Em rodada liderada pelo Tiger Global, a startup chilena de alimentos plant-based foi avaliada em US$ 1,5 bilhão. O aporte também despertou o apetite de investidores como Jack Dorsey, CEO do Twitter, do piloto Lewis Hamilton e do tenista Roger Federer
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Em rodada liderada pelo Tiger Global, a startup chilena de alimentos plant-based foi avaliada em US$ 1,5 bilhão. O aporte também despertou o apetite de investidores como Jack Dorsey, CEO do Twitter, do piloto Lewis Hamilton e do tenista Roger Federer

O portfólio da NotCo será expandido com o novo cheque

Com produtos que replicam o sabor e a textura de alimentos com base animal, as foodtechs de plant-based caíram no gosto dos consumidores e investidores. Duas das pioneiras nesse espaço, as americanas Beyond Meat e Impossible Foods ilustram o apetite crescente por esse modelo.

primeira abriu capital em 2019, saindo de uma avaliação de US$ 1,5 bilhão para os atuais US$ 8 bilhões. A segunda atraiu investidores como TemasekBill Gates, a tenista Serena Willians, a cantora Katy Perry e o ator e cantor Jaden Smith e está avaliada em US$ 4 bilhões. E, agora, prepara uma oferta pública buscando um valuation de US$ 10 bilhões.

A partir desta segunda-feira, 26 de julho, esse menu bilionário de foodtechs plant-based ganha um tempero latino-americano. Com um aporte série D de US$ 235 milhões, liderado pelo fundo americano Tiger Global, a chilena NotCo é o primeiro unicórnio do setor na região, ao alcançar um valuation de US$ 1,5 bilhão.

“Essa é uma marca que se tornou quase um mito das startups, mas o mais importante é que ela mostra que estamos no caminho certo”, diz Ciro Tourinho, country manager da NotCo no Brasil, ao NeoFeed. “Esse novo status traz muita pressão, mas é um frio na barriga bom.”

O aporte chega menos de dois meses depois de a startup captar um investimento, de valor não revelado, do Enlightened Hospitality Investments, veículo ligado a Danny Meyer, fundador da rede americana de fast-food Shake Shack.

Fundada em 2015 por Matias Muchnick, Karim Pichara e Pablo Zamora, a startup está ganhando ainda novos investidores nesse round. A relação extensa envolve os fundos DFJ Growth, The Social Impact Foundation e ZOMA Lab.

Em um paralelo com a Impossible Foods, o aporte traz ainda nomes da tecnologia, dos esportes e da música. São eles: Jack Dorsey, fundador do Twitter; Joe Gebbia, cofundador do Airbnb; o piloto de fórmula 1 Lewis Hamilton; o tenista Roger Federer; e o músico e DJ Questlove.

Os novos acionistas se juntam a um cardápio de investidores, não menos renomados, que já integravam o negócio e que também estão acompanhando o investimento, como Bezos Expeditions, fundo do bilionário Jeff Bezos; L. Catterton; Future Positive; e Kaszek.

“Queremos nos associar com empresas, fundos e pessoas que façam sentido com o nosso propósito e esse aporte abre um potencial enorme”, diz Tourinho. “Nossa proposta é tirar os animais da equação, mas, para isso, é preciso ter escala. Do contrário, é uma história bonita restrita a um círculo pequeno.”

O trio fundador da NotCo: Karim Pichara (à esq.), Matías Muchnick e Pablo Zamora

Nessa história, um dos capítulos que diferenciam a NotCo de boa parte de seus pares é o portfólio mais diverso. Atualmente, além do Not Burger, essa oferta inclui o leite Not Milk, a maionese NotMayo e os sorvetes Not Ice Cream.

Para desenvolver essas linhas, a foodtech usa algoritmo próprio de inteligência artificial. Batizado de Giuseppe, ele mapeia e analisa propriedades moleculares de alimentos de origem animal. E consegue reproduzir seus sabores, texturas e aromas em produtos criados a partir de ingredientes vegetais.

Ampliar esse leque é um dos focos do aporte. A NotCo já tem produtos como atum e frango em testes. “Parte dos próximos lançamentos virá de análogos de carne e de derivados de leite”, conta Tourinho. “E estamos lançando o Not Milkinho, em embalagens de 200 ml, para buscar o público infantil.”

Além das categorias

A expansão também envolve outras geografias. Um dos destinos é a operação nos Estados Unidos, mercado no qual a NotCo ingressou no fim de 2020, por meio de redes varejistas como Whole Foods. O plano é ter presença em 8 mil lojas, com o país respondendo por 50% do faturamento em 2022.

O plano prevê ainda o lançamento da operação em mercados como Canadá, Europa e Ásia, além da chegada no México e em outros países da América Latina. Na região, além de sua “terra natal”, a NotCo já marca presença na Argentina, na Colômbia e, desde março de 2019, no Brasil.

O Brasil é outra prioridade do novo cheque. No País, parte dos recursos será reservada para ampliar a capilaridade da marca, hoje mais concentrada no estado de São Paulo, em varejistas como Pão de Açúcar, Carrefour, St. Marche e Mambo. O mapa inclui ainda o e-commerce próprio e a presença em marketplaces como Amazon e Mercado Livre.

“Ainda não batemos o martelo, mas, com o aporte, vamos avaliar mercados como as capitais do Sudeste e as regiões Sul e Nordeste”, diz Tourinho. “Já temos distribuidores nesses locais, mas o plano é ter estruturas e equipes comerciais próprias. E ingressar também no food service, ainda esse ano.”

Ciro Tourinho, country manager da NotCo no Brasil

A ampliação do time local, formado por 45 pessoas, também está no radar e, sem um quadro ainda definido, vai seguir essa expansão. Esse escopo já inclui a montagem recente do NotLab, estrutura local de P&D, e também vai se refletir em mais investimentos em branding.

“Não se constrói uma marca do dia para a noite, por isso, vamos intensificar essa frente”, observa Tourinho. “E essa estratégia também estará relacionada à expansão geográfica, com ações de marketing direcionado.”

Bilhões na mesa

Alguns números traduzem o olhar cada vez mais aguçado dos investidores para foodtechs como a NotCo. A consultoria americana Marktets and Markets prevê que o setor de plant-based irá movimentar US$ 27,9 bilhões em 2025. Já o banco suíço UBS projeta uma receita de US$ 85 bilhões em 2030.

Essas cifras não estão atraindo apenas a atenção de startups, mas também de gigantes multinacionais, como Nestlé e Unilever, além de grupos brasileiros de alcance global, como JBSMarfrig e BRF. Seja por meio de joint ventures, investimentos ou parcerias, esses e outros nomes estão direcionando cada vez mais recursos para iniciativas nessa direção.

“Quando nomes desse porte fazem grandes movimentos, é sinal de que o jogo, de fato, está mudando”, diz Cristina Souza, CEO da consultoria Gouvêa Foodservice. “Mas essa mudança não é imediata. Há todo um processo de transição, de P&D e de investimentos que demanda um tempo considerável.”

Apesar dessa “desvantagem”, ela entende que a briga será boa entre as gigantes e as startups que desbravaram esse modelo. “No fim do dia, cada perfil de consumidor terá seu driver de conexão, seja por propósito ou pela relação que já mantém com determinada marca”, acrescenta Cristina.

Do lado das startups, o Brasil já tem outros representantes ganhando escala. Ao lado da NotCo, o principal nome é a Fazenda Futuro, que captou, em setembro de 2020, um aporte de R$ 115 milhões liderado pelo BTG Pactual e que avaliou a operação em R$ 715 milhões.

Fundada em 2019, a Fazenda Futuro também já está explorando outras fronteiras. Atualmente, além do Brasil, os produtos da foodtech já marcam presença em gôndolas de países como Estados Unidos e Holanda.

Inventados para aliviar o trabalho nas salas de cura, eles ajudam na metamorfose dos queijos suíços.”

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