A indústria de laticínios Porto Alegre vai investir R$ 190 milhões em duas novas plantas em Minas Gerais. A primeira, que será inaugurada hoje em Antônio Carlos, no Campo das Vertentes, receberá aporte de R$ 130 milhões. A fábrica vai produzir queijo, iogurte e cream cheese. A outra unidade, de menor porte, começará a ser construída em 2021, no município de Patos de Minas, no Alto Paranaíba. O investimento previsto nessa operação é R$ 60 milhões, com previsão de inauguração para 2023. Com as novas plantas, a empresa chegará a cinco fábricas no País.

O presidente da Porto Alegre, João Lúcio Barreto Carneiro, afirma que os investimentos refletem a confiança da empresa na economia do País. Segundo ele, a Porto Alegre vem crescendo uma média de dois dígitos por ano em faturamento: em 2018, foram 13% de crescimento em relação a 2017 e, para 2019, a expectativa é crescer 20% em relação ao ano passado, chegando a R$ 900 milhões de receita. A fábrica que começa a operar hoje vai contribuir para esse resultado.

De acordo com Carneiro, a localização exata da nova planta é em Campolide, que é distrito de Antônio Carlos, a 13 Km de Barbacena. Segundo ele, a região é grande produtora de leite – principal matéria-prima da indústria – e tem localização estratégica, próxima a Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Com 15 mil metros quadrados, a fábrica de Campolide começa a operar com 50% da capacidade instalada. Nessa primeira fase da operação, 250 mil litros leite serão processados por dia para a produção de queijo minas frescal, queijo cottage, iogurte e cream cheese. Ao todo, 150 empregos serão gerados.

Expansão à vista – O executivo destaca que a fábrica já nasce com data para expansão. No fim deste ano, será construída uma torre de secagem, que permitirá que a planta também produza soro de leite em pó.

“O produto será destinado tanto ao consumidor final quanto a outras indústrias que o utilizam como matéria-prima”, diz. Essa segunda fase da operação será inaugurada no fim de 2020 e dobrará a capacidade de produção da planta: serão 500 mil litros de leite processados por dia. O número de funcionários também deve crescer, chegando a 200 no total.

Carneiro chama a atenção para a estrutura da nova fábrica, que segue o conceito da indústria 4.0. Segundo ele, dos R$ 130 milhões investidos, R$ 88 milhões foram direcionados para a compra de novos equipamentos e montagem do sistema operacional.

“Buscamos na Europa o que há de melhor no mercado, apostando em tecnologias inéditas, como é o caso do equipamento usado para fabricação de cottage, que é o primeiro do tipo na América do Sul, e também do sistema de ultrafiltração que utilizamos na produção dos iogurtes gregos. O objetivo é entrar de forma muito competitiva nessas novas categorias”, ressalta.

O executivo garante que a Porto Alegre seguirá crescendo no Estado e já confirmou sua quinta fábrica em Santana de Patos, distrito de Patos de Minas. Segundo Carneiro, essa região é maior bacia leiteira de Minas Gerais. O investimento de R$ 60 milhões será aplicado na construção da planta, mas principalmente em maquinário e tecnologia. O presidente não abriu o volume de produção, mas confirmou que o foco inicial da planta será nos queijos muçarela, prato, parmesão, além do soro de leite em pó. A unidade será construída a partir de 2021 e a previsão é de que ela seja inaugurada em 2023 e gere 100 empregos.

Além dos investimentos em novas plantas, a Porto Alegre também vem aportando recursos em ampliação de portfólio e estrutura de operações já existentes. Nos últimos anos, a empresa aumentou seu mix, passando de 80 para 120 produtos. Além disso, investiu R$ 100 milhões na expansão de sua fábrica matriz, localizada em Ponte Nova, na Zona da Mata. Além da matriz e da fábrica inaugurada hoje em Antônio Carlos, a Porto Alegre possui uma planta em Mutum, no Rio Doce, e uma em Valença, no Rio de Janeiro. Juntas, as plantas processam 1 milhão de litros de leite por dia.