Foi um ano de margens apertadas, de difícil transferência de preços entre a indústria e o varejo e, ao mesmo tempo, com pouco leite no campo, devido à contração das margens do produtor.
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Toda esta dificuldade veio do consumo mais fraco, onde uma parte dos consumidores de classe inferior, que ajudaram a demanda no ano passado, não tinha nem o fôlego nem o livro de bolso para sustentar seu próprio consumo.

E isto aconteceu por várias razões, principalmente econômicas, como o alto desemprego, a menor alocação de recursos em programas de assistência à renda e a alta inflação. No caso específico da inflação, que não nos incomodou durante vários anos, atingimos taxas anualizadas ao nível de 10%, o que prejudica o poder de compra das famílias. Além disso, a política monetária para controlá-la implica um aumento das taxas de juros, o que torna o crédito e o investimento mais caros e acaba afetando a recuperação da economia.

O aperto de margem que caiu sobre o produtor de leite veio inicialmente com um aumento nos preços do milho e dos concentrados à base de soja. Então, o aumento dos fertilizantes também tornou as forragens mais caras. Por outro lado, o baixo consumo acabou induzindo uma queda nos preços do leite ao produtor a partir de agosto de 2021.

Este conjunto de fatores afetou a oferta de leite, com uma queda de 4,9% no terceiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo trimestre do ano passado; para o ano, a queda acumulada na produção é de 1,2%.

O cenário de rentabilidade mais difícil levou os produtores a repensar sua atividade, com alguns projetos em aceleração e outros em situação vulnerável. O fato é que há dois movimentos em andamento no campo, um de altos investimentos em tecnologia e escala e o outro de produtores deixando a atividade.

No mercado de derivados de leite, o leite UHT tem enfrentado dificuldades para se diferenciar, agregando valor e, conseqüentemente, margens. Especialmente após a recessão brasileira em 2015 e 2016, as margens pioraram e a absorção dos preços pelo consumidor tem sido mais difícil.

Historicamente, a distribuição da indústria sobre o produtor, representada pela diferença de preço entre eles, era de R$ 1,88/litro, deflacionada pelo IGP-DI (Gráfico 1). Em 2021, esta margem foi reduzida para R$ 1,24, o que colocou as margens industriais em uma situação complicada, uma vez que os custos industriais, logísticos e de embalagem, além dos custos fixos, ainda precisam ser deduzidos deste valor. O leite UHT está em um mercado onde é necessário pensar constantemente em agregar valor e diferenciação.

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Há uma parte da população disposta a pagar mais por este leite, mas que o consumidor tem que perceber o diferencial do produto, seja em rastreabilidade, pagamento de carbono, saúde ou outras características físicas ou até mesmo a percepção do consumidor.

No caso do queijo mozzarella, a situação também era complicada. Apesar do retorno gradual do serviço de alimentação, a indústria de mozzarella não pôde repassar os aumentos de custo que teve e a margem média também diminuiu em 2021. Em média, esta margem está em torno de R$ 8,61 kg, mas em 2021 caiu para R$ 6,03 kg (Gráfico 2).

No ano passado, o diferencial da indústria estava ligeiramente acima da média histórica, mostrando que as repercussões dos preços ocorreram e foram absorvidas pelo consumidor. Além disso, as vendas de queijo pelos supermercados registraram um bom volume e as classes de menor renda tiveram uma forte presença no consumo. Este ano, parte desta população não conseguiu manter suas compras.

Finalmente, no caso do leite em pó, a situação foi ainda mais adversa, pois trata-se de um produto que historicamente conseguiu manter uma margem sobre a matéria prima de cerca de R$ 7,60/kg. Mas em 2021, este valor caiu para R$ 4,35/kg (Gráfico 3), mesmo com menos concorrência com o produto importado.

Isto ilustra bem como algumas regiões com maior consumo de leite em pó, como o Norte e o Nordeste, sentiram o impacto negativo da pandemia sobre a economia e a renda familiar.

Foi, portanto, um ano de margens apertadas em certos produtos. Obviamente, nem todos os produtos lácteos sentem a mesma coisa. O mix de vendas faz uma diferença na rentabilidade da empresa e as margens do produto também são variáveis. Visar nichos de mercado específicos e diferenciais de produtos de valor agregado é um longo caminho para mitigar as baixas margens no comércio de commodities.

Por outro lado, em grandes instalações industriais, estas commodities são essenciais para diluir os custos fixos, mas a eficiência e os ganhos de produtividade precisam ser incorporados quase constantemente à rotina empresarial.

Uma lição importante deste cenário é que a subsistência da cadeia leiteira depende do consumidor, de seus gastos. Você precisa entender suas preferências, suas exigências e seu orçamento. Mas também é possível influenciar suas decisões.

Traduzido com DeepL

O último leilão da Plataforma Global Dairy Trade (GDT) em 03 de maio registrou forte recuo nos preços internacionais dos derivados lácteos.

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