Conjuntura econômica do agronegócio do leite, analisada por especialistas da Embrapa, em linguagem objetiva.
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O ano de 2022 começa bastante agitado no Brasil. Os casos de Covid cresceram com a variante Omicron, mais transmissível. No início de janeiro houve também um volume elevado de chuvas no Sudeste e seca com altas temperaturas no Sul do Brasil.

No mercado de leite, a questão climática tem tido um impacto bastante acentuado nos últimos anos, com reflexo negativo nas safras de grãos, pastagens e produção de silagem. A presença do fenômeno La Nina no final de 2021 e início de 2022 tem causado chuvas irregulares e estiagens prolongadas no Sul do Brasil.

Após um plantio de grãos da safra 2021/2022 dentro da normalidade, a seca chegou na região Sul nos meses de novembro e dezembro, trazendo perdas no desenvolvimento das plantas e na previsão de safra. Já na primeira quinzena de janeiro, uma massa de calor gerou anomalias de temperaturas também na região.

Os preços de milho e soja voltaram a subir como reflexo destes eventos climáticos, e que atingiram também a Argentina. Um outro impacto da seca refere-se a piora na condição das pastagens e na produção de silagem.

Esse cenário, que limita a oferta de leite, vem se somando a baixa disponibilidade do produto observada no segundo semestre de 2021, em função de uma piora na rentabilidade (Figura 1). No Sudeste a queda de produção no terceiro trimestre de 2021 ante o mesmo trimestre de 2020 foi de 9,6%. No Centro-Oeste esse recuo foi de 6,1%.

Isso ilustra o fato de que muitos produtores têm deixado a atividade e outros reduzindo a produção. Basicamente, observa-se uma maior dificuldade dos produtores menores, que possuem baixa bonificação por volume e rentabilidade comprometida. Aqueles que tocam a atividade com suas famílias são mais resilientes. Mas outros, que dependem de mão de obra contratada, o desafio tem sido maior.

Mas, o que isso traz em termos de perspectivas? Esse ajuste negativo na oferta tende a gerar uma entressafra ainda mais enxuta. Além disso, a combinação de câmbio desvalorizado e preço internacional mais alto deve manter as importações mais fracas. Portanto, pelo lado da oferta, a tendência é de pouco leite.

Pelo lado da demanda, não se vislumbra grandes mudanças. As previsões de PIB são bem ruins para 2022, com alta prevista de apenas 0,28% de crescimento. Ou seja, a renda per capita tende a cair. A inflação deve voltar a patamares mais tranquilos, o que é positivo. Outro fator positivo será a maior abertura do comércio e do mercado institucional de hotéis, escolas e restaurantes. São fatores que ajudam no consumo, mas com impacto moderado.

As principais mudanças são esperadas pelo lado da oferta, como aconteceu em outros setores como o de carne bovina. Os abates em 2021 registraram recuo de 8% até setembro. Ao comparar com 2019 a queda foi de 15%. Ou seja, o setor encolheu e algo parecido está ocorrendo no leite. Um ponto positivo disso para o produtor de leite é que coloca um certo piso nas cotações, sobretudo neste momento de custo mais alto.

Alguns temas além do curto prazo entraram na pauta do setor em nível global e suscitam reflexões. A questão das bebidas alternativas, Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) e leite carbono neutro são opções que começa a ganhar espaço na mesa dos consumidores. No caso das bebidas alternativas, o potato milk (bebida a base de batata) tem sido colocado como uma tendência internacional em 2022, que possui características de cálcio e vitaminas melhores que seus antecessores. Uma outra tendência internacional no setor de alimentos trata-se do Climatarianism, que é o consumidor com foco na pegada de carbono. Nos parece uma questão central no futuro do leite, e que precisa ser bem conduzida e as práticas utilizadas pelo setor produtivo como exemplos de sustentabilidade devem ser devidamente informadas aos consumidores.

O último leilão da Plataforma Global Dairy Trade (GDT) em 03 de maio registrou forte recuo nos preços internacionais dos derivados lácteos.

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