O “auxílio emergencial”, que ficou conhecido como “corona voucher” e foi pago pelo governo federal brasileiro a partir de abril (logo depois do início da pandemia), até dezembro, foi decisivo para manutenção de patamares mínimos de funcionamento da economia brasileira.
Share on twitter
Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

No leite, principalmente durante o segundo semestre do ano passado, causou forte incremento de consumo e de preços. Foram cerca de R$ 231 bilhões injetados “na veia” do consumidor brasileiro (notadamente das fatias mais pobres da população brasileira), e que associados a outros fatores coadjuvantes (aumento das refeições no lar e dos gatos com alimentos, em detrimento de outros), fizeram crescer o nosso mercado lácteo em plena pandemia.

Como nada é para sempre, a redução do “ticket médio” do auxílio emergencial a partir de setembro de 2020 de R$ 600 para R$ 300 mensais, seu encerramento em dezembro do ano passado e o forte aumento de preços dos derivados ao consumidor final (observe no gráfico 1 o preço médio da muçarela no varejo da cidade de São Paulo) fizeram estagnar e, possivelmente, começar a recuar o consumo.

Gráfico 1. Preços médios da muçarela ao consumidor na cidade de São Paulo (*)


(*) – preços deflacionados pelo IGP-DI
Fonte: elaborado pela equipe do MilkPoint Mercado, com base em dados do IEA e da FIPE.

Começando 2021 num cenário de mercado bastante complicado e com perspectivas econômicas ainda desfavoráveis, o governo federal sinaliza para o retorno do “corona voucher”. Valores mensais por pessoa atendida, total de desembolso do novo programa e período de pagamento ainda não estão definidos, mas podem-se estimar os possíveis impactos no mercado lácteo, principalmente comparando ao que observamos no ano passado.

No gráfico 2, temos a estimativa de impacto do “corona voucher” (como % do PIB trimestral) em 2020 e diferentes cenários de impacto (em função das diferentes opções comentadas pelo mercado) em 2021.

Gráfico 2. Impactos do auxílio emergencial na economia brasileira (com% do PIB de cada trimestre) – 2020 efetivo e 2021 estimado.


Fonte: elaborado pela equipe do MilkPoint Mercado com base em dados do Banco Central e em informações do mercado a respeito do novo auxílio emergencial

Ainda analisando o impacto do auxílio emergencial em 2020, percebe-se que o valor desembolsado foi bastante relevante para o PIB do segundo e do terceiro trimestre do ano (representando, respectivamente, 7,1% e 5,4% do PIB efetivo daqueles trimestres). Ao mesmo tempo, a redução do montante por pessoa reduziu o impacto para somente 0,4% do PIB no quarto trimestre do ano.

Para 2021, os três cenários teóricos apresentados para o novo “corona voucher” seguem informações divulgadas a respeito pelos diferentes meios de comunicação: início em março/2021, duração de 4 (quatro) meses e atendimento de cerca de 34 milhões de pessoas (metade dos beneficiários da primeira fase do corona voucher). Os três cenários de valores por pessoa considerados foram os seguintes:

  • Cenário “laranja”: valor de R$ 300/mês durante 4 meses
  • Cenário “cinza”: valor de R$ 250/mês durante 4 meses
  • Cenário “verde”: valor de R$ 250/mês durante 2 meses e de R$ 200/mês pelos 2 últimos meses

Na melhor das hipóteses (pagamento de R$ 300/mês durante 4 meses), o impacto estimado no PIB brasileiro é de 1,6% no segundo trimestre do ano — bastante menor do que aquele verificado no segundo trimestre de 2020.

Ao mesmo tempo, os patamares de preços este ano (mais elevados do que no ano passado, pelo menos até o momento), tendem a reduzir o efeito deste recurso adicional no mercado. Por fim, outros efeitos como alterações de hábitos alimentares e na cesta de gastos (privilegiando alimentação e lácteos) tendem a ser menores este ano.

No resumo, ruim com ele, pior sem ele. Um provável novo auxílio emergencial, nos moldes em que vem sendo divulgado, tende a ter um impacto muito menor na economia (e no setor lácteo) do que teve em 2020. Não esperemos por um novo milagre!

Campanha consumo de leite – A Campanha da 1ª Semana do Leite, prevista para ocorrer na primeira quinzena de novembro, foi o tema central da 18ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada nesta sexta-feira (17).

Você pode estar interessado em

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Para comentar ou responder, você deve 

ou

Notas
Relacionadas

ASSINE NOSSO NEWSLETTER