Em julho deste ano, 24 produtores tiveram permissão para exportar aos chineses; na prática, Brasil ainda não começou a enviar produtos lácteos
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A exportação de laticínios pode crescer, mas para isso é preciso aumentar a competitividade do produto brasileiro. A afirmação foi feita pelo representante da Associação Brasileira de Laticínios, Marcelo Costa Martins, na audiência pública da Subcomissão Permanente do Leite, da Comissão de Agricultura da Câmara, nesta terça-feira, 29. O evento debateu o acordo com os chineses e a situação dos produtores lácteos brasileiros. Segundo Marcelo Martins, a expectativa é de aumentar as exportações de queijos, leite em pó e leite condensado em R$ 17 milhões.

“Recebemos semanalmente demandas de traders que querem importar produtos lácteos brasileiros e, quando as empresas passam os valores de cotação de leite em pó, o nosso não é competitivo”, diz ele.

O mercado de leite e derivados tem 1,4 bilhão de consumidores. Só de leite em pó, a China importa 800 milhões de toneladas por ano – mais do que toda a produção brasileira, que é de 600 milhões de toneladas. Havia um acordo com os chineses, fechado há 12 anos, para negociar produtos lácteos, mas só em julho deste ano, 24 produtores brasileiros tiveram permissão da China para exportar. Mas, na prática, o Brasil ainda não começou a enviar os produtos aos chineses.

O Representante da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, lamentou a ausência do Ministério da Economia no debate. Segundo ele, o leite em pó brasileiro custa, no mercado asiático, 20% a 40% mais caro.

Controle de preços

Para Paulo do Carmo Martins, da Embrapa, as políticas de controle do preço do leite em governos anteriores levaram a uma estagnação dos investimentos no setor. Na avaliação dele, o acordo de exportações também pode ajudar a controlar os preços no mercado interno, gerando mais estabilidade ao produtor e à indústria na hora de definir seus investimentos.

Recém-chegado de uma viagem à Ásia, o representante do Ministério da Agricultura Leandro Diamantino Feijó disse que os chineses estão atentos à qualidade do produto brasileiro. Segundo ele, não houve questionamentos da China sobre a situação ambiental do Brasil.

“A gente não pode se enganar que nós vamos produzir de qualquer jeito e colocar isso no mercado chinês. Eles estão de olho no nosso trabalho. Então, se faz necessário que o governo brasileiro e que o setor privado se mantenham vigilantes no cumprimento daquilo que foi acordado”, disse Feijó.

Papel da Câmara

O autor do pedido para a realização da audiência, o deputado Celso Maldaner (MDB-SC), acredita que a Câmara tem papel importante na melhoria de competitividade. “Temos que sensibilizar o governo para ter uma política de mais apoio, principalmente na área de assistência técnica e infraestrutura, e dar mais apoio ao nosso produtor de leite.”

Outras oportunidades

Outra janela de oportunidade está no acordo entre Mercosul e União Europeia, que, embora só deva ser assinado no segundo semestre do ano que vem, serve de horizonte para a preparação de diferentes setores econômicos.

Para o representante do Ministério das Relações Exteriores Alexandre Ghisleni, com o devido investimento e apoio governamental, quando o acordo estiver plenamente válido, o setor lácteo poderá estar muito diferente e talvez até ter subido na posição entre os maiores produtores e consumidores de laticínios. Hoje, estamos entre os cinco maiores.

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