No mercado internacional, o ano de 2021 foi marcado por uma menor oferta de leite dos países exportadores.
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Baixos estoques globais e maior demanda chinesa puxaram os preços brutos do leite 21% em 2021, de US$ 0,37/kg em 2020 para US$ 0,45/kg. O crescimento da oferta global não deve passar de 1%. O custo da mistura-padrão 70% milho + 30% farelo de soja (3 litros de leite para um kg da mistura) subiu 41%, de US$ 0,22/kg para US$ 0,31/kg.
Para 2022, o cenário de oferta de leite pode vir a ser ainda pior: para janeiro se estima uma queda de 1,7% e para março 1,1%. O conflito Rússia-Ucrânia trouxe mais altas nos preços do petróleo, dos fertilizantes e dos grãos, com implicação direta nos custos de produção do leite, em âmbito global. Neste primeiro trimestre os preços internacionais do leite aumentaram 31%, fechando em US$ 0,59/kg na média, com registro do maior valor histórico, de US$ 0,63/kg, em março. A mistura 70+30 teve alta de 19%.
No Brasil, em 2021, a alta na média dos preços reais líquidos ao produtor deflacionados pelo IPCA, foi de 16%, fechando 2021 em R$ 2,34/litro. O custo da mistura 70+30, cresceu 38%, ficando em R$ 2,04/kg em 2021. A margem do preço sobre a mistura 70+30 foi 8% maior em relação a 2020. A produção inspecionada de leite teve redução de 2,2% (IBGE).
Neste primeiro trimestre de 2022 os custos, medidos pela mistura 70+30 continuaram crescendo, e, proporcionalmente mais do que os preços do leite ao produtor. Para o leite, a média dos preços ficou em R$ 2,18/litro; da mistura, em R$ 2,05/kg; e da margem sobre o preço do leite em R$ 1,50/litro, valor 10% menor em relação à média de 2021 (R$ 1,66/litro).
No âmbito da balança comercial de lácteos, no passado, os preços ao produtor brasileiro estiveram acima da referência internacional. Entretanto, nos últimos três anos, não se observa diferenças em termos das médias anuais. As maiores disparidades ocorreram neste primeiro trimestre de 2022. A referência do preço bruto internacional em março, de US$ 0,63/kg, foi 29% superior ao equivalente brasileiro, de US$ 0,49/kg de leite. No entanto, países como Argentina e Uruguai encontram-se com preços mais competitivos que os brasileiro e a importação poderá registrar elevação.
Como indicador de rentabilidade, a Figura 1 ilustra a evolução das margens do preço líquido do leite ao produtor sobre a mistura 70+30, do Brasil no contexto internacional (valores mensais convertidos de Dólar para Real e de preço bruto para preço líquido). Em 2021 a margem internacional ficou em R$ 1,81/litro, 13% maior em comparação com o Brasil (R$ 1,66/litro). Na média do primeiro trimestre de 2022, a margem internacional aumentou para R$ 2,20/litro, ao passo que a margem brasileira caiu para R$ 1,50/litro. A margem internacional ficou 47% maior.
Apesar de incertezas no cenário internacional, os desafios do produtor brasileiro são os custos para continuar produzindo leite. O período atual de entressafra deve seguir indicando aumento dos preços do leite. Por fim, o conflito Rússia-Ucrânia trouxe consequências para a economia do leite: (1) alta nos preços do petróleo, fertilizantes e grãos; (2) receios de insegurança alimentar: retenção de excedentes de produtos exportáveis e estocagem de produtos lácteos; (3) acirramento da concorrência por insumos; (4) riscos para globalização e regionalização dos mercados; e (5) incertezas sobre a oferta ucraniana de milho no mercado internacional.

Encontro acontece esta sexta-feira e conta com a presença do secretário de Estado da Agricultura, Rui Martinho.

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