Um dia, na hora do almoço, o casal de funcionários públicos Aureliano e Giovana dava uma volta pelo Setor Comercial Sul, quando ele lhe contou que tinha uma surpresa. Queria lhe dar um presente: Glória e Vitória. Não, não eram bonecas, tampouco seriam humanas. Eram duas cabras. E ela se apaixonou. “Fiquei muito feliz. E as criamos com muito carinho”, conta.
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cabras
Fotos: Divulgação

“As cabras nos conquistaram desde que adquirimos as duas primeiras. São dóceis e produzem um leite de excelente qualidade, altamente digestível, e com apenas traços da Alfa Caseína S1, que é alergênica e presente no leite de vaca”. Os dois já tinham alguma experiência com os animais, em uma chácara que tiveram em Santo Antônio Descoberto.

Depois, já no Núcleo Rural Lago Oeste com Glória e Vitória, foram aumentando o plantel e criaram a queijaria Capril Chalé Serrano, que funcionou nove anos, com a participação dos filhos adolescentes, Davi e Alice. Mas era difícil mantê-la como segundo trabalho.

A Capril Chalé Serrano chegou a ganhar o primeiro lugar com o iogurte que fabricava, em setembro de 1997 no 1º Rural Show no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, onde ainda recebeu menção honrosa do queijo de cabra tipo chanclich. Mas o casal estava na ativa como funcionários públicos e optou por fechar o negócio.

Veio, então, a Cabríssima Queijaria Artesanal, em abril de 2017, depois de aposentados. O nome? Escolheram vários e contrataram até um numerologista para descobrir o mais auspicioso. Mas a decisão mesmo foi pela finesse das moças. “Da raça Saanen, são muito exigentes com a alimentação. E também não gostam de água suja”.

Agora com tempo, Aurelino de Almeida Sampaio Filho e Giovana Navarro Santana de Almeida se dedicam à produção natural de leite e derivados, com respeito à sustentabilidade, na chácara 8A, na Rua 0 do Lago Oeste, área administrativa Sobradinho II, na margem da DF-001.

Alimentos saudáveis com respeito ambiental

No próprio local é produzida silagem para alimentação natural e comprado feno, ração e sal mineral para alimentação das cabras, sem utilização de hormônios. A cama é feita de palha de arroz e a higiene é prioridade na ordenha e durante todo o processo de produção, com assistência da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) e pela – Divisão de Expansão de Produtos de Origem Animal e Vegetal (Dipova).

Como outros produtores do Lago Oeste, é preciso muita vontade e, pode-se dizer, até altruísmo, para oferecer alimentos saudáveis com respeito ambiental e aos consumidores. E coragem para enfrentar as adversidades dos negócios do campo. Se no bairro falta uma ruralidade ainda mais evidente, é porque faltam outras coisas também.

“Falta o governo apoiar os produtores rurais”, comenta Giovana. “Deveríamos ter subsídios para compra de equipamentos, empréstimos com taxas mais brandas, entre outras políticas de apoio”, relata Giovana.

Em menos de seis hectares, a Cabríssima produz em média 100 litros de leite, que é pasteurizado, e queijos frescos, meia-cura, ambrosia e pães de queijo que são entregues aos consumidores nas terças e quintas-feiras, em padarias-gourmet, lojas de produtos naturais, restaurantes e pizzarias, além de venderem na lojinha que o casal tem na chácara.

“A dedicação teve como resultado produtos de alta qualidade, e a localização privilegiada, logo no início do Lago Oeste, atraiu uma clientela fiel e diversificada, uma vez que despertava a atenção dos consumidores que possuíam intolerância aos derivados do leite de vaca e também dos apreciadores de queijos de cabra”, conta Giovana.

​Outro atrativo é a possibilidade de aquisição dos produtos na própria chácara, onde os consumidores podem visitar as instalações e observar todos os cuidados que as cabras recebem, além do ambiente lúdico que alegra as crianças. A dona da casa explica que no local não ficam os bodes, para garantir o sabor mais suave dos alimentos, que é alterado pelo cheio dos animais machos.

Pecuária surpreende, mesmo sem regularização fundiária

Os produtores do Núcleo Rural Lago Oeste se desdobram. Além das dificuldades comuns ao setor, ainda enfrentam os problemas para a aquisição de equipamentos e infraestrutura necessária para o desenvolvimento dos negócios. Um dos motivos é que a discussão para a regularização fundiária de todas as 1.250 chácaras com padrão de 2 hectares já dura mais de 20 anos. E isso significa uma série de empecilhos, como, por exemplo, para pleitear financiamento bancário ou projetos. Mesmo desanimando muita gente que desiste da produção agropecuária no meio do caminho, a persistência em fazer gerar a economia local é significativa. São cerca de 350 criadores, com aproximadamente 30 mil animais.

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