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Brasil |4 agosto, 2020

Leite | O leite na era 4.0

Vivemos numa era de transformações contínuas e também de incertezas, que exigem rápida e constante adaptação. Pessoas, empresas e equipamentos trocam informações e são influenciados pelos demais a todo tempo.

Vivemos numa era de transformações contínuas e também de incertezas, que exigem rápida e constante adaptação. Pessoas, empresas e equipamentos trocam informações e são influenciados pelos demais a todo tempo. Tecnologias como Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), Realidade Aumentada, impressão 3D, fontes de energia alternativas, entre tantas outras, modificaram o modo como nos comunicamos e nosso modo de agir, pensar e observar.

Na Economia 4.0, o digital e o real se misturam de forma indissociável e promovem alterações profundas nos modelos de negócio. Inteligência e precisão são as palavras-chave dessa nova economia para qualquer setor.

Nesse cenário, para a pecuária leiteira não é diferente. Somos parte de uma atividade em pleno movimento. Globalmente, acompanhamos a consolidação de rebanhos cada vez maiores e cada vez mais produtivos, contrastando com uma concentração gradual da atividade em um menor número de fazendas para empregar e alimentar uma população em crescimento.

Temos acompanhado a saída constante de produtores de leite da atividade leiteira, evidenciada nos dados do IBGE de 2017 que indicam uma redução de 13% no número de produtores em comparação a 2006. Nos EUA, essa redução atualmente chega a 6,8% ao ano. Não é segredo que aqueles que permanecem são os que mais rapidamente se adaptam às mudanças. Aqueles que, em vista dos desafios, conseguem manter seus rebanhos produtivos e economicamente eficientes. As diversas tecnologias disponíveis hoje para a produção leiteira são grandes aliadas no atingimento de metas produtivas e financeiras, e na permanência na atividade.

A pecuária de precisão, por meio de ferramentas digitais, permite a obtenção de informações fundamentais e precisas para o acompanhamento de todo o ciclo produtivo. Isso auxilia o produtor diante de desafios como aumento do rebanho, maior produção e assertividade na gestão, bem como necessidade de cuidado individualizado para cada animal, respeitando seu bem-estar. Softwares, sistemas e aplicativos que permitem coletar, armazenar e analisar dados – como taxa de prenhez, cio, produção de leite e incidência de doenças – estão amplamente disponíveis e serão cada vez mais parte do dia a dia das fazendas leiteiras. Não só para que o produtor seja mais eficiente e se mantenha na atividade, mas também para que haja foco em bem-estar animal, produtividade e sustentabilidade.

Temos no país um grande potencial de crescimento para esse setor. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas trabalhem diretamente na pecuária leiteira. Mesmo sendo tão heterogêneo e pulverizado, com produtores de alta produtividade e tecnicidade e outros cuidando de suas propriedades como se fazia há 50 anos, o setor mais que quadriplicou sua produção em pouco mais de 40 anos. Ultrapassamos o volume de 35 bilhões de litros de leite, mas ainda com baixa produtividade média nacional (aproximadamente 1.600 kg de leite/vaca/ano).

Análises publicadas em março de 2020 exemplificam o potencial para melhores resultados nas fazendas brasileiras. O Top 100 2020, publicado pelo MilkPoint, indica produção média por vaca de 28,5 kg/dia nas 100 maiores fazendas do País. E ainda o 5º Índice Ideagri do Leite Brasileiro, iniciativa que analisa dados de rebanhos que utilizam software de gestão, evidencia oportunidades de melhoria. Como exemplo, a taxa de prenhez, indicador-chave para desempenho produtivo e reprodutivo, foi de 16% na média geral e de 23% nos dez rebanhos de melhor resultado zootécnico. Já a taxa de mortalidade de vacas foi de 6,2% na média geral e de 4,6% nas fazendas top 10. Certamente os resultados superiores obtidos nesses rebanhos top 10 são consequência de assistência técnica de qualidade, gestão eficiente e aplicação coerente de tecnologias.

Outra grande oportunidade está no aumento do consumo. Hoje, no Brasil, o consumo per capita (170 kg de leite/habitante/ano) é inferior ao recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de 200 a 220 kg/habitante/ano. Um maior consumo passa também pela consideração dos desejos e demandas dos consumidores a respeito de como o leite é produzido, o que envolve o bem-estar animal e a sustentabilidade.

Em meados de 2019, o Ministério da Agricultura divulgou uma lista com 24 empresas brasileiras habilitadas a exportar produtos lácteos para o mercado chinês. De acordo com a Viva Lácteos – Associação Brasileira de Laticínios –, a estimativa é que US$ 4,5 milhões sejam gerados com a venda de produtos lácteos. Tudo isso destaca a necessidade de inovação na cadeia produtiva do leite, para que possamos nos firmar como um país capaz de atender à demanda mundial por alimentos. Façamos com que nosso leite seja também 4.0.

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