusão da obrigatoriedade de que 40% das compras de leite, realizadas com recursos transferidos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para o PNAE, sejam de leite em forma líquida, adquiridos sem licitação – não há dados sobre a proporção atual.

Para entender como a merenda virou escambo, acompanhamos por meses grupos de empresários bolsonaristas da cadeia leiteira no Facebook e Telegram, e encontramos os verdadeiros proponentes do PL do Major e de outras iniciativas do parlamentar em Brasília, como a Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, a FPPL, lançada em outubro último.

A fraca demanda pressionou o valor, que caiu 0,6% no mês e 5,6% em 12 meses.

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